Falta de empatia e bullying de Flávio: indecisos decidem votos pró-Lula
O Instituto Travessia reuniu doze pessoas desconhecidas numa mesma casa para acompanhar o debate da Globo: três eleitores de Lula, três de Flávio Bolsonaro e seis indecisos.
Por meio de cartões verdes e vermelhos, os participantes reagiam em tempo real às falas dos candidatos. Ao final, nenhum eleitor já definido mudou de posição — mas cinco dos seis indecisos reprovaram de forma contundente a conduta de Flávio: a falta total de empatia ao tratar o caso da menina Ana Clara, e o bullying e o desrespeito em relação à deficiência de Lula.
“O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil numa menina de cinco anos?” — perguntou Lula.
Ao responder, Flávio confundiu o nome da mãe da criança com o da própria vítima. O erro provocou reprovação praticamente unânime entre todos que não eram seus apoiadores.
“Ai, meu Deus, não sabe nem quem é”, reagiu uma participante. Outro avaliou que Flávio “não tem empatia nenhuma” pela criança. A reação foi especialmente forte entre os indecisos: uma manteve o cartão vermelho erguido durante toda a fala do senador, demonstrando repúdio à forma como conduziu o tema.
No debate, Flávio Bolsonaro mostrou, de maneira inequívoca, quem é: revelou mau-caráter e, ao fazê-lo, acabou expondo o perfil de milhões de pessoas que o apoiam.
Quando zombou do acidente sofrido por Lula ainda adolescente, trabalhando como metalúrgico, a resposta veio com força — palavras arrancadas das entranhas da alma: “Ele me chamou de ‘nove dedos’. Eu quero que ele saiba de uma coisa: se tem alguém aqui que sabe o que é o mundo do trabalho, sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu — trabalhando de noite, quando não podia trabalhar, porque ou trabalhava ou não comia. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. E não posso aceitar que um granfino, com uma prática política muito duvidosa, que nunca trabalhou na vida, que não sabe o que é carteira de trabalho, cujo primeiro emprego foi falso no gabinete do pai — venha me chamar de nove dedos! Milhões de trabalhadores se acidentam assim por falta de segurança, por jornadas absurdas. Esse acidente não é piada. É a vida do povo que levanta cedo todo dia. Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo.”
Sem sinal de constrangimento — e revelando traços de sociopatia —, Flávio pediu desculpas a Lula, mas jamais aos milhões de trabalhadores que sentiram o desrespeito.
Vale uma analogia: quando um jogador perna de pau é contratado, a culpa não é dele; não foi ele que entrou no clube e vestiu a camisa. No segundo turno, Flávio não pode se eleger sozinho — depende do seu voto. A pergunta fica: você vai escolher alguém que defende quem atirou numa criança e zomba de quem carrega marcas de acidente do trabalho?



O mais belo sorriso
Só ele é chamado de miliciano
A irresponsabilidade e a perversão da maioria evangélica ao apoiar Flávio Bolsonaro