Com 90% dos votos apurados, não há vencedor claro nas eleições de Israel
247 – A formação do próximo governo de Israel permanece indefinida após a apuração de quase 90% dos votos, com o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu à frente, mas abaixo das 61 cadeiras necessárias para obter maioria no Parlamento.
Segundo a Al Jazeera, as projeções apontam 53 assentos para seus aliados, 48 para a oposição liderada por Gadi Eisenkot e uma representação potencialmente recorde de 19 deputados dos partidos árabes.
O resultado parcial deixa Netanyahu a oito cadeiras da maioria no Knesset, composto por 120 parlamentares. A oposição de Eisenkot também não reúne apoio suficiente para governar e enfrenta um obstáculo político adicional: antes da eleição, seu líder descartou formar um governo minoritário sustentado por partidos liderados por árabes. Netanyahu igualmente rejeitou essa possibilidade.
Mais de 500 mil cédulas especiais, depositadas em envelopes duplos, ainda precisam ser contabilizadas e podem modificar a distribuição dos assentos. Esse conjunto inclui votos de militares, diplomatas e eleitores que participaram da votação fora das seções em que estão registrados.
O Comitê Central Eleitoral informou que mais de cinco milhões de votos haviam sido contados até as 21h de quarta-feira (28), no horário local. Os resultados finais poderão ser divulgados já na noite desta quinta-feira (29), mas sua publicação não garante uma definição imediata sobre quem conseguirá formar o próximo governo.
Votação árabe amplia peso no Parlamento
As projeções atribuem à Lista Conjunta e ao Ra’am, somados, 19 cadeiras. Em meio à participação recorde do eleitorado árabe, a Lista Conjunta afirmou que a mobilização nas urnas foi decisiva para impedir que Netanyahu e seus aliados alcançassem a maioria parlamentar.
Em comunicado divulgado na quarta-feira pela agência turca Anadolu, a aliança ressaltou que os resultados ainda eram preliminares. Também declarou que os eleitores responderam à incitação e à intimidação ao rejeitar um “governo de carniceiros” e suas políticas de demolição de casas, racismo e crimes de guerra.
A Lista Conjunta associou seu desempenho à demanda por unidade política e pela defesa dos direitos dos cidadãos árabes. A aliança prometeu atuar para retirar Netanyahu do poder e impedir seu retorno, além de manifestar disposição para cooperar com a formação de uma administração alternativa.
Seu líder, Yousef Jabareen, afirmou que poderia apoiar de fora um governo contrário a Netanyahu, sem integrar a administração. A posição, porém, esbarra na rejeição previamente expressa por Eisenkot a um governo minoritário apoiado por partidos árabes.
Likud acusa partidos árabes de fraude
Diante do avanço eleitoral dessas legendas, o Likud, partido de Netanyahu, acusou os partidos árabes de fraudar a votação. O material fornecido pela Al Jazeera não apresenta comprovação das acusações.
“As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a eliminação do Estado judeu por meio de crimes graves como suborno, ameaças, violência, falsificações e uso de software proibido para mobilizar eleitores”, afirmou o Likud em comunicado.
A legenda também declarou estar encaminhando denúncias às autoridades: “O partido Likud está entregando à polícia, ao Shin Bet e à Comissão Central de Eleições centenas de depoimentos e provas referentes a fraudes eleitorais em diversas seções eleitorais árabes”.
As acusaçõesforam rechaçadas pela polícia israelense.
Negociações definirão próximo governo
Netanyahu continuará como primeiro-ministro interino até a formação de uma nova administração. Após a divulgação dos resultados oficiais, o presidente Isaac Herzog deverá iniciar, na próxima semana, consultas aos dirigentes partidários.
Herzog pediu aos partidos que evitem uma nova eleição. A negociação de coalizões faz parte do sistema político israelense: nenhum partido conquistou sozinho a maioria absoluta das cadeiras na história do país.
Com o bloco governista projetado como o maior do Parlamento, analistas citados pela Al Jazeera consideram possível um governo de unidade nacional que inclua Eisenkot. A hipótese, entretanto, permanece incerta.
O líder oposicionista afirmou na quarta-feira, em publicação no X, que sua aliança está concentrada na “difícil tarefa que nos foi confiada: trazer mudanças para Israel e estabelecer um governo de mobilização sionista”.
“Esta é a vontade do povo que expressou desconfiança no governo de 7 de outubro e na omissão, e no bloco de omissos em geral. Um bloco que está no ponto mais baixo das últimas duas décadas.”



STF avalia ignorar Flávio Bolsonaro e fortalecer aliança com Alcolumbre
Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para Bolsonaro
Lula deve manter articulação política com o PT e resistir à pressão do Centrão
Nove projetos LGBTQIAPN+ passam na comissão da Câmara, mas ainda não são lei