Extrema direita forma bancada inédita no Senado francês; direita mantém maioria
247 – O Reagrupamento Nacional (RN), de extrema direita, e seus aliados conquistaram força suficiente para formar uma bancada inédita no Senado da França após as eleições de domingo (27). A direita tradicional e o centro-direita mantiveram a maioria da Casa, enquanto o Partido Socialista (PS) preservou a posição de principal oposição. O resultado foi destacado pelo jornal L’Humanité e pelo canal parlamentar Public Sénat, que apontam o avanço da extrema-direita como a principal mudança do pleito.
A projeção mais recente do Public Sénat indica que o futuro grupo do RN e da União das Direitas pela República (UDR), partido de Éric Ciotti, poderá reunir 15 senadores. Onze foram eleitos no domingo, três já exerciam mandato e uma senadora reeleita pelo grupo dos Republicanos (LR) anunciou sua adesão. A composição ainda depende da formalização das bancadas.
As vitórias do RN e de seus aliados se concentraram em parte do sul francês, com duas cadeiras em Bouches-du-Rhône, duas no Var e duas nos Alpes-Maritimes. O campo também elegeu representantes em Vaucluse, Hérault e Gard. Fora dessa região, conquistou vagas na Gironde, com a deputada Edwige Díaz, e em Seine-Maritime. Marie-Caroline Le Pen, irmã de Marine Le Pen, disputou uma cadeira na Sarthe, mas não foi eleita.
Marine Le Pen classificou o resultado como “uma vitória histórica”. Com um grupo próprio, o RN terá mais tempo de fala, recursos e presença nas atividades parlamentares. O avanço também ocorre no último pleito senatorial antes da eleição presidencial francesa de 2027.
O crescimento da extrema direita não retirou o comando do Senado da aliança entre LR e União Centrista. Segundo projeção do Public Sénat, os Republicanos podem passar de 131 para cerca de 125 integrantes, e os centristas, de 59 para aproximadamente 57. Bruno Retailleau, do LR, foi reeleito na Vendée, enquanto Gérard Larcher, também do partido, permanece favorito à presidência da Casa. Esses números são provisórios porque os eleitos ainda precisam definir a quais grupos irão se filiar.
À esquerda, o PS deve conservar entre 63 e 65 senadores, perto dos 64 que tinha antes da votação. Com isso, segue como o segundo maior grupo do Senado e a principal força de oposição. Os comunistas tendem a manter seus 18 integrantes; já os ecologistas podem recuar dos 16 anteriores para cerca de 13.
A eleição também levou os primeiros representantes ligados à França Insubmissa (LFI) ao Senado. Gabriel Amard venceu no Ródano. Em Haute-Garonne, Marc Péré, prefeito de L’Union, foi eleito por uma lista que reuniu a LFI, os ecologistas e o Génération.s. A definição do grupo em que cada um atuará ainda integra as negociações entre os partidos de esquerda.
O pleito renovou 178 dos 348 assentos da Casa. Na França, os senadores são escolhidos indiretamente por um colégio eleitoral composto sobretudo por representantes municipais. Seus mandatos duram seis anos, com renovação de aproximadamente metade do Senado a cada três anos. As bancadas têm até 5 de outubro para apresentar suas listas de integrantes, quando a distribuição de forças ficará mais clara.



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