‘Sou anticorpos ao veneno, sou da agroecologia’: Marina do MST faz balanço do mandato e projeta regeneração da Alerj
247 – A deputada estadual Marina do MST (PT-RJ), candidata à reeleição à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), foi a convidada da jornalista Hildegard Angel no programa Conversas com Hildegard Angel, na TV 247. Durante a conversa, Marina fez um balanço dos quatro anos de sua primeira legislatura, ressaltou o papel da bancada popular na disputa contra o avanço da extrema-direita e detalhou sua trajetória ligada à agroecologia e à produção de alimentos saudáveis.
Com raízes na agricultura familiar e histórico de trabalho na infância como boia-fria no interior do Paraná, Marina explicou o sentido de sua frase síntese: “Sou do anticorpos ao veneno, sou da agroecologia”. Para a parlamentar, o veneno a ser combatido na política é o ódio social, o autoritarismo e a subserviência imperialista, enquanto a agroecologia e a justiça social representam a cura e a capacidade de alimentar o povo com dignidade e respeito à natureza.
Combate à fome e 28 leis aprovadas na Alerj
Ao avaliar a composição da Alerj — apontada por Hildegard como uma das legislaturas mais degradadas e rebaixadas da história recente —, Marina frisou que seu mandato operou como espelho das lutas comunitárias do campo, das periferias, das mulheres e da juventude.
“Mesmo em um parlamento hostil e desqualificado, conseguimos aprovar e sancionar 28 projetos de lei nestes três anos e meio”, destacou a deputada. As medidas concentram-se no eixo estruturante de seu mandato: a erradicação da fome e o fomento à agricultura familiar, quilombola, indígena e pesqueira, além do incentivo a hortas urbanas e quintais produtivos nas periferias fluminenses.
A parlamentar também ressaltou o papel de articulações institucionais conjuntas com órgãos públicos, como a recente regularização do assentamento Campo Alegre, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense — território com origens nas experiências de reforma agrária iniciadas por Leonel Brizola na década de 1980.
Usina Cambaíba: reparação histórica e a vitória da vida
Um dos pontos mais comoventes da entrevista foi o relato sobre a conquista e o tombamento do parque industrial da antiga Usina Cambaíba, em Campos dos Goytacazes. O local ficou tragicamente marcado na história do país após confissões de agentes da repressão sobre o uso de seus fornos industriais para incinerar os corpos de 12 presos políticos assassinados na “Casa da Morte” de Petrópolis durante a ditadura militar.
“Naquelas mesmas terras onde corpos foram queimados e onde vigorou o trabalho análogo à escravidão, o MST travou uma luta de 26 anos”, lembrou Marina. “Hoje, sob o governo do presidente Lula, o Assentamento Cícero Guedes é uma realidade: são 185 famílias produzindo comida saudável, levantando suas casas, montando cooperativas e organizando escolas para seus filhos. É uma reparação histórica com a democracia brasileira”.
Hildegard Angel emocionou-se com a lembrança, associando a transformação da área à própria superação da barbárie: os corpos que ali viraram cinzas agora florescem em esperança, soberania alimentar e vida comunitária.
Aliança com Lula, justiça climática e mobilização contra a extrema-direita
Questionada sobre o ambiente eleitoral no Rio e no Brasil, Marina do MST reafirmou a centralidade da reeleição do presidente Lula e a defesa da soberania nacional. Ela qualificou o petista como a principal liderança global contemporânea no combate à desigualdade, na defesa da paz mundial e na contenção dos conflitos bélicos internacionais.
Sobre a disputa nas ruas, a candidata relatou confiança na consciência popular e minimizou os temores de bloqueios territoriais promovidos por grupos criminosos:
“Tenho andado por todo o interior e pela capital, no Rio mais profundo. Nosso povo está firme para votar e defender a democracia no plano físico”, assegurou. “A nossa verdadeira preocupação deve estar na guerra desinformativa conduzida pela extrema-direita nas redes sociais e plataformas digitais na reta final”.
Para os próximos quatro anos, Marina definiu como metas prioritárias aprofundar o enfrentamento ao fascismo dentro do parlamento fluminense, expandir a justiça climática para conter os desastres socioambientais que assolam as favelas e periferias e garantir alimento de qualidade e água na mesa de todas as famílias do Estado.
Assista à íntegra da entrevista de Marina do MST a Hildegard Angel na TV 247:



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