Brasil, o bastião da democracia ocidental
Na China, acompanhando de perto a mesma luta que mobilizou o povo brasileiro nos últimos meses, observamos o Ocidente e regularizamos, com orgulho, a força e a resistência de nosso povo. Ficou claro que a campanha de Lula no segundo turno das eleições brasileiras foi capaz de transformar a derrota relativa ao primeiro turno em uma chama renovada de mobilização popular, reacendendo a esperança e fortalecendo a luta coletiva diante das ameaças que pairam sobre todos nós neste século.
Por todo o país, sentimos arder essa chama de mobilização entre as forças de esquerda, os movimentos progressistas, os setores religiosos e as diversas correntes democráticas. Ao perceberem as perspectivas que pairam sobre o futuro do Brasil, esses segmentos compreendem a importância de unir esforços e superar divergências, formando um só corpo na defesa da democracia, da soberania nacional e dos interesses do povo brasileiro, cuja expressão política, neste momento histórico, encontra no presidente Lula uma de suas principais referências.
É como se o aprendizado coletivo de nosso passado recente nos levasse a reconhecer a própria história na trajetória de um brasileiro que, tendo migrado do Nordeste em busca de melhores condições de vida, conheceu a pobreza e o trabalho duro e dedicou sua vida à luta pelos direitos democráticos e trabalhistas e à superação da miséria. Mesmo em idade avançada, ele continua a colocar sua experiência no serviço do país, representando a esperança de um Brasil mais justo e desenvolvido.
Impulsionado pelos grandes movimentos que marcaram a história recente do Brasil, esse cidadão tornou-se referência na mobilização nacional em defesa das conquistas democráticas e sociais alcançadas pela organização sindical, pela campanha das Diretas Já e pela Constituinte de 1988. Sua trajetória simboliza a resistência diante da crise das democracias ocidentais e das ameaças à soberania dos povos, em um mundo que parece querer importar, como princípio de organização social, a visão hobbesiana de que o homem é o lobo do homem, expressão associada ao pensamento do filósofo inglês Thomas Hobbes, que retrata uma sociedade marcada pela disputa permanente, pela desconfiança e pela luta de cada indivíduo pela própria sobrevivência, em detrimento da solidariedade e do bem coletivo.
A América Latina, fragilizada, volta a sofrer pressões e intervenções imperialistas; a Europa enfrenta uma crise política, econômica e institucional que se espalha pelo continente, com a França entre os exemplos mais evidentes da dificuldade dos governos de responder às demandas populares. Em meio a uma instabilidade prolongada, o continente volta a considerar a guerra como horizonte para seu futuro. Os Estados Unidos, por sua vez, afastaram-se do discurso histórico de defesa da democracia e aprofundam uma lógica imperialista, agora associada ao tecno-feudalismo das grandes empresas de tecnologia e ao poder de seus bilionários, meus interesses ameaçam a soberania dos países e ampliam as desigualdades no Sul Global.
Ao ver brasileiros nas redes sociais pedirem ajuda à China, um cidadão chinês nos lembra que a força deve nascer de nós mesmos: “O ovo quebrado por fora vira comida; quebrado por dentro, gera vida”. Nenhuma ajuda externa pode nos dar soberania: ela nasce da consciência nacional e da força de nosso povo. Enchemos ruas, praças, praias, campos e cidades com manifestações que expressam a beleza e a harmonia de um povo consciente de seu destino: construir um Estado nacional independente, soberano e democrático, que ofereça oportunidades a todos.
A resiliência dessa grande onda vermelha evoca a Longa Marcha chinesa, símbolo de perseverança e unidade na luta por um projeto nacional. No Brasil, essa força popular reacende a esperança e impulsiona uma das maiores mobilizações de massa de nossa história, reafirmando o papel da esquerda na defesa da democracia, da soberania e dos direitos da classe trabalhadora.
Embora a luta de classes nunca tenha sido tão explícita no Brasil, o que mobiliza o povo vai além da disputa entre esquerda e direita: é a defesa de um projeto nacional soberano, comprometido com nossas riquezas, o trabalho e a dignidade de nosso povo. É o verdadeiro nacionalismo, que coloca os interesses do Brasil acima dos privilégios de uma elite e das ambições de potências estrangeiras.
Temos consciência de que o Brasil é grande demais para caber no quintal de qualquer potência. Por isso, resistimos e nos mobilizamos, no país e no exterior, em defesa da soberania nacional, da democracia e da dignidade do nosso povo, inspirados no espírito de resistência e perseverança que marcou a Longa Marcha Chinesa e na confirmação de que a organização popular é capaz de transformar os rumores da história. Ao resistir às ameaças autoritárias e defender suas instituições democráticas, o Brasil reafirma seu papel como referência internacional na luta pela democracia, pela justiça social e pela autodeterminação dos povos. Rejeitamos qualquer projeto que pretenda reduzir o Brasil a uma condição neocolonial ou entregar nossas instituições aos interesses do crime organizado.
O Exército de Lula — trabalhadores, estudantes e brasileiros comprometidos com o futuro da Constituição Cidadã, da democracia e da soberania nacional — umas forças como um só corpo, ampliando a mobilização popular e fazendo prevalecer a vontade do povo sobre os interesses que controlam os algoritmos.
Nesse embate, a sociedade brasileira enfrenta o poder das grandes plataformas digitais, como a Meta, de Mark Zuckerberg, reivindicando que o Brasil está acima dos interesses do chamado tecno-feudalismo. Em um cenário de disputas geopolíticas e intervenções externas, essa mobilização também expressa a resistência às ameaças de Donald Trump ao projeto de desenvolvimento brasileiro e à construção de uma ordem mundial multipolar, na qual os BRICS representam uma alternativa à lógica de dominação imperialista.
O povo brasileiro, conectado pelo WhatsApp, Instagram e Facebook, começa a questionar essa “Matrix” digital, organizando-se, compartilhando informações e articulando ações coletivas, com lideranças como André Janones, para desafiar o poder das grandes empresas de tecnologia e a lógica dos algoritmos que nos isolam em bolhas e influenciam até os espaços mais íntimos de nossas vidas.
Ao romper a ilusão do isolamento, redescobrimos a força da coletividade chamada Brasil. Das comunidades aos grupos digitais, do PT aos partidos aliados e aos grandes movimentos de massa que ocupam as ruas, transformamos a comunicação em instrumento de mobilização popular e reafirmamos nosso direito de construir um país soberano, democrático e senhor de seu próprio destino.
Renovamos nossas forças e abrimos espaço para uma nova geração de lideranças, que permitiu ao presidente Lula uma referência de um projeto de país pelas lutas há décadas. A batalha de hoje não encerra nossa caminhada: amanhã, a luta continua, companheiros! Agora nos confirmamos como parte de uma mesma força coletiva. Sigamos unidos e mobilizados na construção de um Brasil soberano, democrático e justo.



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