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Ativistas protestam em Londres contra a Meta e denunciam censura eleitoral

23.10.2026 9 min read

247 – Ativistas brasileiros e britânicos realizaram uma série de intervenções com projeções luminosas em Londres para denunciar supostas interferências da Meta nas eleições presidenciais brasileiras e alertar sobre os riscos que associam à possível eleição presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL). A mobilização, divulgada nesta sexta-feira (23), antecede um protesto marcado para sábado (24), em frente ao escritório da multinacional na capital britânica. Manifestantes acusam a empresa estadunidense de restringir publicações e contas de apoiadores do presidente Lula (PT), incluindo perfis que divulgam informações jornalísticas e denúncias envolvendo o clã bolsonarista.

A Meta é responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp. Segundo comunicado da Aliança pela Soberania e Democracia Brasileira, responsável pela divulgação das imagens e da convocação para o ato em Londres, as medidas da gigante de tecnologia comprometem o acesso à informação e exige que a companhia respeite a soberania brasileira durante o processo eleitoral. A Meta nega favorecimento político e atribui problemas identificados em suas plataformas a falhas técnicas.

As intervenções ocuparam espaços públicos de Londres, incluindo áreas próximas ao Parlamento britânico. Os organizadores utilizaram fachadas de edifícios e estruturas urbanas para projetar mensagens sobre a atuação das plataformas digitais e as consequências políticas que atribuem a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro.

Uma das imagens mostra a logomarca da Meta acompanhada da expressão “NÃO SE META!”, em letras pretas sobre fundo amarelo. A mensagem aparece na fachada de um edifício londrino, enquanto veículos circulam pela rua durante a noite.

Outra projeção, realizada nas proximidades do Parlamento britânico, exibe o pedido “Abre o sigilo de Flávio”, acompanhado de uma imagem do senador. A intervenção levou para o centro da capital britânica uma cobrança dirigida ao candidato do PL na reta final da campanha presidencial.

Uma terceira imagem utiliza uma composição satírica que reúne representações de Flávio Bolsonaro e do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante do Parlamento britânico. A projeção contém a frase “SENTA! FICA! BOM GAROTO! MERECE UM OSSO!”, acompanhada de uma tradução em inglês e de uma referência à expressão “fila do osso”.

Protesto contra a Meta terá concentração neste sábado

Os organizadores convocaram uma manifestação para sábado (24), às 13h, no endereço 12 Lewis Cubitt Walk, N1C 4DY, em Londres. O local servirá como ponto de encontro para uma caminhada até o escritório da Meta na capital britânica.

O chamado para a mobilização recebeu o título de “PROTESTO DE EMERGÊNCIA!” e apresenta uma denúncia contra as restrições que, segundo os participantes, atingiram conteúdos políticos e jornalísticos favoráveis ao presidente Lula.

“META vem interferindo em nossas eleições, bloqueando conteúdos e contas de apoiadores do Lula, inclusive contas de teor jornalístico com denuncias sérias sobre a familia Bolsonaro, restringindo nosso direito ao acesso à informação e interferindo em nosso processo democrático”, afirma o comunicado.

A convocação também relaciona a atuação da multinacional à necessidade de preservar a autonomia das instituições brasileiras diante de empresas estrangeiras que controlam serviços de comunicação utilizados por milhões de pessoas.

“Não podemos permitir que uma empresa estadunidense interfira no processo eleitoral de um País soberano”, acrescentam os organizadores.

A manifestação ocorre na véspera da votação presidencial de domingo (25), quando os eleitores brasileiros decidirão o resultado do segundo turno. Para os participantes, o período exige atenção às decisões das plataformas digitais que possam afetar a circulação de informações sobre os candidatos.

Ativistas denunciam riscos à soberania brasileira

Além dos questionamentos à Meta, as projeções fazem parte de uma mobilização internacional de grupos que se opõem ao retorno da família Bolsonaro à Presidência da República.

No comunicado divulgado em Londres, os ativistas afirmam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia ter consequências para a soberania nacional e para as políticas econômicas, sociais e ambientais do Brasil.

Os participantes também associam o resultado eleitoral brasileiro a debates internacionais sobre democracia, meio ambiente e concentração de poder político e econômico. Na avaliação dos organizadores, as decisões do próximo governo poderão produzir efeitos além das fronteiras nacionais.

A presença dessas mensagens em Londres procura ampliar a repercussão internacional das denúncias. Os manifestantes escolheram pontos de circulação pública e áreas próximas a instituições britânicas para chamar a atenção sobre a disputa presidencial brasileira.

Questionamentos chegam aos Estados Unidos e à Europa

As denúncias sobre a atuação da Meta também alcançaram autoridades estrangeiras. Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders e outros 12 deputados democratas encaminharam uma carta ao presidente da empresa, Mark Zuckerberg, cobrando explicações sobre possíveis restrições à campanha de Lula.

Os parlamentares questionaram episódios envolvendo anúncios eleitorais, mecanismos de recomendação de conteúdo e diferenças no tratamento de publicações políticas. Também solicitaram informações sobre as regras de moderação e a possibilidade de auditorias independentes.

Na Europa, brasileiros organizaram manifestações diante de escritórios da Meta e promoveram atos em diferentes cidades. Em Paris, um coletivo encaminhou uma carta aberta a autoridades francesas e instituições europeias para solicitar acompanhamento dos efeitos das plataformas digitais sobre processos eleitorais.

Em Londres, brasileiros já haviam participado de uma manifestação em defesa da democracia brasileira no domingo (18), na Parliament Square. O ato reuniu movimentos sociais e contou com a participação do deputado britânico Jeremy Corbyn.

Denúncias de bloqueios e falhas

A Meta enfrenta novos questionamentos sobre sua atuação nas eleições presidenciais de 2026. Denúncias de bloqueios de contas, remoções de publicações e restrições à circulação de conteúdos políticos levaram o Ministério Público Federal (MPF) a cobrar esclarecimentos da empresa. A controvérsia ganhou força nesta semana, após episódios envolvendo apoiadores de diferentes candidatos e o reconhecimento, pelo Comitê de Supervisão da companhia, de problemas no tratamento de materiais eleitorais.

De acordo com informações da CNN Brasil, as reclamações sobre a atuação da multinacional cresceram desde o início da campanha. Organizações da sociedade civil, produtores de conteúdo e representantes políticos questionam decisões de moderação que atingiram perfis e publicações. A Meta rejeita as acusações de favorecimento eleitoral e sustenta que aplica critérios uniformes aos conteúdos publicados em suas plataformas.

MPF exige transparência sobre bloqueios e remoção de conteúdos

O Ministério Público Federal encaminhou, na quarta-feira (21), uma recomendação à Meta para que a empresa apresente providências destinadas a garantir a liberdade de expressão e a transparência na aplicação de suas regras durante o período eleitoral.

O órgão estabeleceu um prazo de 48 horas para a companhia informar se pretende atender às recomendações e explicar quais ações adotará. Também concedeu 30 dias para a apresentação de um relatório com os resultados das providências.

Entre as exigências, o MPF pediu que a empresa evite suspender contas ou retirar publicações sem justificativas específicas previstas na legislação ou nas condições de uso. A recomendação também busca impedir restrições arbitrárias à circulação de informações.

As investigações começaram após entidades ligadas à transparência e à tecnologia relatarem um aumento nas punições aplicadas pela Meta desde setembro. Os casos envolveriam estudantes, organizações sociais, jornalistas, comentaristas políticos e usuários comuns.

O MPF solicitou esclarecimentos à empresa em 14 de outubro. Em sua resposta, a Meta informou que sistemas automatizados haviam bloqueado mais de 200 mil perfis, aplicando regras relacionadas ao silêncio eleitoral e à identificação de conteúdos políticos com rostos produzidos por inteligência artificial.

O Ministério Público considerou insuficientes as informações apresentadas. Segundo o órgão, muitos usuários enfrentaram restrições sem explicações individualizadas, enquanto outros receberam classificações relacionadas a infrações graves, incluindo terrorismo e exploração sexual infantil, mesmo quando essas categorias não correspondiam às publicações.

Meta retira vídeo de MC Cabelinho sobre Flávio Bolsonaro

A controvérsia ganhou um novo episódio na quinta-feira (22), quando a Meta retirou do ar uma publicação do cantor MC Cabelinho, produzida em parceria com o portal Revelando.

O material tratava de uma acusação envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. O vídeo abordava a suspeita de que o parlamentar teria ocupado um cargo sem exercer suas funções no gabinete de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando tinha 19 anos.

Na publicação, o artista direcionava o público para a reportagem integral, disponível no YouTube. Após a remoção, MC Cabelinho questionou a decisão da plataforma e recebeu uma justificativa relacionada à possível utilização de inteligência artificial.

A empresa explicou que seus mecanismos identificaram sinais de uso da tecnologia no arquivo. Segundo a Meta, as normas aplicáveis ao período eleitoral restringem a circulação de determinados conteúdos produzidos com inteligência artificial nas 72 horas anteriores à votação, durante o pleito e no dia seguinte.

A companhia também reconheceu a possibilidade de que programas utilizados na edição audiovisual tenham provocado a classificação automática, mesmo sem o emprego da tecnologia para criar ou alterar artificialmente as informações apresentadas.

“Vale reforçar que muitos aplicativos de edição de imagem, vídeo e áudio usam recursos de IA e incorporam ao arquivo um sinal padrão da indústria indicando esse uso. A Meta lê esses sinais automaticamente e, para cumprir a determinação, indisponibiliza esses conteúdos no Brasil. Essas publicações voltam a ficar visíveis no país após o período definido pelo TSE”, informou a empresa.

Depois da retirada, o cantor, o portal Revelando e outros veículos divulgaram novamente a gravação. As novas publicações não receberam a identificação de conteúdo produzido por inteligência artificial.

Nikolas Ferreira também questiona restrição no Instagram

As reclamações sobre o funcionamento das plataformas também partiram de integrantes da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na terça-feira (20), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) relatou dificuldades relacionadas à publicação de um vídeo em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O parlamentar afirmou que seguidores não conseguiam compartilhar o conteúdo por meio dos stories do Instagram. Posteriormente, a gravação perdeu o áudio que acompanhava as imagens.

O vídeo reunia depoimentos de moradores do Nordeste favoráveis ao candidato do PL e utilizava uma música interpretada pelos artistas Rubel e Xande de Pilares.

A Meta informou que retirou o som após receber uma solicitação fundamentada em direitos autorais. O deputado atribuiu o episódio a Rubel e acusou o cantor de ter recorrido à Sony Music Brasil para impedir a circulação da trilha sonora.

O artista, que declarou apoio à reeleição de Lula por meio de uma publicação nas redes sociais, divulgou uma fotografia para manifestar sua preferência eleitoral.

Posição do comitê da Meta

Na terça-feira (20), a Meta também encaminhou esclarecimentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para contestar acusações de que estaria favorecendo candidatos ou descumprindo determinações da Justiça Eleitoral.

A companhia afirmou que utiliza critérios equivalentes para distribuir conteúdos políticos, independentemente da candidatura beneficiada. Também destacou medidas de controle sobre anúncios, incluindo mecanismos de autorização destinados a limitar a veiculação de propaganda eleitoral paga.

No mesmo dia, o Comitê de Supervisão da Meta apresentou críticas ao funcionamento dos sistemas de moderação durante a campanha presidencial brasileira.

O colegiado reconheceu a existência de “falhas recorrentes” no controle de conteúdos relacionados às eleições e questionou o tratamento aplicado às contas de publicidade do presidente Lula.

Em manifestação pública, os copresidentes do Comitê avaliaram que o episódio envolvendo os anúncios do petista demonstrou deficiência nos procedimentos internos da empresa.

Os integrantes do órgão defenderam que a situação deveria ter passado pela avaliação de profissionais especializados, em vez de depender dos mecanismos que conduziram às restrições questionadas.

O reconhecimento desses problemas ocorreu enquanto a Meta respondia às cobranças do Ministério Público Federal e do TSE. A empresa mantém sua posição de que não privilegia candidaturas, mas enfrenta pedidos de maior transparência sobre os critérios utilizados para bloquear contas, retirar publicações e controlar a circulação de conteúdos políticos durante as eleições.

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