Carlos Castelo explora horror e literatura insólita em novo livro
247 – O que acontece quando o cotidiano deixa de obedecer às regras conhecidas e situações aparentemente comuns passam a revelar aspectos monstruosos da existência? Essa é uma das questões que atravessam In extremis, novo livro do escritor Carlos Castelo, publicado pela editora Teju Jagua em 2026. Com 204 páginas e 34 contos, a coletânea percorre diferentes vertentes do horror psicológico, do fantástico, do grotesco e da literatura insólita.
A expressão latina In extremis, que significa “no último momento” ou “em situação extrema”, dá nome a histórias protagonizadas por personagens diante de circunstâncias-limite. Ao longo das narrativas, as fronteiras entre vida e morte, razão e delírio, natureza e sobrenatural tornam-se cada vez menos definidas.
Contos exploram transformações do corpo e da consciência
Na narrativa de abertura, A primeira, uma larva que se alimenta de um cadáver começa a absorver as memórias e a consciência do morto. A história aborda questões relacionadas à identidade e à possibilidade de sobrevivência para além da existência física.
Em Mãe, uma cultura de fermentação natural transforma a rotina de uma família em um pesadelo orgânico. Já em O último fruto, um casal em situação de rua encontra uma cidade misteriosamente deserta, em uma trama que aproxima questões sociais de elementos do imaginário apocalíptico.
Outros contos partem de situações aparentemente banais. Em Café da manhã, uma conversa cordial durante uma hospedagem se transforma gradualmente em uma experiência aterradora. Em Os dezenove iguais, um concurso literário sobre inteligência artificial e terror tecnológico conduz a questões sobre autoria, repetição e perda de identidade.
Horror cotidiano e referências brasileiras
As histórias percorrem diferentes ambientes, das ruas de São Paulo às paisagens do interior do Brasil. Espaços domésticos e territórios associados a crenças populares também integram o universo criado pelo escritor.
A coletânea incorpora elementos do horror corporal, do terror existencial, da ficção especulativa e das tradições populares brasileiras. Entre os temas abordados estão a degradação física, a solidão, as transformações dos seres vivos e a presença de forças ancestrais que escapam à compreensão humana.
A obra também traz uma epígrafe do escritor estadunidense Thomas Ligotti, cuja perspectiva sobre a vida como um pesadelo que deixa marcas para comprovar a própria realidade dialoga com o universo dos contos.
Publicado em 2025, Dentro de mim mora a sombra marcou a entrada de Carlos Castelo na literatura insólita. Com In extremis, o autor dá continuidade a esse percurso, reunindo narrativas que exploram diferentes manifestações do horror e as fronteiras da experiência humana.
Sobre o autor
Carlos Castelo é escritor, cronista, humorista e músico. Um dos criadores do grupo musical Língua de Trapo, construiu uma trajetória artística marcada pelo humor, pela sátira e pela experimentação literária.
Autor de mais de vinte livros, também atua regularmente como cronista na imprensa. Em 2025, publicou Dentro de mim mora a sombra, sua estreia na literatura insólita.


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