A verdade não pode ter dois pesos e duas medidas
Sou metalúrgico, ex-catequista e trabalhador de chão de fábrica de Curitiba. Não falo aqui como teólogo, falo como homem de fé, que aprendeu em casa, na igreja e no sindicato que a Bíblia cobra a mesma medida de todo mundo, seja pastor, padre, bispo, trabalhador, político, homem, mulher, jovem ou idoso. A Bíblia não tem dois pesos. Ela condena a mentira, o roubo, o engano e o falso testemunho para todos, sem exceção, e quem usa o nome de Deus para mentir, enganar e fazer injúria vai prestar contas a Ele. Está escrito, e não sou eu que estou inventando, está lá para quem quiser pesquisar no Google ou perguntar para seu pastor, para seu padre. Deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo, Efésios 4,25. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo, Êxodo 20,16. Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que agem fielmente são o seu deleite, Provérbios 12,22. Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos, Colossenses 3,9. Não julgueis para que não sejais julgados, Mateus 7,1. E ainda, pelos seus frutos os conhecereis, Mateus 7,16. É muito claro. Por isso, eu defendo aqui que a transparência tem que ser cobrada com o mesmo critério, com a mesma régua, para todo mundo, de quem a gente gosta e de quem a gente não gosta, sem passar pano e sem transformar suspeita em condenação antecipada.
Nos últimos dias, o Brasil inteiro acompanhou a discussão sobre a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos candidatos à Presidência. No dia 20 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral um requerimento autorizando a quebra dos seus sigilos dos últimos oito anos, incluindo os da primeira-dama Janja e dos seus cinco filhos, Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís, Sandro Luís e Luís Cláudio, e os de uma empresa ligada a ele, a L.I.L.S. Palestras. A autorização foi condicionada à mesma providência pelo senador Flávio Bolsonaro, incluindo pai, mãe, esposa e irmãos, e empresas ligadas, incluindo offshore citada no documento. No dia seguinte, muita gente perguntava se o outro lado ia aceitar. Hoje, dia 22 de outubro, as duas campanhas assinaram um acordo mútuo para a abertura imediata, total e simultânea dos sigilos, incluindo parentes próximos, documento que foi protocolado no TSE e entregue ao relator, ministro André Mendonça, para requisitar os dados a bancos e operadoras. É um passo importante e precisa ser explicado direito para o povo não ser enganado por fake news. Autorização voluntária para divulgar informações é diferente de quebra de sigilo determinada pela Justiça. Autorizar não quer dizer que, no dia seguinte, está tudo escancarado na internet. Cabe agora ao TSE avaliar o alcance, os limites, o tempo e a forma de divulgação à população, por meio do DivulgaCandContas ou outro portal público. E é aqui que entra a maturidade que a Bíblia nos ensina.
Não aceitar um desafio político na hora, por si só, não prova que alguém mentiu, roubou ou cometeu crime. Assim como aceitar abrir não prova automaticamente inocência. O que prova é investigação séria, com prova, com documento, com devido processo legal. O que não podemos aceitar é o jogo do sigilo de 100 anos, o jogo de entrar na Justiça para esconder e depois posar de honesto. Quem não deve não teme. Quem fala a verdade não tem medo de mostrar extrato bancário. O povo trabalhador sabe disso. Quando a gente trabalha certinho, a gente mostra o contracheque, mostra o ponto, mostra a conta. Não tem medo. Por isso, meu voto no dia 26 é 13, voto no Lula, porque vi com meus olhos o que foi feito para o trabalhador, mais emprego com carteira, mais SUS, mais remédio popular, mais médico, mais vacina, mais escola técnica, mais comida na mesa, sem precisar usar o nome de Deus em vão e sem viver de mentira, ódio e injúria. O voto é seu, é livre e ninguém tem que mandar no seu voto, mas vote com consciência, com a Bíblia na mão e com a verdade no coração, olhando os frutos, porque, no final, é pelos frutos que a gente conhece a árvore.

Falta de empatia e bullying de Flávio: indecisos decidem votos pró-Lula
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A irresponsabilidade e a perversão da maioria evangélica ao apoiar Flávio Bolsonaro