Acionistas da Raízen aprovam medidas para executar plano de recuperação extrajudicial
247 – Os acionistas da Raízen aprovaram nesta sexta-feira (30) um conjunto de medidas para viabilizar a implementação do plano de recuperação extrajudicial da companhia, segundo três pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Reuters. A decisão representa uma nova etapa da reestruturação financeira e societária da empresa, uma das maiores operações desse tipo já realizadas no Brasil.
A votação não corresponde à aprovação inicial do plano de recuperação. O acordo já havia recebido o aval dos credores em junho e foi homologado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em 30 de julho, com adesão de 81,6% dos créditos sujeitos à reestruturação. Segundo informações da Opea, não houve impugnações de credores contra o plano.
Entre os principais instrumentos para executar o acordo está um aumento de capital privado que poderá variar de R$ 3,5 bilhões a R$ 39,796 bilhões. O valor máximo foi estabelecido em documento divulgado pela Raízen à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 26 de outubro. A operação prevê a emissão de até 159,2 bilhões de novos valores mobiliários, com possibilidade de conclusão parcial, desde que sejam subscritas pelo menos 14 bilhões de ações.
A implementação da operação ainda prevê uma deliberação do Conselho de Administração, programada no calendário divulgado pela empresa para 6 de novembro. O cronograma estabelece que os acionistas registrados ao final do pregão dessa data terão direito de preferência. O período para exercício da subscrição está previsto para ocorrer entre 9 de novembro e 8 de dezembro, enquanto a homologação do aumento de capital foi programada para 16 de dezembro e o crédito dos novos papéis para o dia 18. As datas são indicativas e podem sofrer alterações.
Como será feita a reestruturação da dívida
O plano oferece diferentes alternativas aos credores para reorganizar os valores devidos. Uma delas prevê a conversão de 45% da dívida reestruturada em units, ao preço de R$ 0,50 cada. Os outros 55% seriam substituídos por novos instrumentos de dívida, conforme informações divulgadas pela Reuters em junho.
A operação também envolve compromissos financeiros dos controladores. A Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões em capital novo, enquanto a Aguassanta Participações, ligada ao empresário Rubens Ometto, poderá contribuir com outros R$ 500 milhões. A eventual participação da holding de Ometto depende de sua decisão de exercer essa opção.
Outra mudança prevista é a separação das atividades da Raízen em duas empresas independentes. Uma ficará responsável pela distribuição de combustíveis, mantendo o nome Raízen S.A., enquanto a outra concentrará a produção de etanol, açúcar e bioenergia, sob a denominação Raízen Energia S.A.
Segundo as informações divulgadas pela Opea, a divisão deverá estabelecer estruturas de endividamento próprias para cada companhia, sem garantias cruzadas entre os dois negócios. A reorganização também integra as providências necessárias para concluir a recuperação extrajudicial.
A conclusão das medidas previstas no plano tem prazo máximo de 31 de março de 2027. Entre as etapas pendentes estão a conclusão da negociação tributária com a Receita Federal e os procedimentos necessários à separação das empresas. A Opea esclarece que esse prazo não corresponde a uma data prevista para o pagamento dos credores.
Endividamento e dificuldades financeiras
A dimensão da reestruturação está relacionada ao elevado endividamento acumulado pelo grupo. Na documentação apresentada à Justiça em março de 2026, a Raízen informou possuir dívida bruta consolidada de R$ 65,14 bilhões na data do pedido de recuperação extrajudicial, protocolado em 10 de março.
O procedimento abrange créditos financeiros sem garantia real. As obrigações da companhia com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais não estão incluídas na reestruturação.
Na petição judicial, o grupo atribuiu sua deterioração financeira à combinação de juros elevados, dificuldades econômicas na Argentina, problemas climáticos que afetaram a produção de cana-de-açúcar e queda nos preços das commodities.
A documentação também apontou prejuízo acumulado de R$ 18,4 bilhões no ano-safra 2025/2026, consumo de R$ 7,2 bilhões em caixa entre abril e dezembro de 2025 e alavancagem de 5,3 vezes, o maior patamar histórico informado pela companhia naquele momento.
A reestruturação busca reorganizar o passivo financeiro, reforçar a liquidez e permitir a continuidade das operações de distribuição de combustíveis e produção de açúcar, etanol e bioenergia.



O Satã em Miami
A vingança dos demitidos
O que aconteceu no Brasil neste segundo turno das eleições foi algo histórico
O mercado financeiro nunca deixou de ganhar dinheiro com Lula