Que lugar é esse?
“A especulação imobiliária aqui foi pedra cantada. Granito verde, saibreiras para terraplanagem, Rio-Santos sendo asfaltada, condomínios de bacanas pipocando, pescadores vendendo suas prainhas por uma Brasília, carrinho da hora, etc. etc. Isso aqui foi pro beleléu. Uma cidade comum, com um monte de lojas de roupas, sapatos, celulares, dentistas para implante de lentes de resina em cada esquina, um festival do salto alto no meio do barro, junto com terninhos pretinhos prêt-à-porter e com uma rapadura debaixo do braço, para atender ao chamado do pastor bolsonarista e a vida que segue, alagando ruas duplamente impermeabilizadas com asfalto sobre paralelepípedos, no mínimo. Por isso, Vai, Corinthians, pros quintos do inferno!”
O parágrafo acima foi um desabafo feito em uma troca de e-mails com um velho amigo de longa data sobre as mazelas semelhantes nos lugares que a gente vive e as eleições que se aproximam, com a preocupação se candidatos negacionistas e retrógrados forem eleitos, para avançarem suas garras depredadoras na ocupação dos diferentes territórios. Que lugar é esse?
“Na natureza, os materiais gerados em qualquer processo passam imediatamente a fazer parte de outros processos, numa cadeia interminável, onde nada se perde, tudo se transforma. Na cidade é diferente. De todo lugar em que haja atividade humana sai lixo; é normal. O que não é normal é a sociedade, que gera todo esse lixo, ignorá-lo após o descarte, sem dar conta de tratá-lo, causando a poluição do ambiente. (…)”. [1]
“No Brasil, as Unidades de Conservação da Natureza (UC) são áreas instituídas pelo poder público com o objetivo de proteger a fauna, flora, recursos hídricos, solos, paisagens e processos ecológicos pertinentes aos ecossistemas naturais.
Elas representam a condição básica para a conservação e perpetuação da diversidade biológica, contribuindo igualmente para a manutenção dos modos de vida das culturas tradicionais associados à proteção da natureza.” [2]
Os eleitores que irão depositar seus votos nas urnas nessa eleição de 2026 deverão ter, entre outras, essas preocupações relacionadas ao lugar onde vivem e identificar nos candidatos disponíveis se eles apresentam, claramente, esses temas nas suas propostas, porque se a boiada feroz passar vamos ter que cantar, de novo, a canção da Legião Urbana de 1987 “Que país é esse?”, com letra de Renato Russo, que diz nesse trecho inicial: “Nas favelas, no senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação / Que país é esse? / Que país é esse? / Que país é esse?”. E aí, pode ser tarde demais!



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