A juventude nas ruas pode devolver a Lula o viço da vitória
Há um vigor nas manifestações estudantis em apoio a Lula que merece ser compreendido para além das imagens de multidões. Jovens que ocupam as ruas, organizam assembleias e assumem publicamente uma posição estão produzindo um acontecimento político: transformam a inquietação com o futuro em disposição para construí-lo. Essa energia pode devolver à campanha de Lula o viço de uma consciência que se renova e, com ele, a possibilidade da vitória.
A mobilização ganhou expressão imediatamente após o primeiro turno. Em 5 de outubro, estudantes da Universidade Federal Fluminense saíram do campus do Gragoatá e percorreram ruas de Niterói. No dia seguinte, a agenda divulgada pela Mídia NINJA já reunia mais de 40 assembleias, plenárias e atos em 14 estados e no Distrito Federal, com atividades previstas até 13 de outubro. O calendário compreende encontros realizados e novas convocações, revelando uma articulação que vai além das passeatas.
Em 7 de outubro, secundaristas e universitários caminharam da Candelária à Cinelândia, no Rio de Janeiro. Segundo a Agência Brasil, suas reivindicações incluíam educação pública, direitos sociais, democracia e o fim da escala de trabalho 6×1. São temas que aproximam a experiência estudantil da vida de milhões de brasileiros: estudar, trabalhar, ter tempo para viver e poder planejar o amanhã.
No dia 8, a mobilização alcançou outras cidades. A CNN registrou manifestações em São Paulo, Curitiba e Brasília, além de atividades em universidades de diferentes regiões. UNE e coletivos estudantis participaram das convocações, e a defesa da educação pública, da permanência nos estudos e do Pé-de-Meia apareceu entre as pautas.
O significado político desse movimento está na passagem da preocupação individual à ação coletiva. Quem acompanha uma eleição sozinho, diante de uma tela, pode sentir que o resultado já está decidido e que sua participação pouco importa. Ao encontrar outras pessoas dispostas a agir, percebe que possui voz e capacidade de intervenção. A presença compartilhada pode converter ansiedade em coragem e desalento em responsabilidade.
Essa mudança tem especial importância para Lula. Uma liderança com longa trajetória precisa continuar oferecendo um horizonte de futuro. Sua experiência ganha força quando encontra demandas que ainda não foram atendidas, expectativas que permanecem abertas e gerações que desejam participar das decisões. Os estudantes podem renovar esse encontro.
O rejuvenescimento de uma campanha acontece quando novas vozes passam a participar de seu sentido. Uma jovem que reivindica condições para permanecer na universidade, um estudante que trabalha e questiona a escala 6×1, um pesquisador preocupado com a continuidade de sua formação trazem problemas concretos para o debate. Com eles, o apoio eleitoral ganha conteúdo e a candidatura pode recuperar capacidade de inspirar.
Há também uma potência sociológica nessa circulação. O estudante pertence simultaneamente a diferentes espaços: instituição de ensino, família, trabalho, bairro, amizades e redes digitais. As questões discutidas numa assembleia podem chegar à mesa de uma casa e à conversa entre colegas. A defesa da universidade pública passa, assim, a dialogar com o esforço de pais e mães que desejam melhores oportunidades para seus filhos.
Esse movimento expressa uma ideia de país. Educação, ciência, trabalho digno e democracia integram a possibilidade de ascensão social e de autonomia nacional. Ao colocá-los nas ruas, os estudantes afirmam que o futuro brasileiro deve ser uma construção pública, acessível também a quem depende de políticas sociais para estudar e viver com dignidade.
A força dessa juventude inclui sua capacidade de cobrar. Apoiar Lula pode coexistir com exigir mais recursos para a educação, melhores condições de permanência e respostas às dificuldades cotidianas. Uma consciência política viva interroga, propõe e participa. A campanha se renova quando reconhece essa autonomia e permite que ela tenha consequências em seus compromissos.
Naturalmente, manifestações não permitem antecipar o resultado das urnas. A dimensão dos atos, por si só, não mede a opinião de todo o eleitorado. Seu valor está em abrir uma possibilidade: ampliar a participação, recolocar questões substantivas no debate e recuperar a confiança de que a ação democrática pode produzir mudanças.
É esse o viço de consciência que a juventude pode oferecer a Lula. A experiência histórica de uma liderança encontra a urgência de quem tem a maior parte da vida pela frente. Nesse encontro, a campanha pode voltar a falar com convicção sobre o país que ainda precisa ser construído.
Os estudantes estão tornando visível sua disposição de participar dessa construção. Sua presença pode dar à candidatura de Lula uma energia renovada, capaz de sustentar a caminhada até a vitória. Ao reivindicar o próprio futuro, essa juventude oferece ao Brasil uma razão concreta para voltar a ter esperança.


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