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Irã promete reabrir Estreito de Ormuz em 48 horas se EUA aceitarem exigências

02.11.2026 5 min read

247 – O governo iraniano afirmou nesta segunda-feira (2) que poderá restabelecer a navegação pelo Estreito de Ormuz em apenas 48 horas, desde que os Estados Unidos concordem com as condições apresentadas por Teerã. A proposta surge após uma rodada de negociações indiretas realizada no Catar e representa uma tentativa de superar o impasse militar e diplomático entre os dois países.

Segundo informações da RFI, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, confirmou que um plano de sete etapas, elaborado em setembro, está sendo examinado como base para um possível entendimento com Washington. O documento prevê a reabertura da passagem marítima estratégica e o encerramento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.

A possibilidade de um acordo ganhou força depois que representantes iranianos participaram de conversas com mediadores catarianos em Doha, durante o fim de semana. Uma fonte familiarizada com as tratativas informou que uma minuta de acordo para encerrar o conflito já circula entre os envolvidos e que uma nova reunião poderá ocorrer nos próximos dias.

Irã exige contrapartidas dos Estados Unidos

Baqaei destacou que a disposição iraniana de reabrir o estreito depende diretamente da resposta americana às exigências apresentadas durante as negociações.

Segundo o porta-voz, “a troca de mensagens (com os Estados Unidos) continua” por intermédio dos mediadores, mas “tudo depende” da aceitação das condições de Teerã. “Só então poderemos falar das etapas posteriores”, afirmou.

“A possibilidade de implementar este plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã”, declarou Baqaei. Ele acrescentou: “Se as demandas do Irã forem atendidas, será possível restaurar a segurança no Estreito de Ormuz e retomar o processo de negociação em um prazo de tempo muito curto”.

A proposta representa uma aceleração do cronograma apresentado pelo Irã em setembro. Na ocasião, Teerã havia oferecido a reabertura do estreito seis dias depois de uma resposta positiva de Washington. Agora, o governo iraniano sustenta que o processo poderá ser concluído em dois dias, caso exista um compromisso político entre as partes.

Fim das sanções e retirada militar estão entre as exigências

As condições iranianas incluem um cessar-fogo regional, o desbloqueio dos recursos financeiros do país mantidos no exterior, a suspensão das sanções americanas contra seu setor petrolífero e o encerramento do bloqueio naval aos portos iranianos.

Essas reivindicações já integravam um protocolo negociado em junho, depois de um cessar-fogo iniciado em abril. A trégua, entretanto, não se sustentou, e os confrontos foram retomados pouco tempo depois.

No domingo (1º), o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, ampliou as exigências durante entrevista à emissora Al Jazeera. O chanceler defendeu que Washington reconheça “o novo itinerário acordado entre o Irã e Omã para o trânsito” de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

Araghchi também incluiu entre as condições uma diminuição da presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. A reivindicação amplia o alcance das negociações, que deixam de envolver exclusivamente a circulação marítima e passam a abranger a presença estratégica americana na região.

Trump ameaça novos ataques contra o Irã

A retomada das conversas diplomáticas ocorre em meio a declarações ameaçadoras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a admitir a possibilidade de novos ataques militares contra o território iraniano.

Durante um comício realizado no domingo, em Iowa, Trump afirmou que as forças americanas já haviam destruído grande parte da capacidade militar iraniana, mas que ainda restavam “um ou dois” objetivos a serem atingidos.

“A única razão pela qual ainda não acabei com o Irã é porque quero ser gentil. Quero tentar salvar todas estas vidas, se puder”, declarou o presidente americano. Em seguida, advertiu: “Mas em algum momento teremos que dar um golpe contundente neles”.

O governo iraniano reagiu nesta segunda-feira, reafirmando que responderá militarmente a qualquer nova ofensiva.

“Qualquer ato de agressão contra o Irã receberá uma resposta firme, imediata e global da nossa parte”, afirmou Baqaei.

Apesar da redução da intensidade dos confrontos desde setembro, as recentes ameaças de Washington e de Israel mantêm elevado o risco de uma nova escalada militar. As negociações também coincidem com a proximidade das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (3).

Questionado sobre a possibilidade de o resultado eleitoral americano alterar a postura de Washington, Baqaei indicou que o governo iraniano não espera que as eleições “deem origem a um novo país”.

China apoia soberania iraniana e defende solução diplomática

A China também se manifestou sobre a crise nesta segunda-feira. Durante encontro em Pequim com Ali Bagheri, secretário-adjunto do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, reafirmou o apoio de seu governo à “defesa de sua soberania e de sua segurança”.

Wang Yi defendeu que os países envolvidos priorizem as negociações e evitem uma nova fase de confrontos armados.

“Todas as partes devem (…) com um espírito de razão e pragmatismo, privilegiar uma solução política em vez de recorrer, mais uma vez, a um conflito armado”, declarou o chanceler chinês.

Pequim figura entre os principais parceiros econômicos de Teerã e tem defendido uma redução das tensões militares no Oriente Médio. A posição chinesa reforça a pressão diplomática por uma saída negociada para a crise.

Estreito de Ormuz permanece no centro da disputa

A situação do Estreito de Ormuz constitui um dos pontos mais sensíveis do confronto entre Irã e Estados Unidos. A passagem marítima é fundamental para o transporte internacional de petróleo e outros hidrocarbonetos, conectando o Golfo Pérsico às rotas comerciais internacionais.

Desde o início da guerra, Teerã mantém restrições à navegação pelo estreito e reivindica o controle sobre o trânsito de embarcações. Navios que tentam atravessar a região sem autorização iraniana têm sido alvos de ataques, transformando a passagem em um dos principais focos de enfrentamento entre as forças envolvidas no conflito.

A manutenção das restrições também amplia as preocupações com o abastecimento energético internacional, diante da importância da rota para o comércio de petróleo.

Nesse cenário, a proposta iraniana de reabrir Ormuz em 48 horas representa uma possibilidade de reduzir as tensões, mas sua implementação continua condicionada à resposta americana. Enquanto os mediadores trabalham para viabilizar uma nova rodada de conversas, Washington mantém a pressão militar, e Teerã insiste que qualquer acordo deverá contemplar suas exigências de segurança, soberania e alívio econômico.

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