Adriana Vieira Lomar lança romance sobre memória, território e ficção
247 – A relação entre memória, território e identidade está no centro de Onda Cabocla, novo romance da escritora Adriana Vieira Lomar. Na obra, a paisagem ultrapassa o papel de cenário e se torna parte da história de Raquel, uma mulher que deixa a pequena vila de pescadores onde cresceu e, anos depois, encontra na escrita um caminho para revisitar suas origens, reconstruir lembranças e compreender a própria trajetória.
O livro será lançado em 5 de novembro, às 19h, na Janela Livraria, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Na ocasião, a autora participará de um bate-papo com a escritora Claudia Lage, com o tema “Paisagem, memória e ficção: de onde nasce uma história”. Após a conversa, haverá sessão de autógrafos.
Publicado pela editora Faria e Silva, Onda Cabocla articula as histórias de uma família de mulheres, as transformações de uma comunidade e as marcas de uma tragédia ambiental. Entre o rio e o mar, a narrativa aborda as experiências que moldam uma pessoa e as lembranças que permanecem mesmo depois de uma partida.
Uma história de partida e retorno
A protagonista Raquel cresce em uma vila de pescadores localizada na foz do Rio Doce, onde as águas do rio encontram o mar. Desde a infância, os livros, os estudos e a escrita representam formas de refúgio e alimentam seu desejo de conhecer outros lugares.
A trajetória da personagem é marcada por abandono, pobreza, violência e silêncios familiares, mas também por vínculos afetivos, descobertas e pela busca de uma vida diferente. Na juventude, uma bolsa de estudos a leva a Madri, onde o contato com a arte e o trabalho no Museu Reina Sofía ampliam sua visão de mundo e sua compreensão das próprias experiências.
Enquanto Raquel constrói uma vida longe de casa, a comunidade onde passou a infância enfrenta profundas transformações provocadas pelo rompimento de uma barragem. A devastação modifica o território e afeta o lugar ao qual a personagem permanece ligada, mesmo à distância.
O retorno às origens permite que Raquel reencontre as histórias das mulheres de sua família e examine as experiências que contribuíram para formar sua identidade. Nesse percurso, a escrita assume um papel central na elaboração das lembranças e na transformação do vivido em literatura.
A imagem das tartarugas que deixam o litoral e depois regressam ao mesmo lugar acompanha esse movimento de afastamento e retorno. Ao recuperar as histórias que ficaram para trás, a protagonista também percorre o caminho que a leva a se tornar escritora.
Memória, natureza e criação literária
Com linguagem poética, humor e afeto, Onda Cabocla aproxima natureza, corpo, memória e tempo. A obra explora os vínculos entre as experiências individuais e as transformações coletivas, além dos limites entre aquilo que pode ser lembrado, narrado ou silenciado.
A paisagem da infância de Raquel funciona como um espaço de recordação e transformação. Ao revisitar esse território, a personagem confronta as marcas de sua história e procura compreender como os lugares e as relações familiares participam da construção de uma identidade.
Terceiro romance de Adriana Vieira Lomar, Onda Cabocla chega após Ambiguidades, Corredor do Tempo e Ébano sobre os Canaviais. Corredor do Tempo foi finalista do Prêmio Jabuti 2024, na categoria Juvenil. Ébano sobre os Canaviais venceu o Prêmio Kindle de Literatura e também foi semifinalista do Jabuti naquele ano.
O primeiro romance da autora, Aldeia dos Mortos, ganhou recentemente uma edição portuguesa.
Sobre a autora
Adriana Vieira Lomar é escritora carioca, romancista e contista. Tem pós-graduação em Literatura Contemporânea e em Roteiro para Cinema, TV e Novas Mídias pela PUC-Rio.
É autora de Aldeia dos Mortos, Ambiguidades, Ébano sobre os Canaviais e Corredor do Tempo. Sua produção literária aborda temas como memória, ancestralidade, identidade e relações familiares.
Ébano sobre os Canaviais, obra dedicada à ancestralidade multirracial da autora, venceu o Prêmio Kindle de Literatura e foi semifinalista do Prêmio Jabuti 2024. Corredor do Tempo foi finalista da premiação na categoria Juvenil.


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