Netanyahu sofre revés nas eleições de Israel
247 – O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sofreu um revés nas eleições parlamentares desta terça-feira (27), segundo as pesquisas de boca de urna, que apontam vantagem do bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot, mas não indicam maioria suficiente para a formação de um novo governo. As projeções mostram uma redução da bancada da coalizão governista, enquanto o Likud permanece como o maior partido de Israel.
“O país foi salvo”, disse o líder da oposição no Parlamento, Yair Lapid, em postagem nas redes sociais. “Benjamin Netanyahu e seu governo colapsaram hoje, esta é uma derrota total. O povo de Israel venceu. Nós somos a maioria. Na democracia, o lado que trouxe mais votos venceu, e ele precisa, pode e é seu dever formar um governo”, acrescentou.
De acordo com a agência Reuters, a eleição ocorreu em meio às consequências das guerras conduzidas por Israel na Faixa de Gaza, no Líbano e contra o Irã. Duas das três principais emissoras de televisão israelenses atribuíram inicialmente uma vantagem estreita ao campo liderado por Eisenkot, enquanto o Canal 13 apontou empate entre os dois blocos. Atualizações posteriores indicaram uma vantagem de aproximadamente duas cadeiras para a oposição, sem que qualquer grupo alcançasse os 61 assentos necessários para controlar o Knesset, o Parlamento israelense.
A Comissão Eleitoral Central informou que 77,7% dos eleitores compareceram às urnas. O índice representa a maior participação eleitoral em mais de duas décadas e supera em aproximadamente sete pontos percentuais o comparecimento registrado em 2022.
A mobilização ocorreu na primeira eleição nacional desde os ataques liderados pelo Hamas, em 7 de outubro de 2023, e a ofensiva militar israelense que se seguiu na Faixa de Gaza.
Pesquisas indicam perda de cadeiras para coalizão de Netanyahu
As projeções apontam uma redução da representação parlamentar dos partidos que sustentam o governo Netanyahu, embora as estimativas ainda dependam da apuração oficial.
O bloco governista entrou na disputa com 68 cadeiras no Parlamento e poderá encerrar o processo eleitoral com aproximadamente 50 representantes, conforme as projeções apresentadas.
A redução representaria uma perda expressiva de sustentação parlamentar para Netanyahu, embora não garanta à oposição condições de formar um governo.
O Likud continua como a legenda com maior representação individual. Uma das pesquisas atribui 24 assentos ao partido de Netanyahu, diante de 22 para o Yashar, liderado por Eisenkot.
Os partidos de extrema direita religiosa comandados por Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich devem conquistar, juntos, aproximadamente 13 cadeiras dentro do campo governista.
O presidente do Instituto para a Democracia de Israel, Yohanan Plesner, avalia que as projeções representam uma derrota para a coalizão de Netanyahu, mas não estabelecem Eisenkot como vencedor da disputa pelo comando do governo.
Gadi Eisenkot declara vitória e cobra saída de Netanyahu
O líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, apresentou o resultado das pesquisas como uma demonstração de que parte do eleitorado deseja substituir o atual governo.
O ex-chefe das Forças Armadas declarou vitória política e defendeu que Netanyahu deixe o cargo, mesmo sem uma maioria parlamentar definida.
Eisenkot prometeu trabalhar pela formação de “um governo sionista comprometido com o alistamento militar obrigatório universal”, uma das propostas centrais de sua campanha.
A questão do serviço militar provoca divergências entre os partidos israelenses, sobretudo em relação à participação da população ultraortodoxa nas Forças Armadas.
O líder oposicionista também advertiu Netanyahu, a quem classificou como primeiro-ministro “interino”, para que não utilize as estruturas de segurança do Estado com objetivos políticos.
A declaração foi interpretada como uma referência à possibilidade de novas operações militares contra o Irã em meio à disputa pela formação de governo.
Até as primeiras informações divulgadas após o encerramento da votação, Netanyahu ainda não havia apresentado um pronunciamento sobre as pesquisas de boca de urna.
Partidos árabes podem decidir formação do próximo governo
O desempenho das legendas árabes representa um dos principais fatores de incerteza no cenário parlamentar.
As pesquisas atribuem entre 17 e 18 cadeiras a esses partidos, que não integram formalmente os dois principais blocos e podem influenciar a formação de uma maioria.
Para assumir o governo, uma coalizão precisa reunir o apoio de pelo menos 61 dos 120 deputados do Knesset.
Eisenkot praticamente descartou a possibilidade de compor uma administração com os partidos árabes, posição que dificulta sua capacidade de transformar a vantagem nas pesquisas em uma maioria parlamentar.
O sistema político israelense depende de alianças entre várias legendas. Nenhum partido conquistou sozinho a maioria absoluta do Parlamento, o que torna as negociações entre grupos políticos parte do processo de formação de governo.
A ausência de um vencedor definido também poderá permitir que Netanyahu permaneça temporariamente no cargo enquanto os partidos discutem uma nova coalizão.
Caso nenhuma liderança consiga reunir apoio suficiente, Israel poderá enfrentar outra eleição parlamentar.
Yair Lapid afirma que eleitorado rejeitou coalizão governista
O líder oposicionista Yair Lapid interpretou as pesquisas como uma derrota do grupo político que sustenta Netanyahu.
Em comunicado divulgado após o encerramento da votação, Lapid afirmou:
“Não deixem ninguém confundir vocês: o bloco de Netanyahu sofreu uma derrota esmagadora. Trata-se de um colapso total, e o público mandou que eles fossem para casa.”
A avaliação reflete a posição da oposição, embora as projeções não estabeleçam uma maioria alternativa capaz de assumir imediatamente o Executivo.
O dirigente do Partido Democrata, Yair Golan, também defendeu que os adversários de Netanyahu transformem o resultado eleitoral em uma mudança de governo.
“Caros democratas, uma decisão foi tomada”, afirmou Golan durante um encontro de seu partido.
“A nação nos confiou um dever sagrado: transformar em ação a confiança que depositaram em nós, fortalecer a democracia, salvar Israel e garantir uma verdadeira defesa para o Estado.”
Participação de eleitores palestinos ganha importância
As pesquisas também indicam um desempenho dos partidos que representam parte da população palestina com cidadania israelense.
Na sede da Lista Conjunta, aliança formada por legendas árabes, apoiadores comemoraram as projeções após o encerramento da votação.
A candidata Faten Gattas destacou a participação eleitoral e reafirmou a oposição de seu grupo às políticas de ocupação.
“Rejeitamos a ocupação e o racismo, e permaneceremos aqui”, declarou durante uma manifestação na cidade de Nazaré.
Os integrantes da aliança esperam que o aumento do comparecimento dos eleitores árabes amplie sua influência sobre a composição do Parlamento.
A possibilidade de impedir a continuidade da atual coalizão, considerada a mais à direita da história de Israel, apareceu entre os principais objetivos políticos dessas legendas.
O desempenho eleitoral árabe também acrescenta complexidade às negociações, já que Eisenkot descartou uma aliança governamental com os partidos desse campo.
Eisenkot mantém posições de segurança próximas às de Netanyahu
O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, de 66 anos, construiu sua candidatura a partir de críticas à condução política do governo e da defesa de mudanças na administração israelense.
Sua trajetória inclui a participação no gabinete de guerra que Netanyahu organizou após os ataques do Hamas em outubro de 2023.
Eisenkot deixou o colegiado oito meses depois, alegando divergências com a condução das operações e com as decisões do primeiro-ministro.
O político perdeu um filho e dois sobrinhos na guerra em Gaza, episódio que também marcou sua trajetória pessoal desde o início do conflito.
Embora apresente sua candidatura como alternativa a Netanyahu e aos partidos de extrema direita, Eisenkot mantém posições de segurança que incluem a oposição à criação de um Estado palestino.
O líder do Yashar também defende a destruição ou o desmantelamento da estrutura militar do Hamas.
Eisenkot critica os resultados da ofensiva israelense na Faixa de Gaza e argumenta que o governo não atingiu seus objetivos, já que o Hamas continua exercendo poder no território.
Segundo as autoridades de saúde de Gaza, a guerra matou mais de 74 mil palestinos desde outubro de 2023.
As divergências entre Eisenkot e Netanyahu, portanto, concentram-se na condução do governo, nas alianças políticas e nas estratégias de segurança, sem representar necessariamente uma mudança nas posições de Israel sobre a questão palestina.
Netanyahu enfrenta desgaste após guerras em Gaza, Líbano e Irã
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de 77 anos, chegou às eleições após quase 19 anos acumulados no comando do governo israelense ao longo das últimas três décadas.
Desde 2009, seus adversários conseguiram afastá-lo da chefia do Executivo apenas uma vez, depois de uma sequência de quatro eleições inconclusivas realizadas em dois anos.
Netanyahu recuperou o poder cerca de 18 meses depois e formou uma coalizão com partidos religiosos e de extrema direita.
A eleição desta terça-feira ocorreu em meio ao debate sobre a responsabilidade do governo pelas falhas de segurança que antecederam os ataques de 7 de outubro de 2023.
Naquele dia, combatentes liderados pelo Hamas mataram aproximadamente 1.200 pessoas em Israel e capturaram 251 reféns, segundo os números apresentados pelas autoridades israelenses.
A resposta militar de Israel provocou uma guerra em Gaza e foi acompanhada por confrontos com o Hezbollah no Líbano e ataques contra o Irã.
O primeiro-ministro defende sua atuação ao argumentar que as operações militares enfraqueceram organizações e governos que considera ameaças à segurança israelense.
Entre os resultados apresentados por Netanyahu estão os assassinatos de lideranças do Hamas, do Hezbollah e do Irã.
As operações também contribuíram para o isolamento internacional de Israel e intensificaram críticas às políticas de seu governo.
Apoio de Trump marcou campanha de Netanyahu
A campanha de Netanyahu contou com o apoio do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aliado do primeiro-ministro israelense durante a guerra contra o Irã.
A relação entre os dois governos integrou o debate eleitoral sobre segurança nacional e política externa, em um momento de consequências militares e diplomáticas dos conflitos no Oriente Médio.
Netanyahu também chegou à eleição enfrentando acusações de corrupção relacionadas a processos judiciais anteriores. O primeiro-ministro nega as irregularidades.
O resultado das urnas poderá influenciar tanto a continuidade de sua administração quanto o andamento das negociações políticas sobre o próximo governo.
A ausência de maioria parlamentar para os dois principais campos, entretanto, impede uma definição imediata sobre quem comandará Israel.
Resultado oficial poderá levar dias
A Comissão Eleitoral Central ainda precisa concluir a contagem dos votos e divulgar a composição definitiva do Knesset.
As pesquisas de boca de urna oferecem estimativas sobre o desempenho das legendas, mas alterações na distribuição das cadeiras podem modificar as possibilidades de formação de alianças.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, deverá consultar as lideranças partidárias depois da divulgação dos resultados para identificar quem possui condições de formar uma coalizão.
As negociações poderão se estender por semanas, especialmente se a distribuição final das cadeiras confirmar a ausência de maioria para os blocos de Netanyahu e Eisenkot.
Nesse cenário, os partidos menores e as legendas árabes terão influência sobre as articulações parlamentares, enquanto o primeiro-ministro poderá permanecer no exercício interino do cargo.
A eleição de 27 de outubro registrou participação de 77,7% dos eleitores e indicou uma redução da força parlamentar da coalizão governista. A definição do próximo governo, entretanto, dependerá da apuração oficial e dos acordos que os partidos conseguirem estabelecer no Knesset.
מדינת ישראל ניצלה היום.
או ליתר דיוק – מדינת ישראל הצילה היום את עצמה.
המדינה ניצלה היום. בנימין נתניהו וממשלתו קרסו היום, זו תבוסה גמורה. עם ישראל ניצח. אנחנו הרוב. בדמוקרטיה, הצד שהביא יותר קולות, ניצח, והוא צריך ויכול וזוהי חובתו להקים ממשלה.
המשימה ברורה: להקים ממשלה…— יאיר לפיד – Yair Lapid (@yairlapid) October 27, 2026



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