Vance reforça que estadunidenses querem mudança na relação com Israel
247 – O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que a guerra contra o Irã e a insatisfação com a relação de Washington com Israel foram fatores decisivos para a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, realizadas na terça-feira (3). Segundo ele, parte dos eleitores que apoiaram Donald Trump em 2024 migrou para o Partido Democrata em 2026, motivada principalmente pela rejeição ao conflito militar, pela alta do custo de vida e pela percepção de que a política externa americana precisa priorizar os interesses nacionais.
As declarações foram divulgadas pelo jornal israelense The Times of Israel, que repercutiu uma publicação de Vance na rede social X. O vice-presidente apresentou quatro reivindicações identificadas entre eleitores que abandonaram os republicanos: “Acabar com a guerra”, “Focar no custo de vida/inflação”, “Colocar a América em primeiro lugar” e “Mudar nossa relação com Israel”.
A manifestação ocorre após os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, impondo uma derrota política significativa ao governo Trump e ampliando as pressões por uma revisão da estratégia americana no Oriente Médio.
Vance aponta guerra contra o Irã como principal causa da derrota
Em sua publicação, Vance afirmou que o resultado eleitoral precisa ser interpretado como uma reação direta às consequências da guerra.
“O principal problema é que muitas pessoas que votaram em Trump/Vance em 2024 votaram nos democratas em 2026”, escreveu.
O vice-presidente também criticou os defensores da continuidade da ofensiva militar, argumentando que deveriam reconhecer os custos políticos de sua posição.
“Se você quiser argumentar que valeu a pena, que perder o Senado pelos próximos seis anos valeu a pena, então faça isso. Argumente que foi um custo que valeu a pena pagar. Concordando ou discordando, pelo menos isso é honesto”, declarou.
Vance foi ainda mais explícito ao relacionar o conflito à derrota republicana: “A razão pela qual perdemos é a guerra. O próprio presidente disse isso ontem à noite”.
A avaliação recebeu apoio público de Donald Trump Jr., filho do presidente, que compartilhou a publicação e manifestou concordância integral com as declarações.
Trump reconhece impacto da guerra, mas defende ofensiva
O presidente Donald Trump reconheceu que o aumento dos preços da gasolina, provocado pelo conflito, contribuiu para o desempenho negativo dos republicanos. Apesar disso, insistiu que a decisão de atacar o Irã foi necessária.
“Acho que é em grande parte verdade, porque fez a gasolina subir um pouco no curto prazo”, afirmou Trump, ao comentar a avaliação de seu vice-presidente.
O presidente acrescentou que repetiria a decisão de iniciar a guerra, argumentando que o objetivo estratégico de impedir o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã justificaria os custos econômicos e políticos.
“Eu não teria feito nada diferente”, declarou.
Trump também descartou a possibilidade de demitir o secretário de Defesa, Pete Hegseth, um dos defensores da ofensiva militar, e afirmou que o conflito terminará quando considerar que os objetivos americanos foram alcançados.
“A guerra vai terminar quando eu quiser. Mas precisa ser feita da maneira certa”, disse.
Relação com Israel entra no centro do debate americano
Um dos aspectos mais relevantes da manifestação de Vance é a inclusão explícita da relação com Israel entre as principais preocupações dos eleitores republicanos.
O vice-presidente tem defendido que a política externa dos Estados Unidos não deve ser subordinada às prioridades estratégicas do governo israelense.
No mês passado, afirmou que as decisões americanas no Oriente Médio não podem ser “subservientes” às de Israel, reforçando a necessidade de Washington agir de acordo com seus próprios interesses.
A posição contrasta com o alinhamento mais explícito de Trump ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Vance também já havia criticado integrantes do governo israelense que, segundo ele, tentavam influenciar a opinião pública americana para impedir uma solução diplomática para o conflito.
“Há algumas pessoas dentro do sistema deles que sabemos, sem sombra de dúvida, que estão manipulando e tentando mudar a opinião pública americana para manter a guerra em andamento indefinidamente”, afirmou o vice-presidente durante participação no podcast de Joe Rogan.
As declarações evidenciam divergências dentro do próprio campo conservador americano sobre os limites da aliança com Israel e os custos de uma participação prolongada dos Estados Unidos em conflitos no Oriente Médio.
Israel reage e defende relação bipartidária
O presidente israelense, Isaac Herzog, comentou as declarações de Vance e reconheceu que o debate sobre a relação bilateral ganhou espaço na política americana.
“São sentimentos que estão no ar em nosso grande amigo e aliado”, afirmou Herzog durante uma reunião com representantes do partido Yisrael Beytenu.
O presidente israelense procurou, entretanto, preservar a relação institucional com Washington, manifestando respeito tanto a Trump e Vance quanto ao Partido Democrata.
“Israel sempre fez todos os esforços para ser bipartidário”, declarou.
A reação reflete a preocupação de Israel com o avanço de questionamentos à política de apoio americano ao país, inclusive entre setores conservadores tradicionalmente alinhados ao governo israelense.
Derrota republicana amplia pressão por mudança na política externa
A avaliação de Vance acrescenta uma dimensão política à crise provocada pela guerra contra o Irã. Além das consequências militares e econômicas, o conflito passou a representar um custo eleitoral significativo para o governo Trump.
A combinação entre aumento dos preços dos combustíveis, insatisfação com o custo de vida e críticas ao alinhamento com Israel contribuiu, segundo o vice-presidente, para afastar eleitores que haviam apoiado os republicanos dois anos antes.
Embora Trump continue defendendo a ofensiva, a posição de Vance indica que parte da liderança republicana considera necessária uma revisão da estratégia americana no Oriente Médio.
O resultado eleitoral também fortalece o debate sobre a autonomia da política externa dos Estados Unidos diante dos interesses israelenses, uma questão que, segundo o próprio vice-presidente, passou a influenciar diretamente o comportamento do eleitorado americano.



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