Lula alerta para risco de crise sem precedentes caso não consiga maioria no Senado
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou para o risco de o Brasil enfrentar uma “crise sem precedentes” caso seus aliados não consigam formar uma maioria no Senado nas eleições deste ano. A declaração foi feita na noite desta quarta-feira (23), durante o ato “Cultura com Lula”, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. As informações são do Valor Econômico.
Em seu discurso, Lula defendeu a união das forças que sustentam seu governo nas disputas estaduais pelo Senado e argumentou que divergências entre candidaturas aliadas podem favorecer adversários. A preocupação ganhou destaque depois de parte da plateia vaiar a defesa do nome de Pedro Paulo (PSD), candidato ao Senado apoiado pela aliança de Lula no Rio. A vereadora Monica Benício (Psol), também candidata, recebeu manifestações de apoio de parte do público. A Folha de S.Paulo também registrou o episódio.
“Não temos mais idade para brincar. O que está em jogo é muito sério. Se não fizermos maioria no Senado, a gente corre o risco desse país entrar numa crise sem precedentes”, afirmou Lula.
Lula defende Pedro Paulo após vaias
A tensão surgiu quando o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalieri (PSD), defendeu o voto em Pedro Paulo. Parte dos presentes vaiou a manifestação e respondeu gritando o nome de Monica Benício.
Lula reagiu posteriormente e reafirmou a importância que atribui à eleição de candidatos alinhados à sua coalizão. O presidente argumentou que a composição do Senado pode determinar as condições de governabilidade durante um eventual quarto mandato.
“Um governador de estado não cria caso com o presidente da República. Mas um senador atrapalha muito um presidente”, declarou Lula, lembrando que o mandato de senador dura oito anos.
A deputada federal Benedita da Silva (PT), que também disputa uma das duas vagas do Rio para o Senado, defendeu os acordos firmados pela coalizão. “Não existe aliança com os iguais. Aliança se faz com os diferentes”, afirmou.
Presidente cita exemplo do Rio Grande do Norte
Ao defender a concentração de esforços eleitorais, Lula recordou disputas anteriores em que a fragmentação entre forças de esquerda, em sua avaliação, acabou beneficiando candidatos adversários.
O presidente citou como exemplo o Rio Grande do Norte, onde divergências no campo progressista contribuíram, segundo sua interpretação, para a eleição de Rogério Marinho (PL) ao Senado em 2022. Marinho tornou-se posteriormente líder da oposição no Senado e atualmente coordena a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
A referência foi utilizada por Lula para sustentar que decisões tomadas nas eleições estaduais podem produzir consequências políticas durante todo o mandato presidencial seguinte.
Senado ganha peso estratégico na eleição
A preocupação de Lula com a composição da Casa ocorre em meio a uma eleição na qual estarão em disputa dois terços das cadeiras do Senado. Cada estado e o Distrito Federal escolherão dois senadores, o que torna o pleito capaz de alterar de maneira significativa a correlação de forças na Casa.
Além de votar projetos de lei e propostas de emenda à Constituição, o Senado possui atribuições exclusivas importantes. Cabe aos senadores, por exemplo, analisar indicações presidenciais para o Supremo Tribunal Federal, Banco Central e outras instituições, além de processar e julgar autoridades nos casos previstos pela Constituição.
Por isso, Lula vem atribuindo importância crescente às disputas estaduais pelo Senado nesta reta final da campanha.
O episódio no Rio também expôs uma tensão entre duas estratégias eleitorais: de um lado, setores da esquerda que defendem candidaturas próprias, como a de Monica Benício; de outro, a estratégia da coalizão de Lula, que inclui candidaturas de partidos de centro, como a de Pedro Paulo.
Ao defender publicamente os acordos políticos firmados por sua campanha, Lula deixou claro que considera a composição do próximo Senado um elemento central das condições políticas que encontrará caso seja reeleito para um quarto mandato.


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