Lula manda avisar a Fachin que vai aumentar as críticas ao STF
247 – A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ampliar o tom crítico em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF) até o segundo turno das eleições, numa estratégia que busca desvincular o petista do ministro Alexandre de Moraes e das suspeitas envolvendo integrantes da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo informações da coluna da jornalista Marcela Mattos, do UOL, aliados de Lula procuraram o presidente do STF, Edson Fachin, para antecipar a mudança no discurso e evitar que as próximas declarações do presidente fossem interpretadas como um ataque à instituição. A mensagem transmitida a Fachin foi de que os questionamentos terão como alvo a atuação de determinados ministros.
A nova linha ficou evidente nesta segunda-feira (5), quando Lula afirmou, durante reunião com aliados, que existe uma situação de “promiscuidade” no Supremo. O presidente também procurou se apresentar como o candidato antissistema na disputa eleitoral, contrapondo-se a Flávio Bolsonaro.
“Ele é a cara do sistema. E nós não explicarmos isso para a sociedade é um grande defeito nosso. (…) E que estamos carregando uma coisa muito grave que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte Brasileira. É por isso que eu tenho falado da reforma do Poder Judiciário”, afirmou Lula.
A expectativa entre aliados é que o presidente faça novas declarações críticas ao STF nas próximas semanas. Ao comunicar Fachin previamente, integrantes do entorno de Lula buscaram deixar claro que a intenção não é confrontar o Supremo como instituição, mas questionar o comportamento individual de integrantes da Corte.
A avaliação dentro da campanha é que Lula acabou politicamente associado ao desgaste provocado pelas suspeitas relacionadas a ministros do STF e Daniel Vorcaro, banqueiro ligado ao caso Master. Entre os nomes mencionados nesse contexto está Alexandre de Moraes.
Diante desse cenário, a estratégia eleitoral passa pela tentativa de separar a imagem do presidente tanto de Moraes quanto do escândalo envolvendo o Banco Master. A mudança também procura reforçar o discurso de Lula de que são necessárias alterações na estrutura e no funcionamento do Poder Judiciário.
O presidente já vem defendendo a adoção de mandatos para ministros do STF, em substituição ao atual modelo no qual os integrantes da Corte podem permanecer no cargo até atingirem a idade da aposentadoria compulsória. Lula também passou a falar de maneira mais recorrente em uma reforma do Judiciário.
A discussão alcançou ainda o modelo de escolha dos ministros do Supremo. Em entrevista ao SBT News, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula pretende retirar do presidente da República a prerrogativa de indicar os integrantes da Corte.
Segundo Edinho, a proposta defendida pelo presidente seria transferir a participação na escolha dos ministros para a sociedade civil. A mudança representaria uma alteração profunda no atual sistema de composição do STF, cujos ministros são indicados pelo presidente da República e precisam ter seus nomes aprovados pelo Senado.



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