Juiz de Fora recebe Lula com grito de bora virar
Nesta sexta-feira Juiz de Fora sextou mais cedo, para esperar o presidente Lula. Quem apareceu no horário marcado para a concentração, às 10h, foi uma chuva rala, mas persistente. Logo passou, trazendo para a rua uma enxurrada de pessoas vestidas de vermelho. Quando não uma camiseta, um lenço, um chapéu, um boton, mas algum acessório era obrigatório.
A área escolhida para a arrancada com Lula foi o início da Avenida Getúlio Vargas – a maioria das cidades têm uma -, que pareceu pequena para um povo que ia e vinha com cartazes e faixas com os dizeres mais diversos. “Lula, o meu filho é médico graças a você”, se esticava um senhor, com um Lula barbudo no peito, para exibir na cartolina o que lhe ia na alma: gratidão. Universitários foram buscar em Guimarães Rosa a palavra de ordem que levaram para a avenida: “O que a vida quer da gente é coragem. Vamos virar”, dizia a faixa empunhada por eles. “Vamos despachar o filho do capeta”, avisava um outro, também improvisado por um grupo de rapazes jovens, que se agitavam em uma das esquinas, escoadouro da leva de gente. Vinham de todo canto, como se a vida naquele dia só tivesse espaço naquele palco, por onde Lula desfilaria. Juiz de Fora se mudou para a rua e o grito era um só: “bora virar!”.
A princípio o povão esperou ordeiro, contido por grades de aço atrás das quais pulavam e cantavam: “era só mais um Silva”, mas aquele Silva tem a cara de toda aquela gente. Jovens fortinhos imitaram o “gato da Paulista” e vestiram apenas calça cinza de moletom, com a camiseta vermelha servindo de balaclava. Não fizeram o sucesso do original, mas eram chamados a fazer selfies.
O deputado Janones, o general do “exército do Lula”, regia o coro de “Lula! Lula”, e não dava conta de tantas selfies. Foi aclamado pela multidão.
Às 14h06 o grito mais esperado: “Lula chegou”. E aí, não houve segurança que contivesse a onda de gente que se precipitou para perto da camioneta onde Lula, de camisa vermelha e chapéu Panamá, se encarapitou. Parecia letra do samba de João Bosco: “Não põe corda no meu bloco”. Adeus grades. Era povo e uma profusão de mãos que só queriam agarrar um pouco do Lula contido no grito e no coro: “Lula! Lula!”.
Do alto do trio-elétrico, destinado para a mídia, era difícil conter a emoção daquele mar de mãos, gritos e agito. De onde estava, com a camionete já em movimento, Lula comandava a massa, mandava recado aos trabalhadores, lembrou da conquista do fim da escala 6 X 1, provocando mais gritos. Na marquise, as camareiras de um hotel deixaram os seus afazeres para gritar para Lula a sua alegria pelo fim da jornada exaustiva. De uniformes, engrossavam o coro: “bora virar”.
Visivelmente adoentada, uma idosa achou energia para chegar na janela e agitar um paninho vermelho, na direção do cortejo. Por onde passava o arrastão da virada movimentava mais pessoas, que saíam dos seus postos de trabalho e gritavam pelo presidente. A equipe de um salão de beleza, os atendentes das lojas, os moradores, vieram gritar pela soberania, muito aplaudida quando mencionada por Lula.
Lula discursava, mandando recado a Cleitinho, o senador eleito para o governo do estado de Minas. “Pode ficar tranquilo que vamos nos entender, basta ele querer conversar”, dizia Lula, acompanhado da prefeita Margarida Salomão, efusivamente aplaudida quando ele falava o seu nome. Lula pedia que o DJ pusesse música, e o povo cantava junto. Ainda lembrou que o sindicalista Clodesmidt Riani estaria fazendo 106 anos neste dia, e foi dele a luta pela instituição do salário-mínimo, arrancando mais aplausos e gritos da cidade que homenageava o filho ilustre, hoje nome da praça para onde o cortejo se dirigiu, encerrando a caminhada.
Havia sol e calor quando Lula desceu da camioneta que o conduziu para entrar na van que o levaria de volta ao aeroporto, para seguir para a cidade de Ipatinga (vale do aço), onde teria compromisso no final da tarde. Deixou atrás de si o grito de: “bora virar”. Não sem antes agradecer ter tido ali, em Juiz de Fora, vitória em todas as eleições que concorreu. Que sejam ventos de bom augúrio.



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