Partidos árabes apoiam Eisenkot e ampliam pressão sobre Netanyahu em Israel
247 – Os principais partidos árabes de Israel anunciaram nesta quinta-feira (5) apoio ao ex-chefe do Estado-Maior Gadi Eisenkot para formar o próximo governo, ampliando a pressão sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Com a decisão da Lista Unificada e do Ra’am, o líder da oposição passou a reunir recomendações de 67 dos 120 deputados do Knesset, contra 46 do atual premiê, que perdeu o apoio formal de um partido ultraortodoxo. O presidente Isaac Herzog conduz as consultas para definir quem receberá a missão de construir uma coalizão parlamentar.
A Lista Unificada decidiu recomendar Eisenkot depois que o Ra’am, outra legenda de maioria árabe, também declarou apoio ao dirigente do Yashar. A movimentação ocorre após as eleições parlamentares de 27 de outubro, nas quais o Likud, partido de Netanyahu, conquistou a maior votação, mas não reuniu os 61 deputados necessários para assegurar maioria no Parlamento.
A Lista Unificada justificou a decisão como resposta à “demanda popular de impedir o retorno de Netanyahu e seu governo ao poder”. A legenda reúne três grupos políticos e conquistou 11 cadeiras nas eleições, enquanto o Ra’am obteve oito representantes.
O resultado ampliou a participação dos partidos árabes no Parlamento israelense. Juntas, as duas forças conquistaram 19 assentos e passaram a desempenhar um papel nas negociações para a formação do próximo gabinete.
O líder do Ra’am, Mansur Abbas, também manifestou disposição para colaborar com a oposição. Após uma reunião com o presidente israelense, o parlamentar declarou: “Estendemos a mão para apoiar os esforços de Gadi Eisenkot e faremos tudo o possível para afastar o governo de Bamin Netanyahu do poder”.
Aliado ultraortodoxo retira apoio a Netanyahu
A situação do primeiro-ministro tornou-se mais complexa depois que o partido Judaísmo Unido da Torá (JUT), seu aliado há aproximadamente três décadas, decidiu não recomendar nenhum candidato durante as consultas conduzidas pela Presidência.
A legenda conquistou sete cadeiras nas eleições e integra historicamente a base política de Netanyahu. Sua decisão reduziu de 53 para 46 o número de parlamentares que recomendam formalmente a permanência do premiê no comando do governo.
O impasse envolve divergências sobre o serviço militar obrigatório para estudantes de escolas religiosas judaicas. O partido ultraortodoxo exige garantias de manutenção das isenções de alistamento, enquanto integrantes da oposição defendem mudanças nas regras.
Os dirigentes do JUT não descartaram negociar com outras forças políticas. A legenda condiciona uma eventual participação no governo à aprovação de medidas que preservem os interesses de sua base religiosa.
Eisenkot reúne maioria de recomendações, mas ainda precisa formar coalizão
Embora 67 deputados tenham recomendado Eisenkot à Presidência, esse número não representa necessariamente uma maioria parlamentar comprometida com a sustentação de seu governo. Parte dos partidos que apoiam sua indicação rejeita a possibilidade de integrar uma coalizão com as legendas árabes.
O bloco inicial de oposição reuniu 48 cadeiras nas eleições, enquanto os partidos alinhados a Netanyahu conquistaram 53. Os 19 parlamentares das duas principais forças árabes passaram a influenciar as negociações depois de declararem apoio à indicação de Eisenkot.
Entre os obstáculos está a posição do dirigente nacionalista Avigdor Liberman, que se opõe à formação de um governo dependente do apoio parlamentar dos partidos árabes. Uma alternativa em discussão envolve a criação de um gabinete minoritário, com os partidos árabes oferecendo sustentação parlamentar sem ocupar ministérios ou integrar formalmente a coalizão.
A Lista Unificada já sinalizou disposição para apoiar um eventual governo de Eisenkot pelo lado de fora da coalizão. A legenda reconhece divergências com o ex-comandante militar, mas considera necessário apoiar a substituição de Netanyahu.
Netanyahu acusa partidos árabes de fraude eleitoral
O primeiro-ministro tem intensificado suas críticas às legendas árabes desde a divulgação dos resultados. Netanyahu acusa essas organizações de apoiar o terrorismo e de promover uma agenda de islamização de Israel.
O dirigente do Likud também apresentou acusações de compra de votos com recursos provenientes do Catar. A Comissão Eleitoral israelense realizou uma auditoria e não identificou irregularidades que sustentassem as denúncias de fraude eleitoral.
As declarações ocorrem em um ambiente político marcado pelas consequências dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 e pela guerra que se seguiu. Os cidadãos árabes israelenses, também identificados como palestinos de Israel, representam aproximadamente 20% da população do país.
A participação dessas legendas na formação do governo tornou-se um dos principais pontos de divergência entre os partidos de oposição. Alguns dirigentes rejeitam acordos com representantes árabes, enquanto outros defendem a cooperação parlamentar para viabilizar uma mudança no Executivo.
Presidente de Israel decidirá quem tentará formar governo
O presidente Isaac Herzog iniciou uma série de reuniões com os partidos eleitos para avaliar qual candidato possui condições de construir uma maioria parlamentar. A legislação israelense estabelece o dia 11 de novembro como prazo para a definição.
O chefe de Estado pode concluir as consultas antes dessa data. A decisão considera as recomendações apresentadas pelas legendas, mas não depende exclusivamente da quantidade de deputados que indicam cada candidato.
Após receber a designação presidencial, o parlamentar escolhido terá 28 dias para negociar a formação de uma coalizão. Herzog poderá conceder uma prorrogação de até 14 dias caso considere necessário ampliar o período de negociações.
Se o candidato não conseguir reunir os apoios necessários, o presidente poderá atribuir a missão a outro parlamentar. A continuidade do impasse também poderá levar à convocação de novas eleições.
Governo de unidade nacional entra nas negociações
Outra possibilidade em discussão envolve a formação de um governo que reúna partidos judaicos sionistas de diferentes correntes políticas, sem a participação das legendas árabes e ultraortodoxas.
Segundo relatos da imprensa israelense, Herzog tem buscado alternativas para superar a fragmentação parlamentar e construir uma composição capaz de assegurar a continuidade administrativa.
A proposta de unidade nacional enfrenta divergências entre os partidos que participaram da eleição. Enquanto algumas lideranças defendem a substituição de Netanyahu, outras apresentam condições políticas para apoiar um novo gabinete.
A definição dependerá das negociações entre Eisenkot, Netanyahu e os partidos que conquistaram representação no Knesset. A maioria de recomendações obtida pelo ex-chefe militar representa uma etapa do processo, mas a formação de governo exige um acordo capaz de assegurar sustentação parlamentar.



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