Ex-BBB acusado de agredir mulher é processado por excluir petistas de vaga
247 – O cirurgião plástico Marcos Harter, conhecido por sua participação no Big Brother Brasil (BBB) e por acusações de violência contra uma mulher durante o reality show, tornou-se alvo de uma ação do Ministério Público Eleitoral (MPE) após anunciar uma vaga de emprego que proibia a candidatura de pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT). O médico, que mantém uma clínica em Sorriso, no interior de Mato Grosso, também acumula um histórico de controvérsias judiciais, incluindo uma condenação cível por ofensas a uma mulher nas redes sociais.
Segundo reportagem publicada pelo Folhamax na sexta-feira (9), Harter divulgou uma oportunidade de trabalho para instrumentador cirúrgico com a exigência explícita de que o interessado “não pode ser petista”. A publicação motivou uma denúncia anônima e levou o Ministério Público a questionar a utilização de preferências político-partidárias como critério de contratação.
O caso está sob análise da procuradora da República Ludmila Bortoleto Monteiro, que aponta suspeitas de propaganda eleitoral irregular e negativa, além de possível assédio eleitoral decorrente da utilização da posição de empregador para restringir oportunidades profissionais.
Na ação, o Ministério Público solicitou a retirada do anúncio das redes sociais do cirurgião, com previsão de multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento. O juiz auxiliar da propaganda eleitoral Marcelo Alexandre Oliveira da Silva Morgado determinou que Harter apresentasse manifestação no prazo de dois dias, conforme despacho publicado na quinta-feira (8).
A investigação eleitoral ocorre em meio à disputa presidencial de 2026 e levanta questionamentos sobre a utilização de convicções políticas como requisito de acesso ao mercado de trabalho.
Médico foi denunciado por agressões contra Emilly Araújo no BBB
Marcos Harter ganhou projeção nacional em 2017, quando participou da 17ª edição do Big Brother Brasil, exibida pela TV Globo. Durante o confinamento, iniciou um relacionamento com Emilly Araújo, que posteriormente venceria a competição.
A participação do cirurgião terminou em 10 de abril daquele ano, quando foi expulso do programa após acusações de agressão física contra a então namorada.
O episódio motivou a abertura de um inquérito pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Após examinar imagens do programa, depoimentos e documentos médicos, a Polícia Civil indiciou Harter por lesão corporal.
Em abril de 2017, o Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia contra o cirurgião por dois episódios de agressão contra Emilly, inicialmente enquadrados pelos promotores na Lei Maria da Penha.
Segundo o órgão, o médico teria provocado hematomas nos braços da participante mediante apertões e beliscões durante o confinamento. As lesões foram registradas em exame de corpo de delito.
Na época, o Ministério Público sustentou que a existência de um relacionamento afetivo entre os participantes justificava a aplicação da legislação de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica.
Em junho daquele ano, o órgão recorreu de uma decisão judicial que havia afastado o enquadramento dos fatos como violência doméstica e encaminhado o processo ao Juizado Especial Criminal.
A defesa do médico, por sua vez, havia questionado a condução da investigação e argumentado que Emilly não apresentara queixa contra ele.
O indiciamento policial e a denúncia do Ministério Público foram confirmados por reportagens do UOL e por comunicados oficiais da instituição. As informações consultadas não permitem afirmar que tenha ocorrido uma condenação criminal definitiva nesse processo.
Marcos Harter também foi condenado por ofensas contra mulher na internet
Além do episódio envolvendo Emilly Araújo, Harter enfrentou outra ação judicial relacionada a ofensas dirigidas a uma mulher.
Em dezembro de 2025, o médico foi condenado a pagar R$ 25 mil de indenização por danos morais a Emily da Silva Costa, após uma série de manifestações ofensivas publicadas no Instagram e enviadas por mensagens privadas.
A decisão foi divulgada em janeiro de 2026 pela coluna de Fábia Oliveira, do Metrópoles.
O conflito começou em maio de 2024, quando Emily comentou uma publicação do cirurgião nas redes sociais. Harter reagiu com mensagens irônicas e comentários depreciativos sobre a condição financeira da mulher.
Segundo a reportagem, o médico também fez referências ao filho de Emily, ainda criança, e utilizou uma fotografia dele durante os ataques virtuais.
A vítima ingressou com uma ação de indenização em dezembro de 2024, solicitando R$ 80 mil por danos morais e uma retratação pública.
Na sentença, proferida em 17 de dezembro de 2025, a magistrada considerou que as manifestações do médico ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e atingiram a dignidade da autora.
A juíza também rejeitou o argumento de que o caráter privado de determinadas mensagens impediria o reconhecimento do dano moral.
A condenação teve natureza cível, relacionada à reparação das ofensas, e não deve ser confundida com uma condenação criminal por violência física.
Histórico de controvérsias e tentativa de carreira política
Após deixar o BBB, Marcos Harter permaneceu conhecido publicamente e buscou ingressar na política, concorrendo em eleições sem conseguir conquistar um mandato.
O médico também protagonizou disputas judiciais envolvendo sua participação no reality show. Depois da expulsão, chegou a processar a TV Globo, alegando prejuízos financeiros e morais decorrentes de sua saída da competição.
Agora, a ação movida pelo Ministério Público Eleitoral acrescenta um novo episódio ao histórico judicial do cirurgião.
Diferentemente dos processos anteriores, o questionamento atual não envolve acusações de violência contra mulheres, mas a imposição de uma restrição político-partidária em um anúncio de contratação.
A Justiça Eleitoral deverá avaliar se a publicação configura propaganda irregular ou assédio eleitoral, considerando as circunstâncias do anúncio e os argumentos apresentados pelas partes.



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