Eleição em Israel termina em impasse, sem maioria para Netanyahu ou Eisenkot
247 – A formação do próximo governo de Israel permanece indefinida após a eleição de terça-feira (27), com Benjamin Netanyahu e seu principal adversário, Gadi Eisenkot, defendendo caminhos distintos para comandar o país.
Segundo a Reuters, as projeções divulgadas durante a apuração nesta quarta-feira (28) mantinham os dois blocos abaixo da maioria parlamentar, cenário que pode permitir ao atual primeiro-ministro continuar no cargo enquanto os partidos negociam uma coalizão.
Com aproximadamente 48,4% dos votos contabilizados, veículos de comunicação israelenses projetavam 55 cadeiras para o bloco de Netanyahu, 50 para o de Eisenkot e 15 para partidos árabes, informou a agência. São necessários 61 dos 120 assentos do Knesset, o Parlamento israelense, para assegurar maioria. Os números ainda poderiam mudar, e a expectativa era de que o resultado definitivo fosse conhecido apenas na quinta-feira (29).
Nenhum dos dois líderes declarou vitória. Netanyahu pediu a formação de um governo de direita, enquanto Eisenkot afirmou que o eleitorado havia rejeitado a continuidade do premiê e defendeu sua saída da política.
A indefinição marcou a primeira eleição nacional desde o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Segundo o Comitê Central de Eleições, o comparecimento chegou a 77,7%, o maior em mais de duas décadas e cerca de sete pontos percentuais acima do registrado em 2022.
Eisenkot cobra saída de Netanyahu e faz alerta sobre segurança
Ex-chefe militar e líder do partido Yashar, Eisenkot apresentou o resultado provisório como uma manifestação contrária à permanência do adversário. Essa interpretação política, porém, ainda não se traduzia em uma maioria capaz de levá-lo ao governo.
“Netanyahu é um primeiro-ministro interino, sem mandato nem a confiança do povo”, declarou.
Eisenkot também advertiu contra o uso da segurança nacional para atender a interesses políticos. Ao se dirigir às instituições de segurança, pediu que se mantivessem firmes diante de qualquer tentativa de colocar esses interesses acima da proteção de Israel.
A dificuldade para transformar o desempenho eleitoral em uma coalizão passa pela relação com os partidos árabes. Eisenkot praticamente descartou governar com essas legendas, embora as cadeiras conquistadas por elas possam ser decisivas para a formação de uma maioria.
O bloco de Netanyahu também rejeita uma aliança com os partidos árabes, que fizeram campanha para retirar o primeiro-ministro e seus aliados de extrema-direita do poder.
Premiê defende governo de direita e menciona ação com Trump
Em discurso a integrantes do Likud, na sede eleitoral do partido em Jerusalém, Netanyahu pediu “um governo nacional forte e de direita”.
O primeiro-ministro destacou os resultados militares de sua gestão e mencionou a possibilidade de uma nova ação conjunta com os Estados Unidos contra o Irã.
“Israel tem uma oportunidade histórica única, junto com nosso parceiro, o presidente Trump, de eliminar de uma vez por todas a ameaça existencial do Irã. Mas segundas intenções não devem nos desviar dessa missão sagrada”, afirmou.
Donald Trump, que apoiou Netanyahu na eleição, avaliou que o aliado havia obtido um bom desempenho. Questionado após uma viagem de campanha ao Texas, o presidente americano atribuiu importância ao próprio apoio e disse que até um empate poderia favorecer o premiê israelense.
“O empate é, de certa forma, considerado uma vitória nesse caso, porque é uma grande partida de xadrez”, declarou.
Impasse pode manter Netanyahu no cargo
Se confirmada, a projeção representará uma perda de espaço para a coalizão nacionalista e religiosa de Netanyahu, que chegou a reunir 68 cadeiras. Mesmo assim, ficar abaixo da maioria não significa sua saída imediata do poder.
O premiê pode permanecer à frente de um governo interino durante as negociações entre os partidos. Em eleições anteriores, as conversas para formar coalizões se estenderam por semanas ou meses.
Caso nenhum bloco consiga reunir apoio suficiente, o país poderá voltar às urnas. Eisenkot se posicionou contra uma nova eleição, citando a elevada participação dos eleitores.
As projeções também indicavam 13 cadeiras, somadas, para os partidos religiosos de extrema-direita liderados por Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, integrantes do bloco governista. O desempenho não representaria um avanço expressivo dessas forças.
A ausência de uma definição provocou uma desvalorização moderada do shekel, a moeda israelense.
Partidos árabes buscam influência nas negociações
Na sede da Lista Conjunta, aliança de partidos árabes, em Nazaré, a divulgação das pesquisas de boca de urna foi recebida com aplausos e assobios. Os candidatos esperavam que a participação dos cidadãos palestinos de Israel ajudasse a impedir a recomposição da coalizão de Netanyahu.
“Rejeitamos a ocupação e o racismo, e permaneceremos aqui”, afirmou Faten Gattas, candidata pela aliança.
Embora as legendas árabes possam influenciar o equilíbrio parlamentar, a resistência dos dois principais blocos a uma parceria com elas limita as alternativas de governo. Assim, o peso das bancadas nas urnas não assegura sua inclusão em uma coalizão.
Principal rival mantém posições duras na área militar
Aos 66 anos, Eisenkot se consolidou como o principal desafiante de Netanyahu ao combinar sua trajetória militar com uma posição de centro na política interna. Ele perdeu um filho e dois sobrinhos na guerra em Gaza.
Sua entrada na política ocorreu quatro anos antes desta eleição. Após o ataque do Hamas em 2023, integrou o gabinete de guerra de Netanyahu, mas deixou o grupo oito meses depois, com críticas à condução do primeiro-ministro.
A ruptura com o premiê e seus aliados de extrema-direita não representa uma mudança ampla na política de segurança defendida por Eisenkot. Ele se opõe à criação de um Estado palestino e sustenta que o braço militar do Hamas precisa ser destruído ou desmantelado.
Para o ex-chefe militar, a campanha em Gaza fracassou porque o Hamas permanece no controle do território. Segundo as autoridades de saúde de Gaza, citadas pela Reuters, a guerra matou mais de 74 mil palestinos.


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