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Lula cobra explicações de Flávio Bolsonaro sobre Bolsa Família, licença-maternidade e SUS

24.10.2026 5 min read

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre suas posições em relação ao Bolsa Família, à ampliação da licença-maternidade e ao Sistema Único de Saúde (SUS), durante o debate presidencial realizado pela TV Globo na sexta-feira (23). Segundo relato publicado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Lula também questionou a proposta econômica do adversário, especialmente os cortes orçamentários e as medidas anunciadas para enfrentar o endividamento das famílias.

Um dos principais embates ocorreu quando Lula perguntou por que Flávio havia chamado o Bolsa Família de “Bolsa Farelo” e votado contra a ampliação da licença-maternidade quando exercia mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Para o presidente, essas posições revelam “falta de respeito com o povo pobre”.

De acordo com o PT, Flávio não respondeu diretamente à cobrança sobre o Bolsa Família. O partido também afirma que o senador apagou publicações antigas nas redes sociais nas quais criticava o programa de transferência de renda.

Flávio admite arrependimento por voto contra licença-maternidade

Lula retomou uma cobrança que já havia feito ao adversário em debate anterior, na TV Bandeirantes, sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade.

Segundo o presidente, Flávio foi o único deputado estadual do Rio de Janeiro a votar contra a medida. Lula questionou o que motivou a posição do senador e sua relação com a defesa dos direitos das mulheres.

Flávio reconheceu que se arrepende do voto e justificou sua mudança de posição afirmando que, depois de se casar e ter filhas, passou a compreender melhor a importância da convivência familiar.

Lula contestou o argumento e lembrou que o adversário teve a oportunidade de apoiar a ampliação do benefício quando exercia o mandato parlamentar.

“Ele teve a chance de votar para aumentar a licença-maternidade e ele não votou. Agora que ele é candidato, […] ele vem aqui dizer ‘Ah, agora eu vou votar’. Ele não votou quando podia votar”, afirmou o presidente.

Lula questiona se Flávio pretende privatizar o SUS

Outro momento do debate foi dedicado ao futuro do Sistema Único de Saúde. Lula cobrou do adversário uma posição clara sobre a manutenção do caráter público e universal do sistema.

O presidente também criticou a condução da pandemia de covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro, mencionando o atraso na aquisição de vacinas e declarações do ex-presidente que, segundo Lula, desestimularam a imunização da população.

Ao abordar uma proposta de redução de R$ 250 bilhões nas despesas públicas atribuída à economista Daniela Marques, integrante da equipe econômica de Flávio, Lula questionou quais políticas seriam afetadas pelos cortes.

“Você vai privatizar o SUS? É isso que vocês querem fazer?”, perguntou.

Segundo o relato do PT, Flávio não respondeu diretamente à pergunta sobre uma eventual privatização e preferiu criticar os investimentos do atual governo na área da saúde.

Presidente destaca expansão do ensino superior e inclusão social

Na discussão sobre educação, Lula defendeu o legado de seus governos na ampliação do acesso ao ensino superior e nas políticas de inclusão social.

“Ainda falta muita coisa a fazer, mas se pegar todos os presidentes da República e for ver quem fez mais política de inclusão social, todos juntos não fizeram o que nós fizemos em 16 anos. E disso eu tenho muito orgulho”, declarou.

O presidente também relacionou o crescimento econômico à valorização do salário mínimo, defendendo que parte dos ganhos de produtividade e da expansão da economia seja distribuída aos trabalhadores.

“É por isso que o salário mínimo cresceu no nosso governo, porque quando o PIB cresce, […] o que antigamente ficava só para os magnatas, agora nós estamos dando para as pessoas mais humildes um pedacinho desse bolo que cresceu”, afirmou.

Lula acusa Flávio de copiar proposta de renegociação de dívidas

O endividamento das famílias também provocou divergências entre os candidatos. Flávio Bolsonaro defendeu um programa de compra e refinanciamento de dívidas para aliviar o orçamento dos brasileiros.

Lula respondeu que seu governo já havia encaminhado medidas nessa direção e citou o Desenrola Brasil 3.0, apresentado como uma nova etapa de renegociação de débitos, com descontos que, segundo o PT, podem chegar a 95%.

O presidente também relacionou o endividamento das famílias ao arrocho salarial durante o governo Bolsonaro e ao patamar elevado dos juros. Lembrou que conviveu durante parte de seu mandato com Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro para presidir o Banco Central.

Para Lula, a retomada do crescimento econômico, a geração de empregos e a valorização dos salários são elementos fundamentais para reduzir o peso das dívidas.

“A dívida vai baixar porque a economia vai crescer”, afirmou.

Pacote para MEIs também entrou no confronto

Lula mencionou ainda a legislação sancionada na quinta-feira (22), que, segundo o relato do PT, integra o pacote Prospera MEI e prevê perdão de dívidas de microempreendedores individuais com a União, além da ampliação do limite anual de faturamento da categoria.

As medidas, de acordo com o partido, têm potencial para beneficiar 17,6 milhões de empreendedores.

Ao comparar as iniciativas do governo com as propostas apresentadas pelo adversário, Lula acusou Flávio de reproduzir medidas já adotadas ou anunciadas por sua administração.

“Ele fica copiando o que eu faço pra ficar dizendo ‘Olha o que eu vou fazer’”, declarou.

O debate ocorreu a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), em um cenário de disputa apertada entre os dois candidatos.

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