Brasil precisa ampliar processamento de terras raras na corrida global por IA, diz executivo da S&P
247 – O vice-presidente sênior da S&P Global, Carlos Pascual, afirmou nesta terça-feira (22) que o Brasil precisa ampliar o processamento de minerais críticos e terras raras para transformar seu potencial mineral em valor econômico e estratégico na corrida por inteligência artificial. Durante painel na ROG.e 2026, evento organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), ele disse que o país processa apenas uma pequena parcela desses materiais.
Pascual apontou uma forte diferença entre a participação de Brasil e China nas reservas e a capacidade de processamento instalada em cada país. “A China tem algo como 35% das reservas de terras raras do mundo, mas processa em torno de 90% a 95%. O Brasil tem cerca de 23% das reservas e processa algo em torno de 0,2%. O mundo ainda não conseguiu responder ao problema central, que é criar valor no processamento de uma forma que capture o valor total da cadeia de suprimentos dessas soluções”, afirmou.
Na avaliação do executivo, a concentração da etapa de processamento na China cria uma vulnerabilidade para cadeias consideradas estratégicas, entre elas as ligadas à defesa e aos data centers. Pascual disse que os Estados Unidos vêm tentando ampliar o número de países envolvidos no fornecimento desses materiais e reduzir a dependência de uma única origem. “Isso explica o forte interesse dos EUA na região”, declarou.
O executivo afirmou que o processamento de minerais críticos poderia se tornar um eixo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos e atrair capital americano.
“Para o Brasil, se houver uma área à qual dar atenção estratégica e encontrar uma maneira de trabalhar efetivamente com os Estados Unidos, como uma questão de segurança nacional, que eu asseguro que garantirá o interesse e o investimento americanos, é esta.”
Por que o processamento é o ponto central
A concentração global descrita por Pascual também aparece em dados da Agência Internacional de Energia (AIE). Em 2024, a China respondeu por 60% da produção mineral global de terras raras utilizadas em ímãs, mas sua participação subia para 91% no refino e para 94% na fabricação de ímãs permanentes sinterizados.
As terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos cuja separação e aproveitamento exigem processos específicos. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), esses elementos são empregados em equipamentos eletrônicos, computadores, veículos elétricos, equipamentos médicos e sistemas de geração de energia, entre outras aplicações.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 23% do total global, equivalente a aproximadamente 21 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo MME. A política do governo para o setor tem buscado ampliar não apenas a produção mineral, mas também as etapas de transformação e agregação de valor dentro do país.
Uma das iniciativas em desenvolvimento é o MagBras, projeto acompanhado pelo MME em Lagoa Santa, em Minas Gerais, voltado ao desenvolvimento de tecnologia nacional para a fabricação de ímãs permanentes de terras raras. O objetivo declarado é fortalecer a cadeia brasileira e ampliar a agregação de valor aos recursos minerais produzidos no país.



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