Filha da fé: um chamado para novos tempos
Tenho um trato antigo com o tempo, em que ele me dá os anos e eu entrego a ele a minha luta, e aos 84 anos sigo cumprindo a minha parte com a juventude acumulada de quem nunca deixou de acreditar. Agora firmo com ele mais um compromisso, o de reeleger o presidente Lula.
Fui a menina que lia e escrevia as cartas da minha mãe, Maria da Conceição, lavadeira que não sabia ler, e ali aprendi o valor da palavra para quem tem tão pouco. Já mãe, conheci a fome com os meus filhos pequenos, e foi a panela da comadre, chegando em silêncio pela porta, que me ensinou que o nosso povo não abandona ninguém. Foi com esse olhar que fiz esta campanha ao Senado, ao lado do meu amigo e companheiro de jornada Manoel Severino, dirigente do nosso partido, e do pastor Kleber Lucas, suplentes que guardo com carinho.
Andei por todos os cantos do nosso estado e conversei com tantas mães que perdi as contas, mães que acordam de madrugada para pegar o trem, que criam os netos, que sustentam a casa e não se dobram. Abri mão do convívio com a minha família e guardei no peito dores muito minhas para colocar o bem comum em primeiro lugar. Uma mãe não esquece o filho que Deus levou, e foi justamente no dia do aniversário dele que precisei me preparar para o debate. Fui assim mesmo, com a saudade apertando, e enfrentei de cabeça erguida quem fala da favela sem nunca ter pisado nela. Eu vivi e senti na pele, junto dos meus, e isso ninguém me conta.
Enquanto as urnas eram apuradas, assistia a um culto em família, em paz, sabendo que o resultado estava nas mãos de Deus. Ao todo, 3.220.765 fluminenses digitaram o 131, e ninguém me diga que isso é pouco. Esses votos têm o rosto da trabalhadora doméstica, da mãe solo, do aposentado, do morador da favela, da juventude negra e do povo de fé, e coroam 42 anos de uma vida pública de coragem, de quem foi constituinte, a primeira mulher negra eleita senadora, a primeira a governar o nosso estado e pioneira na política de cotas no Brasil.
Sou filha da fé. Mantenho os olhos no alto e, se olho para trás, é para lembrar de quem confiou em mim e dos meus ancestrais, que abriram meus caminhos. Venha o que vier, permaneço de pé, guiada por Deus. O domingo não foi derrota, foi mais um motivo para seguir na luta, porque o ódio nunca vai vencer.
Não basta lembrar o que já conquistamos. O jovem quer saber se vai ter emprego de qualidade e tempo para viver, e a mãe quer saber se o filho volta para casa. O que está em jogo é o Brasil, o nosso futuro e o Rio de Janeiro. Soberania é defender as nossas riquezas, mas é também a comida no prato, a chave da casa na mão e o diploma do filho do trabalhador, e quem escuta as pessoas e quer transformar a vida delas é Lula. Do outro lado, Flávio Bolsonaro promete um tesouraço que corta direitos do povo, o mesmo pesadelo que já vivemos, com escândalos e a vacina que não chegava na pandemia. Esse retrocesso não voltará!
O presidente Lula tem dito que o voto de cada brasileiro é necessário para o futuro do país, e eu digo que o Rio de Janeiro também é necessário. Esta é a batalha final, não porque Lula ou eu vamos parar, mas porque é a mais importante das nossas vidas. Óbvia é a união do nosso partido. Óbvia é a vontade de Deus, e óbvia é a energia que tenho para reconduzir Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência.
Por isso, chamo cada um e cada uma a estar nas ruas e nas redes, que hoje são uma coisa só. Bata à porta do vizinho, converse com a família e com os irmãos de fé, estenda a mão, porque política não se faz só com os iguais, se faz também com os diferentes, e é de mão em mão que o Rio de Janeiro vai ajudar a dar ao Lula o seu tetra, que é também o do povo brasileiro.
Graças a Deus, não seremos quintal de ninguém, nem o Brasil nem o Rio de Janeiro. Eu sigo onde sempre estive, no meio do povo, para reeleger o meu companheiro, o presidente Lula. Venceremos. Vamos à luta!



Brasil Bom de Bozo – 3
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