Festival Sinédoque leva 23 documentários brasileiros às telas do Rio
247 – O Rio de Janeiro recebe, entre 4 e 8 de novembro, a sexta edição do Sinédoque – Festival Nacional de Documentários Curtos, que apresenta 23 produções brasileiras no Estação Claro Rio, em Botafogo. Com entrada gratuita, a programação reúne filmes das cinco regiões do país, debates, masterclasses e premiações. Segundo a organização do evento, a seleção aborda temas como desigualdade social, direitos humanos, identidade, política e manifestações culturais.
Criado em 2021, o festival surgiu em meio às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, inicialmente em formato digital. Desde então, a iniciativa ampliou sua presença no circuito audiovisual e passou a reunir realizadores de diferentes regiões brasileiras. O projeto também busca fortalecer o curta-metragem documental como linguagem cinematográfica independente.
O idealizador do evento, Lucas Vasconcellos, formado em Cinema pela PUC-Rio, participou do Festival de Cannes em 2025 como idealizador e coprodutor de Para Vigo Me Voy!, documentário sobre o cineasta Cacá Diegues. Ele defende o reconhecimento dos filmes de curta duração como obras com identidade própria.
“Acreditamos no curta como uma forma de expressão cinematográfica com valor próprio, e não apenas como um caminho para chegar ao longa-metragem”, afirma.
Seis sessões abordam política, memória e questões sociais
A programação está organizada em seis sessões temáticas: Ordem Mundial, Mulheres em Perfil, Arquivo e Memória, Cultura de Rua, Violência Carioca e Queridinhos. A divisão reúne produções que exploram diferentes aspectos da realidade brasileira e internacional, com abordagens sobre relações de poder, desigualdade, manifestações artísticas e preservação da memória.
A sessão Ordem Mundial, marcada para quinta-feira (5), reúne quatro documentários que discutem disputas ideológicas e transformações políticas e sociais. Entre os destaques está Os Arcos Dourados de Olinda, de Douglas Henrique, que recupera o conflito entre a primeira prefeita comunista do Brasil e a instalação do McDonald’s na cidade pernambucana.
O documentário também disputa uma indicação ao Oscar de 2027. Outra produção da sessão, Estátuas também morrem?, de Thais Fernandes, investiga as disputas em torno da memória do comunismo a partir de um parque de estátuas localizado na Hungria.
Na sexta-feira (6), a sessão Arquivo e Memória apresenta Um filme para lembrar da utopia, dirigido por Reinaldo Cardenuto. A obra utiliza registros audiovisuais da década de 1960 para recuperar os projetos de transformação social e as expectativas políticas que marcaram aquela geração.
Documentários retratam violência e desigualdade no Rio
A realidade das comunidades cariocas ocupa espaço central na sessão Violência Carioca, programada para sábado (7). Um dos destaques é Réquiem para Moïse, documentário de Susanna Lira e Caio Barretto Briso sobre o assassinato do jovem congolês Moïse Kabagambe no Rio de Janeiro.
A produção aborda o racismo e a violência contra imigrantes africanos no Brasil. Susanna Lira construiu sua carreira no audiovisual com trabalhos voltados a direitos humanos e questões sociais.
A mesma sessão apresenta Cadu Barcellos – Cria não morre, vira lenda, de Wagner Novais, que homenageia o cineasta negro criado na Maré. A programação inclui ainda Cartas pela Paz, documentário sobre crianças que vivem em favelas cariocas e convivem com operações policiais.
Cultura de rua e personagens da vida urbana
A sessão Cultura de Rua reúne quatro produções, três delas realizadas no Rio de Janeiro. Os filmes exploram manifestações artísticas e personagens ligados à ocupação dos espaços urbanos.
Entre os títulos estão Versos da Rua, sobre batalhas de poesia; Filme em Cartaz, que utiliza um cartaz presente na paisagem urbana como narrador; e Luis do Charme, centrado na trajetória de um homem dedicado à dança.
Outro destaque da programação é Helena! Cinema!, documentário assinado por Cavi Borges e Christian Caselli sobre a trajetória de Helena Ignez, atriz e cineasta reconhecida por sua contribuição ao cinema brasileiro.
Cavi Borges, realizador carioca que também teve um filme exibido no Festival do Rio, participa da produção que recupera a trajetória artística de Helena e sua relação com o audiovisual nacional.
Festival terá masterclasses e premiação por voto popular
Além das exibições, o Sinédoque oferece atividades de formação e encontros com profissionais do audiovisual. A programação inclui masterclasses gratuitas conduzidas por Rita Toledo e Rafael Cosme, ampliando o espaço de discussão sobre produção e linguagem documental.
No domingo (8), último dia do evento, cinco produções receberão premiações. Desse total, três categorias terão vencedores definidos pelo voto popular, permitindo que o público participe diretamente da escolha dos filmes reconhecidos nesta edição.
Para Lucas Vasconcellos, a gratuidade e o acesso do público integram os objetivos centrais da iniciativa.
“Queremos valorizar essa produção e torná-la cada vez mais acessível, em um festival democrático e gratuito”, afirma.
A sexta edição do Sinédoque acontece na Estação Claro Rio, na Rua Voluntários da Pátria, 35, em Botafogo. Todas as atividades previstas na programação têm entrada gratuita.
Serviço
Evento cultural. Foto: Divulgação
Representação/Renata Sorrah. Foto: Divulgação


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