Senado paraguaio inicia nesta sexta impeachment de Santiago Peña, após escândalo financeiro
247 – O Senado do Paraguai inicia nesta sexta-feira (6) o julgamento político do presidente Santiago Peña, acusado de mau desempenho de suas funções em meio a um escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank. Segundo informações divulgadas pela teleSUR, com base em agências de notícias e dados do Congresso paraguaio, o processo foi aberto na noite de quinta-feira (5), após uma tentativa frustrada de analisar a renúncia do chefe de Estado.
A crise envolve suspeitas de conflito de interesses, favorecimento a uma instituição financeira privada e comprometimento de recursos públicos e previdenciários. O Ueno Bank, que possui cerca de 2,9 milhões de clientes em um país de aproximadamente 6,1 milhões de habitantes, tornou-se o centro de investigações sobre operações financeiras consideradas irregulares e possíveis relações privilegiadas com o governo.
Peña anunciou que comparecerá ao Senado a partir das 10h desta sexta-feira para apresentar sua defesa. Em comunicado, afirmou que prestará esclarecimentos “porque prestar contas e dar explicações também é uma responsabilidade perante o povo paraguaio”.
O presidente também prometeu colaborar “plenamente” com as instituições responsáveis pelas investigações, com o objetivo de esclarecer os fatos e permitir a responsabilização de eventuais envolvidos em violações da legislação.
Acusações envolvem conflito de interesses e recursos previdenciários
O libelo acusatório aprovado pela Câmara dos Deputados reúne denúncias de conflito de interesses, enfraquecimento dos mecanismos de proteção dos recursos do Instituto de Previdência Social (IPS), tolerância regulatória e omissão diante de possíveis irregularidades financeiras.
Os parlamentares também apontam suspeitas de favorecimento patrimonial decorrente da proximidade entre autoridades públicas e interesses privados, além de danos à confiança no sistema bancário e previdenciário.
Uma das principais acusações é que Santiago Peña teria mantido participação acionária no grupo proprietário do Ueno Bank até 2025, dois anos depois de assumir a Presidência da República.
Segundo os responsáveis pela acusação, essa relação poderia ter comprometido a independência de decisões governamentais e favorecido interesses econômicos privados.
Os deputados também questionam a concentração de recursos de instituições públicas no banco durante o governo Peña.
De acordo com a reportagem, entidades estatais realizaram depósitos expressivos na instituição financeira, enquanto empresas relacionadas aos proprietários do conglomerado teriam recebido empréstimos e operações de crédito sem garantias adequadas.
As suspeitas levantam questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro e a proteção de recursos pertencentes ao Estado e aos trabalhadores paraguaios.
Tentativa de votar renúncia fracassa por falta de quórum
Antes da abertura do julgamento político, o Congresso paraguaio tentou analisar uma possível renúncia de Santiago Peña.
A sessão conjunta, entretanto, foi encerrada por falta de quórum, depois que parlamentares governistas deixaram o plenário, impedindo a realização da votação.
Com isso, a renúncia não foi apreciada e Peña permaneceu formalmente na Presidência.
A possibilidade de uma saída voluntária provocou críticas de parlamentares oposicionistas, que defendem a continuidade do processo de responsabilização.
A Constituição do Paraguai prevê que ex-presidentes eleitos democraticamente podem ocupar uma cadeira vitalícia no Senado, condição que não se aplica aos chefes de Estado considerados culpados em julgamento político.
Por essa razão, parlamentares contrários a Peña argumentam que a renúncia poderia alterar as condições jurídicas e políticas de sua responsabilização.
O senador Rubén Velázquez, do partido Yo Creo, criticou a retirada dos governistas do plenário e afirmou que, ao inviabilizar a sessão, eles se tornaram “cúmplices diretos do esvaziamento do sistema financeiro paraguaio”.
A crise também provocou manifestações nas proximidades do Congresso, com protestos contra o presidente e exigências de investigação das operações relacionadas ao Ueno Bank.
Ministério Público inclui Peña em três investigações criminais
A situação política do presidente se agravou na quinta-feira, quando a Procuradoria do Paraguai anunciou sua inclusão em três investigações criminais relacionadas ao Ueno Bank.
Segundo a teleSUR, as apurações envolvem suspeitas de crimes econômicos e serão conduzidas por uma equipe da Unidade Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção.
O procurador-geral Emiliano Rolón informou que as investigações deverão examinar as operações financeiras e eventuais responsabilidades de autoridades públicas.
A abertura das apurações criminais amplia a dimensão da crise, que deixa de se restringir ao debate parlamentar e passa a envolver diretamente o sistema de Justiça.
As suspeitas, contudo, ainda dependem de investigação e comprovação, e o presidente terá direito à defesa nos procedimentos políticos e judiciais.
Crise do Ueno Bank atinge milhões de paraguaios
O escândalo financeiro ganhou dimensão nacional depois que surgiram informações sobre a deterioração da situação patrimonial do Ueno Bank.
Segundo a reportagem, o Banco Central do Paraguai identificou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pelas normas regulatórias.
O banco concentrava depósitos de clientes particulares, órgãos públicos e fundos previdenciários, o que ampliou as consequências de sua crise.
Parte dos recursos teria sido direcionada a empréstimos sem garantias suficientes para empresas ligadas aos proprietários da instituição, conforme as suspeitas relatadas.
A intervenção no banco resultou no congelamento de recursos de milhares de clientes, incluindo cidadãos, entidades públicas e instituições vinculadas ao sistema previdenciário.
De acordo com as estimativas citadas pela teleSUR, a crise teria afetado direta ou indiretamente cerca de 60% da população adulta do Paraguai.
A dimensão do problema coloca no centro do debate político a responsabilidade das autoridades pela fiscalização bancária e pela segurança dos recursos depositados em instituições financeiras.
Julgamento coloca governo Peña diante de crise institucional
O comparecimento de Santiago Peña ao Senado nesta sexta-feira representa uma etapa decisiva do processo político desencadeado pelas denúncias envolvendo o Ueno Bank.
O presidente terá a oportunidade de contestar as acusações e apresentar sua versão sobre as relações entre o governo, o sistema financeiro e os responsáveis pela instituição bancária.
Para os parlamentares que defendem o impeachment, o caso exige esclarecimentos sobre a administração de recursos públicos, a proteção dos fundos previdenciários e a eventual existência de conflitos de interesses no exercício da Presidência.
A continuidade do julgamento dependerá dos procedimentos constitucionais e das decisões do Senado.
Enquanto isso, as investigações criminais deverão avançar paralelamente, ampliando a pressão por esclarecimentos sobre a crise bancária.
O episódio expõe uma grave tensão entre o poder político, os interesses financeiros privados e a proteção da poupança da população paraguaia, em um momento no qual a confiança nas instituições do país está submetida a um teste decisivo.



O legado de Lula em 2030
Dois Lulas, que não são contraditórios, emergiram ontem: o que governa com e para o povo e o que mantém a economia arrumada
Eisenkot terá chance de formar governo em Israel, encerrando a era Netanyahu
Rubio avalia deixar governo Trump após derrota republicana nas eleições, diz agência