Google e X informam ao TSE que não encontraram irregularidades em ações do canal “Exército do Lula”
247 – O Google e a rede social X não encontraram evidências de manipulação irregular ou uso de mecanismos artificiais na mobilização digital promovida por integrantes do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Segundo O Globo, as conclusões foram encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após determinação do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que solicitou esclarecimentos sobre uma suposta atuação coordenada nas plataformas. A Meta, responsável pelo WhatsApp, já havia informado que também não encontrou irregularidades.
As manifestações das empresas contrariam as suspeitas apresentadas pela campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que acusa o grupo de organizar ações destinadas a ampliar artificialmente a circulação de conteúdos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
A análise do X identificou uma mobilização coordenada envolvendo 58 hashtags mencionadas no processo. Ao todo, foram registradas aproximadamente 8,2 milhões de publicações, realizadas por 475,9 mil contas. Apesar do volume expressivo, a plataforma concluiu que a atividade foi conduzida predominantemente por usuários reais e não caracterizou violação de suas regras.
“As Operadoras do X identificaram atuação coordenada realizada predominantemente por contas autênticas de usuários brasileiros, o que, como será visto, não é vedado pela Política de Autenticidade do X nem pela legislação eleitoral”, destacou a plataforma
A manifestação da empresa estabelece uma distinção entre a organização coletiva de usuários para impulsionar determinados assuntos e o emprego de mecanismos fraudulentos para interferir artificialmente na circulação de conteúdos.
Google não encontra indícios de robôs ou manipulação de buscas
O Google também afastou as suspeitas de irregularidades relacionadas às pesquisas realizadas em sua plataforma. Após uma avaliação conduzida pela equipe de segurança, a empresa informou que não identificou tráfego automatizado, ataques executados por programas de computador ou redes de robôs associados aos termos mencionados no processo.
A companhia acrescentou que não encontrou violações de suas políticas que justificassem a aplicação de sanções.
Em sua resposta ao TSE, o Google ressaltou que aumentos expressivos no volume de pesquisas podem decorrer do interesse legítimo dos usuários por acontecimentos de grande repercussão.
“Variação acentuada de interesse de pesquisa é fenômeno corriqueiro diante de acontecimento noticioso de grande repercussão e, isoladamente considerada, nada afirma sobre a licitude ou a origem do interesse que a produziu”, informou o Google.
O posicionamento indica que a elevação repentina da procura por determinadas expressões não constitui, isoladamente, prova de manipulação ou atividade irregular.
As respostas foram apresentadas após Nunes Marques determinar, na quinta-feira (22), que Google, X e Meta encaminhassem relatórios técnicos em até 24 horas.
O ministro solicitou informações sobre eventual amplificação artificial de publicações, manipulação de mecanismos de busca e hashtags, utilização de redes de contas inautênticas e possíveis infrações às políticas de combate à desinformação.
Campanha de Flávio Bolsonaro questionou mobilização digital
A investigação técnica foi determinada após uma solicitação da campanha do senador Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).
A candidatura do senador sustenta que o “Exército do Lula” é utilizado para coordenar publicações simultâneas nas redes sociais, divulgar hashtags em horários previamente estabelecidos e distribuir comentários e textos preparados para reprodução pelos participantes.
O grupo é administrado por André Janones e funciona como instrumento de mobilização de apoiadores do presidente. Por meio do canal, são compartilhados vídeos, mensagens e orientações destinadas à participação dos seguidores nos debates políticos realizados nas plataformas digitais.
Após o primeiro turno, a ferramenta registrou crescimento expressivo e chegou a 10 milhões de inscritos nesta sexta-feira.
Embora as empresas tenham confirmado a existência de mobilização coordenada, as análises apresentadas não identificaram os mecanismos artificiais ou as violações apontadas nas suspeitas examinadas.
As conclusões técnicas, entretanto, não representam uma decisão judicial definitiva sobre todos os aspectos do processo, cuja avaliação cabe à Justiça Eleitoral.
Canal enfrentou decisões conflitantes no TSE
A controvérsia em torno do “Exército do Lula” começou antes da apresentação dos relatórios das plataformas.
Em 13 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão do canal após um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. A decisão foi fundamentada na ausência de registro formal da ferramenta na Justiça Eleitoral como estrutura vinculada à candidatura de Lula.
Na mesma data, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, ordenou o restabelecimento do grupo. Posteriormente, porém, Nunes Marques voltou a determinar sua suspensão.
Diante do impasse, a campanha petista providenciou o registro do canal. Inicialmente, o presidente do TSE estabeleceu um prazo de 48 horas para a retomada das atividades.
Em 15 de outubro, depois de reuniões com representantes das duas candidaturas, Nunes Marques autorizou o restabelecimento imediato do “Exército do Lula”, dispensando a espera pelo prazo anteriormente estabelecido.
TSE estabelece regras para canais de apoio eleitoral
A disputa também levou o Tribunal Superior Eleitoral a estabelecer parâmetros específicos para a atuação de canais digitais durante as campanhas.
Na sexta-feira anterior, 16 de outubro, a Corte aprovou por unanimidade uma resolução que define as condições em que canais de WhatsApp e outras ferramentas digitais devem ser considerados oficialmente vinculados a candidaturas.
Pelas novas regras, estruturas que recebam financiamento, suporte técnico ou orientações das campanhas precisam ser registradas na Justiça Eleitoral.
Por outro lado, manifestações espontâneas de apoio político não configuram, por si mesmas, vínculo formal com determinada candidatura.
A resolução também permite a retirada do ar de canais utilizados reiteradamente para divulgar conteúdos fabricados, manipulados, falsos ou apresentados fora de contexto. A adoção dessa medida, contudo, depende da identificação de irregularidades.



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