Erdogan propõe fim do veto no Conselho de Segurança da ONU
247 – O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan, pediu a eliminação do poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e propôs mandatos com prazo definido, maior influência da Assembleia Geral e representação mais equilibrada entre as regiões do mundo. Ele apresentou as ideias a jornalistas na Casa da Turquia, em Nova York, durante sua participação na Assembleia Geral. A declaração foi relatada pela agência Prensa Latina.
Segundo a Prensa Latina, Erdoğan questionou por que uma organização com mais de 190 países permite que cinco Estados bloqueiem decisões do Conselho. “Essa estrutura injusta não pode manter a estabilidade e a paz globais, defender os princípios fundamentais que estabeleceu ou cumprir suas promessas à humanidade”, afirmou.
O direito de veto pertence a China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. Cada um deles pode impedir a aprovação de uma resolução substantiva mesmo quando os demais integrantes do órgão a apoiam.
Erdoğan defendeu a substituição desse arranjo por um sistema que dê participação mais ampla aos países da ONU. “Vamos eliminar o mecanismo de veto do Conselho de Segurança, abandonar um modelo da ONU que protege apenas cinco membros e adotar um mecanismo que os integre e acomode a todos, e elevar o status da Assembleia Geral, tornando-a mais poderosa e eficaz”, disse.
Na proposta apresentada pelo presidente turco, os integrantes do Conselho exerceriam mandatos com duração definida. Para retornar ao órgão, precisariam obter novamente a confiança da comunidade internacional. Erdoğan afirmou que a reforma deve ampliar a presença da África, da Ásia, da América Latina, do mundo islâmico, da Europa e de outras regiões, em vez de ser tratada apenas como uma forma de aumentar a influência da Turquia.
“Que todos os membros da ONU proponham soluções e tomem decisões para resolver os problemas do mundo — não apenas os cinco membros permanentes — porque o mundo não precisa mais de novos muros, mas sim de novas pontes”, declarou.
O presidente citou as guerras e crises em Gaza, na Ucrânia, na Síria, no Iraque, em países africanos e em Myanmar como argumentos para mudar a estrutura da ONU. Na avaliação dele, decisões tomadas no passado agravaram problemas regionais e contribuíram para perdas humanas que poderiam ter sido evitadas.
Erdoğan também mencionou a ausência presencial do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na Assembleia Geral pelo segundo ano consecutivo. Os Estados Unidos não concederam visto a Abbas e a outros representantes palestinos, e o dirigente participou por meio de uma mensagem em vídeo. O presidente turco classificou o episódio como sinal da “profunda injustiça do sistema internacional”.



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