Países do Golfo cobram diálogo entre EUA e Irã e reabertura de Ormuz
247 – O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) pediu a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz, além de exigir participação em entendimentos que afetem a segurança e os interesses de seus integrantes.
Segundo a agência Prensa Latina, as posições constam da resolução final da 168ª sessão do Conselho Ministerial do bloco, realizada em Manama, capital do Bahrein.
No documento, os ministros das Relações Exteriores defenderam “um retorno ao diálogo e à diplomacia para superar a crise atual e preservar a segurança, a estabilidade e a proteção da região e dos seus habitantes”. Também manifestaram apoio às iniciativas de mediação regionais e internacionais voltadas a uma solução política para o confronto entre Washington e Teerã.
A reunião foi presidida pelo ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif Al-Zayani, com a participação de seus homólogos dos países integrantes e do secretário-geral da organização. Ao reivindicar presença nas negociações, o conselho vinculou qualquer entendimento sobre a crise à proteção dos interesses dos Estados do Golfo.
Irã condiciona reabertura de Ormuz ao fim de restrições
O posicionamento ocorre em meio à paralisação dos esforços diplomáticos para encerrar o confronto iniciado em 28 de fevereiro. As divergências envolvem o programa nuclear iraniano, as sanções dos Estados Unidos e as condições de navegação pelo Estreito de Ormuz.
Nesse cenário, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reiterou que o país está disposto a reabrir a passagem marítima dentro de uma semana, desde que Washington aceite as condições apresentadas por Teerã. Entre elas estão o levantamento do bloqueio aos portos iranianos e das sanções às exportações de petróleo.
Os ministros do CCG, por sua vez, exigiram que a navegação em Ormuz volte às condições anteriores a 28 de fevereiro. A resolução defende que esse restabelecimento observe o direito internacional, a soberania dos países ribeirinhos e os direitos dos demais Estados afetados.
Bloco rejeita obstáculos à navegação
A defesa do trânsito marítimo também abrangeu o Estreito de Bab el-Mandeb e o Mar Vermelho. O conselho ressaltou a relevância dessas passagens para o comércio internacional e o abastecimento de energia.
Os chanceleres advertiram contra o fechamento das rotas e a obstrução da circulação de embarcações. Também condenaram ataques a navios mercantes e suas tripulações, a instalação de minas e a cobrança de taxas ou imposição de restrições ilegais à passagem.
A resolução rejeitou ainda a exigência de autorizações prévias para navegar ou a imposição de trajetos que contrariem a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, e as normas do direito internacional consuetudinário.
Programa nuclear e segurança regional integram reivindicações
Além da circulação marítima, o documento apontou a necessidade de tratar das pendências relacionadas ao programa nuclear do Irã, aos mísseis e drones e ao apoio de Teerã a grupos aliados. Os ministros associaram essa agenda ao respeito à soberania dos Estados e à não interferência em seus assuntos internos.
Em outro trecho, o conselho condenou ataques atribuídos ao movimento Houthi contra a Arábia Saudita. Segundo o comunicado, as ações atingiram alvos como as Duas Mesquitas Sagradas e seus arredores, aeroportos civis e instalações consideradas vitais, provocando vítimas entre civis.
Os representantes do bloco reafirmaram solidariedade a Riade e apoio às medidas adotadas pelo reino para defender sua segurança, soberania e interesses.



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