Obama acusa Trump de corrupção e pede freio ao governo nas urnas
247 – O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama acusou Donald Trump de corrupção e pediu aos eleitores que usem as eleições de 3 de novembro para impor limites ao governo republicano.
Segundo a Reuters, o democrata participou de comícios em Cleveland e Detroit no sábado (24), nos quais também contestou os resultados da guerra contra o Irã e criticou as prioridades da atual administração.
A participação de Obama ocorre na reta final das eleições de meio de mandato, que definirão o controle do Congresso americano. Enquanto Trump tem incentivado os eleitores a encarar a disputa como se o próprio presidente estivesse nas urnas, seu antecessor procurou transformar essa associação em um argumento para mobilizar o voto democrata.
Em Michigan, onde fez campanha para Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado, Obama comparou a votação a um “disjuntor”, capaz de “pelo menos conter algumas das loucuras” da presidência de Trump.
“Precisamos acionar esse disjuntor, trazer alguma responsabilidade para este governo”, declarou.
A disputa pelo Senado no estado coloca El-Sayed diante do republicano Mike Rogers, ex-integrante da Câmara dos Representantes. O comício em Detroit também contou com a participação da candidata democrata ao governo de Michigan, Jocelyn Benson.
Presidente entre 2009 e janeiro de 2017, Obama permanece entre as figuras mais populares do Partido Democrata. A legenda espera que sua entrada na campanha ajude a mobilizar apoiadores em uma disputa acirrada pelo Senado.
Acusações de corrupção e favorecimento privado
Obama concentrou parte do discurso em acusações de que Trump utiliza a Presidência para favorecer interesses particulares. Também responsabilizou os republicanos pelo apoio à condução do governo.
“Nunca vimos um presidente se destacar tanto em extorsão descarada, às custas do povo, como este”, afirmou. “Nunca vimos um presidente tão empenhado em vender favores como este… Agora, o partido parece defender um governo corrupto, ou um governo inepto, ou a ausência de governo.”
A Casa Branca não respondeu imediatamente ao pedido de comentário feito pela Reuters.
O relato da agência também cita uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada em agosto sobre a percepção dos americanos a respeito dos negócios da família presidencial. Segundo o levantamento, 63% consideravam que Trump e seus familiares haviam obtido ganhos indevidos com criptomoedas desde seu retorno à Casa Branca, em 2025.
Outros 69% acreditavam que as decisões políticas do presidente eram influenciadas por seus negócios privados. Os percentuais expressam a avaliação dos entrevistados sobre possíveis conflitos entre interesses empresariais e o exercício do cargo.
Guerra contra o Irã e o Estreito de Ormuz
Na política externa, Obama questionou as declarações de vitória do governo americano na guerra contra o Irã. Em sua avaliação, o conflito ampliou a capacidade iraniana de exercer pressão econômica por meio das ameaças à navegação no Estreito de Ormuz.
O ex-presidente argumentou que a possibilidade de ataques a embarcações na passagem marítima provocou insegurança entre exportadores de petróleo e deu ao Irã maior poder de influência sobre o transporte da commodity.
“O Irã agora tem poder de veto sobre o Estreito de Ormuz, por onde o petróleo passa para chegar ao mundo”, disse.
A crítica contesta a apresentação dos resultados do conflito pela administração Trump. Para Obama, a capacidade de Teerã de ameaçar essa rota comercial representa uma vantagem econômica adquirida pelo país durante a guerra.
Ironias sobre a Defesa e as reformas da Casa Branca
Obama também acusou o governo de dedicar atenção a questões secundárias. Ao mencionar o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ironizou o que descreveu como preocupação excessiva com características físicas dos militares.
Segundo o ex-presidente, Hegseth estaria “totalmente concentrado em questões importantes como o contorno da mandíbula e os níveis de testosterona de nossas tropas”.
As reformas promovidas por Trump na Casa Branca foram outro alvo do discurso. Obama ridicularizou a decoração adotada pelo republicano com uma referência ao ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e à rede de restaurantes Cheesecake Factory.
“Ele deixou a Casa Branca com a aparência de que Saddam Hussein abriu uma Cheesecake Factory”, afirmou.
Os comícios em Ohio e Michigan inserem Obama no esforço democrata para conquistar votos na reta final da campanha. Em Detroit, o ex-presidente vinculou a eleição de representantes da oposição à possibilidade de ampliar a fiscalização do Executivo e estabelecer limites à atuação de Trump.



Tomara que as urnas desmintam o Datafolha
As urnas dirão se a guerra de quadrilhas desbancará a luta de classes
Brasil, o bastião da democracia ocidental
Uma década perdida