Além dos EUA, Itália pode ser outro país para Flávio Bolsonaro continuar fugitivo
247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possui cidadania italiana desde 2023, conforme confirmação oficial do governo da Itália em resposta a uma interpelação parlamentar realizada em junho de 2025. A informação consta de documentos da Câmara dos Deputados italiana e ganha relevância diante das investigações sobre a saída do Brasil do candidato derrotado na eleição presidencial de 2026. O parlamentar da extrema direita brasileira fugiu do Brasil nesta segunda-feira (27) e chegou aos EUA, após ser derrotado no último domingo (25), quando foi derrotado pelo presidente Lula (PT) por 51,79% a 48,21%.
A confirmação partiu da subsecretária de Estado do Ministério do Interior da Itália, Wanda Ferro, durante uma sessão da Câmara. A representante do governo respondeu a uma interpelação apresentada pelo deputado Angelo Bonelli, da Aliança Verdes e Esquerda (AVS), sobre a situação migratória da então deputada brasileira Carla Zambelli e os pedidos de cidadania de integrantes da família Bolsonaro.
Os registros mostram que o senador iniciou o procedimento de reconhecimento da nacionalidade europeia em 2020, ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro, e concluiu o processo três anos depois.
A documentação oficial do Parlamento italiano registra duas manifestações do governo sobre a cidadania da família Bolsonaro. A primeira ocorreu em 25 de novembro de 2022, quando o Executivo confirmou que Eduardo e Flávio Bolsonaro haviam solicitado ingresso na lista de espera para reconhecimento da nacionalidade. A segunda, em 13 de junho de 2025, trouxe a confirmação de que ambos já haviam obtido a cidadania italiana, assim como Carlos Bolsonaro, que concluiu o procedimento em 2024.
Flávio Bolsonaro obteve cidadania italiana em 2023
Durante a sessão de 13 de junho de 2025, Wanda Ferro informou que o Ministério das Relações Exteriores italiano havia examinado a situação de Jair Bolsonaro e de seus filhos. Segundo a resposta oficial, o governo italiano não encontrou pedidos de reconhecimento de cidadania apresentados por Jair Bolsonaro. Em contrapartida, confirmou que três filhos do ex-presidente haviam concluído seus processos.
A subsecretária esclareceu que Flávio e Eduardo Bolsonaro receberam a cidadania italiana em 2023, enquanto Carlos Bolsonaro obteve o reconhecimento em 2024. O pronunciamento integra a ata da sessão nº 493 da XIX Legislatura da Câmara dos Deputados italiana, nas páginas 15 e 16 do registro parlamentar.
A representante do governo também explicou que a legislação italiana estabelece critérios para o reconhecimento da nacionalidade por descendência, conhecido como iure sanguinis. O procedimento exige a comprovação dos requisitos legais e não prevê avaliação política discricionária sobre os solicitantes.
Pedido de cidadania começou ainda durante governo Jair Bolsonaro
O primeiro registro parlamentar sobre o assunto surgiu em novembro de 2022, poucas semanas após a derrota de Jair Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial daquele ano. Na ocasião, o deputado Angelo Bonelli questionou o governo italiano sobre informações de que Flávio e Eduardo Bolsonaro haviam solicitado o reconhecimento da cidadania por descendência.
O subsecretário de Estado Gianmarco Mazzi, representante do governo na sessão, apresentou uma resposta que o Ministério das Relações Exteriores havia preparado. Segundo o comunicado, os dois filhos de Jair Bolsonaro solicitaram, em 2020, sua inclusão na lista de espera da seção consular da Embaixada da Itália em Brasília.
O documento informa que ambos apresentaram comprovantes de residência na capital federal e solicitaram o reconhecimento com base na ascendência italiana da família. A resposta também esclareceu que, naquele momento, o governo não havia identificado pedido semelhante em nome de Jair Bolsonaro.
O registro integra a ata da sessão nº 14 da XIX Legislatura, realizada em 25 de novembro de 2022, e demonstra que o procedimento teve início cerca de dois anos antes da derrota eleitoral do então presidente.
Parlamento italiano questionou possível tratamento privilegiado
Durante o debate de 2022, o deputado Angelo Bonelli manifestou preocupação com a possibilidade de os filhos de Jair Bolsonaro receberem tratamento diferenciado no processo de reconhecimento da cidadania.
O parlamentar argumentou que descendentes de italianos enfrentavam longos períodos de espera para concluir procedimentos semelhantes e solicitou esclarecimentos sobre a tramitação dos pedidos.
Bonelli também levantou a hipótese de que integrantes da família Bolsonaro buscassem a nacionalidade europeia como alternativa diante de investigações judiciais no Brasil.
O governo italiano não confirmou essa interpretação. Na resposta oficial, limitou-se a informar que Flávio e Eduardo haviam iniciado os procedimentos em 2020 e que as autoridades consulares deveriam verificar o cumprimento dos requisitos previstos na legislação.
A documentação, portanto, comprova o reconhecimento da cidadania italiana, mas não demonstra que Flávio Bolsonaro tenha solicitado a nacionalidade com o objetivo de deixar o Brasil ou evitar investigações.
Caso Carla Zambelli motivou nova cobrança em 2025
O tema voltou ao Parlamento italiano em junho de 2025, durante uma discussão sobre a entrada da então deputada brasileira Carla Zambelli na Itália após sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal. O deputado Angelo Bonelli questionou as providências do governo italiano para localizar a parlamentar e cumprir os mecanismos de cooperação internacional com a Justiça brasileira.
Na mesma interpelação, solicitou informações atualizadas sobre a cidadania de Jair Bolsonaro e de seus filhos. A subsecretária Wanda Ferro confirmou que Zambelli havia chegado a Roma em 5 de junho de 2025, em um voo procedente de Miami, utilizando passaporte italiano válido.
A representante do governo explicou que a notificação vermelha da Interpol passou a constar nos sistemas internacionais depois da chegada da brasileira ao aeroporto de Fiumicino. Segundo a resposta, essa diferença de horário impediu que as autoridades policiais efetuassem sua prisão durante o controle de entrada. Foi nessa mesma sessão que o governo confirmou oficialmente a cidadania italiana de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro.
Nacionalidade italiana não comprova saída do Brasil
A existência de uma segunda cidadania representa um dado sobre a situação jurídica de Flávio Bolsonaro, mas não comprova qualquer deslocamento internacional após sua derrota para Lula no segundo turno de 2026.
A Polícia Federal investiga informações sobre uma possível saída do senador do território brasileiro, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a entrega de seus passaportes e proibiu sua viagem ao exterior.
A decisão integra um inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e o advogado Willer Tomaz. O senador não entregou os passaportes no prazo estabelecido pela Justiça, encerrado na manhã desta terça-feira (27).
Uma reportagem do portal argentino Infobae levantou a possibilidade de que Flávio tivesse atravessado a fronteira em direção a Puerto Iguazú, na Argentina, para embarcar em um avião particular com destino aos Estados Unidos.
As autoridades migratórias argentinas, entretanto, afirmaram não ter encontrado registros de entrada do parlamentar no país. A Polícia Federal brasileira também não havia confirmado sua passagem por postos regulares de controle migratório.
A cidadania italiana não elimina a obrigação de cumprir determinações judiciais brasileiras, incluindo eventuais restrições de viagem e entrega de documentos.
Documentos oficiais confirmam nacionalidade europeia
Os registros do Parlamento italiano permitem reconstruir a cronologia do processo de cidadania de Flávio Bolsonaro: a solicitação de ingresso na lista consular ocorreu em 2020, o governo reconheceu a existência do pedido em novembro de 2022 e a conclusão do procedimento aconteceu em 2023.
A confirmação oficial chegou ao Parlamento em junho de 2025, durante a resposta do Ministério do Interior à interpelação de Angelo Bonelli.
Os documentos também demonstram que Eduardo Bolsonaro concluiu o reconhecimento em 2023 e Carlos Bolsonaro em 2024. Até a sessão de junho de 2025, o governo italiano não tinha registro de pedido semelhante apresentado por Jair Bolsonaro.
A informação ganha importância no contexto das apurações sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro, mas os registros parlamentares não oferecem evidências sobre seus deslocamentos após a eleição de outubro de 2026.
A documentação estabelece, de forma oficial, que o senador brasileiro possui nacionalidade italiana desde 2023, independentemente das investigações que a Polícia Federal conduz atualmente.



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