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Julgada pela morte de ex-namorado e suspeita de elo com chefe do PCC: quem é a delegada do Pará presa no DF

16.10.2026 5 min read

247 – A delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto foi presa nesta quinta-feira (15), em Brasília, durante uma operação que investiga o fornecimento de informações confidenciais ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A policial é suspeita de receber dinheiro para repassar dados sigilosos e oferecer proteção institucional a integrantes da facção criminosa. Segundo reportagem de O Globo, assinada pelo jornalista Kaio Magalhães, Maria Virgínia também esteve envolvida em um processo pela morte de um ex-namorado, ocorrida em 2003, mas acabou absolvida pelo Tribunal do Júri em 2010.

A prisão ocorreu no Setor Hoteleiro Norte, na capital federal, durante a Operação Sinalagma, coordenada pela Polícia Civil de Pernambuco, com apoio da Polícia Civil do Pará e participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). De acordo com o Ministério Público do Pará (MPPA), as investigações apontam possíveis pagamentos à delegada em troca de informações sobre atividades policiais e de facilidades oferecidas a integrantes da organização criminosa.

Uma das principais suspeitas envolve a relação da policial com Renato Henrique do Carmo, conhecido como Gordão, identificado pelas autoridades como uma das lideranças do PCC na região de Muro Alto, em Ipojuca, no litoral de Pernambuco.

Gordão foi preso em janeiro de 2025, durante uma fase anterior da Operação Sinalagma. Os investigadores apuram a natureza dos vínculos entre ele e Maria Virgínia, além da possibilidade de utilização de informações obtidas dentro da estrutura policial para beneficiar integrantes da facção.

Delegada foi absolvida em julgamento por morte de ex-namorado

Antes de se tornar alvo da investigação sobre possíveis vínculos com o PCC, Maria Virgínia respondeu a uma acusação de homicídio relacionada à morte de seu ex-namorado, Heldenilson Costa Holanda, que trabalhava como inspetor da Polícia Civil.

O caso ocorreu em Belém, em 2003. Durante interrogatório realizado em abril de 2004, a delegada negou envolvimento na morte e afirmou que o ex-companheiro havia tirado a própria vida.

O processo chegou ao Tribunal do Júri em março de 2010, sete anos depois do episódio. Durante o julgamento, foram ouvidas três testemunhas de acusação e cinco de defesa, além da análise de laudos periciais relacionados às circunstâncias da morte.

As informações sobre o processo foram divulgadas originalmente pelo jornal Diário do Pará e confirmadas por O Globo.

Na ocasião, o próprio representante do Ministério Público pediu a absolvição da acusada, por entender que as provas apresentadas não eram suficientes para sustentar uma condenação por homicídio.

A defesa também argumentou que Maria Virgínia não havia cometido o crime. Após analisar os elementos reunidos no processo, os jurados decidiram absolvê-la por maioria dos votos.

Investigação apura corrupção e proteção a integrantes da facção

Na atual investigação, as autoridades suspeitam que a delegada tenha utilizado sua posição na Polícia Civil para favorecer integrantes do PCC mediante o recebimento de vantagens financeiras.

Segundo o Ministério Público do Pará, existem indícios de que informações protegidas por sigilo funcional tenham sido compartilhadas com membros da organização criminosa. A apuração também envolve suspeitas de proteção institucional, expressão utilizada pelos investigadores para descrever possíveis benefícios decorrentes da atuação da policial.

A investigação identificou ainda indícios de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. Entre as práticas sob apuração estão o uso de documentos falsos, empresas e contas bancárias registradas em nome de terceiros para movimentar recursos e dificultar a identificação de sua origem.

Os investigadores buscam estabelecer se essas operações financeiras estavam relacionadas aos supostos pagamentos recebidos em troca de informações e eventuais favorecimentos.

A depender das conclusões do inquérito, Maria Virgínia poderá responder por corrupção, violação de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa, além de outras infrações eventualmente identificadas.

Operação envolveu dados financeiros e monitoramento de comunicações

A Operação Sinalagma é resultado de uma investigação conduzida ao longo de seis meses, com participação de diferentes órgãos de segurança pública.

Durante esse período, as equipes reuniram informações de inteligência, dados telemáticos e Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

O cruzamento dessas informações permitiu aos investigadores identificar possíveis conexões entre os suspeitos, movimentações financeiras consideradas relevantes para a apuração e indícios de compartilhamento de dados sigilosos.

A atuação conjunta das polícias civis de Pernambuco e do Pará buscou reunir elementos sobre a estrutura de relacionamento entre agentes públicos e integrantes da organização criminosa.

Mandados foram cumpridos em quatro cidades

Além da prisão de Maria Virgínia, a operação desta quinta-feira incluiu o cumprimento de dois mandados de prisão e 11 mandados de busca e apreensão, distribuídos entre Recife, Belém, São Paulo e Brasília.

Na capital paraense, policiais realizaram buscas em dois endereços ligados à delegada. Um deles foi sua residência, enquanto o outro foi seu gabinete na Divisão de Polícia Administrativa (DPA), localizada na sede da Delegacia-Geral da Polícia Civil do Pará.

As diligências tiveram como objetivo recolher documentos, equipamentos e outros materiais que possam contribuir para esclarecer as suspeitas investigadas.

A Polícia Civil e o Ministério Público também apuram a eventual participação de outras pessoas no esquema, especialmente em atividades relacionadas à circulação de informações confidenciais e à movimentação de recursos financeiros.

A prisão da delegada integra uma nova etapa das investigações sobre possíveis relações entre integrantes do PCC e agentes públicos. As suspeitas ainda dependem da conclusão do inquérito e de eventual análise judicial sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.

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