Presidente da CUT, Sérgio Nobre denuncia censura e bloqueio de conta no Instagram
247 – O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, denunciou nesta quarta-feira (14) que o Instagram bloqueou sua conta e removeu 18 publicações e comentários relacionados a manifestações populares e declarações de apoio eleitoral. Em relato divulgado nas redes sociais, o sindicalista acusou a plataforma de praticar censura política e afirmou que a empresa restringiu conteúdos que reproduziam vídeos de atos realizados em diferentes cidades brasileiras, além de manifestações de artistas e personalidades sobre a eleição presidencial.
Segundo Sérgio Nobre, o Instagram justificou a retirada das publicações com a alegação de que os conteúdos apresentavam informações falsas. O presidente da CUT contestou a avaliação e sustentou que os vídeos mostravam acontecimentos reais, inclusive registros que veículos de comunicação também divulgaram. Ele classificou a atuação da plataforma como uma tentativa de limitar a circulação de manifestações políticas no ambiente digital.
“Nesta quarta-feira, 14, tive a minha conta do Instagram bloqueada e 18 posts e comentários derrubados arbitrariamente, sob a alegação falsa de que eram “notícias e não verdades” (sic)”, afirmou o dirigente.
Nobre explicou que parte das publicações reunia imagens de manifestações em cidades e capitais do país. De acordo com seu relato, outros conteúdos apresentavam posicionamentos eleitorais de artistas e figuras públicas, sem alterações nas declarações originais.
“Entre as postagens estavam à reprodução de vídeos reais, publicados inclusive por páginas de notícias, de manifestações populares legítimas realizadas em diversas cidades e capitais do país. Também derrubaram vídeos que repostei de artistas e personalidades declarando voto ao candidato que esses perfis acreditam ser o melhor nome para governar o país”, declarou.
Presidente da CUT acusa Instagram de censura política
Na avaliação de Sérgio Nobre, a moderação das publicações apresenta um viés político. O sindicalista afirmou que as restrições atingem conteúdos associados ao campo político que representa, enquanto, segundo ele, perfis vinculados à extrema direita continuam a atuar sem obstáculos equivalentes. “Uma censura direcionada e partidária, que tem lado e não é o nosso”, criticou.
O dirigente também relatou problemas em outra conta, na qual afirma enfrentar limitações para publicar conteúdos religiosos. Segundo ele, as restrições chegaram a atingir referências a Nossa Senhora Aparecida.
“Também tive postagens censuradas em conta vizinha, onde não posso nem sequer escrever ‘Nossa Senhora Aparecida’”, afirmou.
As acusações apresentadas pelo presidente da CUT expressam sua avaliação sobre as decisões de moderação do Instagram. O relato não apresenta informações sobre os critérios específicos que a plataforma utilizou para remover cada conteúdo nem comprova a existência de uma orientação partidária por parte da empresa.
Sérgio Nobre relaciona episódio às eleições presidenciais
Ao comentar as restrições, Nobre estabeleceu uma relação entre o episódio e acontecimentos registrados durante as eleições presidenciais de 2022.
O dirigente mencionou as operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Nordeste, que provocaram denúncias de interferência no deslocamento de eleitores durante o segundo turno daquele pleito.
Na avaliação do presidente da CUT, as restrições nas redes sociais representam outra forma de interferência na participação política da população.
Nobre também fez referência à condenação e à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por sua participação na trama golpista.
“Em 2022, no governo do ex-presidente, que hoje está condenado e preso por tramar um golpe de estado, o dia das eleições foi marcado pela ação ilegal de policiais rodoviários barrando eleitores nas estradas do Nordeste para impedir que eles votassem em candidato que escolheram, à época”, declarou.
O dirigente afirmou que a disputa política também ocorre nas plataformas digitais e acusou grupos de extrema direita de contar com vantagens financeiras e condições privilegiadas de circulação de conteúdo.
“Agora, estão tentando nos calar nas redes sociais, onde a extrema-direita trafega sem nenhuma restrição e movida a muito dinheiro e favorecimento”, disse.
Dirigente sindical defende reação às restrições nas redes
Na manifestação, Sérgio Nobre ressaltou a importância da militância política na mobilização de trabalhadores e apoiadores nas redes sociais.
Segundo ele, a atuação de seus seguidores depende do engajamento de pessoas que participam espontaneamente do debate público e da divulgação de conteúdos políticos.
“A nossa interação é movida à militância e na certeza de que estamos do lado certo da história”, afirmou.
O presidente da CUT também incentivou pessoas que enfrentam restrições semelhantes a denunciar os episódios e manter sua participação nas plataformas.
“Denunciem, insistam, resistam, persistam, não aceitem essa censura, se solidarizem com as vítimas dessa arbitrariedade digital, que tem tido respaldo de magistrados parciais”, declarou.
Ao encerrar sua manifestação, Nobre defendeu a continuidade da mobilização política e associou a liberdade de expressão à preservação das instituições democráticas.
“Vivemos em uma democracia e, com a nossa luta, seguiremos vivendo em um país sob um governo democrático”, concluiu.
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