Editora Sul Global lança “Os maiores comunistas da história do Brasil”, em São Paulo
247 – A Editora Sul Global realizou, em São Paulo, o lançamento do livro Os maiores comunistas da história do Brasil, escrito pelo jornalista José Reinaldo Carvalho, militante histórico do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O evento, realizado na Casa de Portugal, reuniu mais de 200 pessoas e se transformou também em uma celebração da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para seu quarto mandato.
A cerimônia contou com discursos do autor, do jurista e filósofo Alysson Leandro Mascaro, responsável pelo prefácio da obra, de Leonardo Attuch, criador da Editora Sul Global e editor do Brasil 247, e de José Genoino, ex-presidente do PT e um dos participantes da Guerrilha do Araguaia, episódio histórico da resistência armada à ditadura militar brasileira. Representantes dos consulados da China e de Cuba também participaram do lançamento e fizeram pronunciamentos, conferindo ao encontro uma dimensão internacional de solidariedade e reconhecimento da trajetória dos comunistas brasileiros.
Filiado ao PCdoB desde 1972, José Reinaldo Carvalho é um dos militantes comunistas históricos do país. Com mais de cinco décadas de atuação política e jornalística, participou de importantes debates e mobilizações em defesa da democracia, da soberania nacional e do socialismo. Seu livro reúne perfis de 33 personalidades que contribuíram decisivamente para a formação política, intelectual, artística e cultural do Brasil.
A obra foi dedicada ao sociólogo Lejeune Mirhan, intelectual e militante comunista cuja trajetória está associada à reflexão sobre a sociedade brasileira, as relações internacionais e as transformações do mundo contemporâneo, e que faleceu recentemente.
Comunistas ajudaram a construir a identidade cultural brasileira
Um dos argumentos centrais do livro é que a contribuição dos comunistas à história brasileira ultrapassa amplamente a atividade partidária e a luta política. Ela está presente na arquitetura, na literatura, nas artes plásticas, no cinema, na televisão, nas ciências sociais e em diferentes manifestações da cultura nacional.
Brasília, capital federal, foi projetada por Oscar Niemeyer, arquiteto comunista que se tornou um dos nomes mais reconhecidos da arquitetura mundial. Jorge Amado, um dos escritores brasileiros de maior projeção internacional, também foi comunista, assim como Graciliano Ramos, autor de algumas das obras mais importantes da literatura nacional.
Na televisão, Dias Gomes, responsável por Roque Santeiro, uma das novelas de maior repercussão da história brasileira, também integrou essa tradição política e cultural.
Nas artes plásticas, Candido Portinari, autor dos monumentais painéis Guerra e Paz, instalados na sede das Nações Unidas, em Nova York, foi outro representante dessa geração de artistas comprometidos com as questões sociais.
No pensamento brasileiro, Florestan Fernandes, um dos mais importantes sociólogos do país, desenvolveu uma interpretação marxista das desigualdades e das estruturas de poder. Na política, Luís Carlos Prestes tornou-se uma das figuras mais emblemáticas e perseguidas do século XX brasileiro.
No prefácio, Alysson Leandro Mascaro sintetiza a relevância dessa presença comunista na formação nacional:
“Dificilmente um país que não fez a revolução teve presença tão fulcral de marxistas em seu conjunto social como o Brasil.”
A reflexão destaca um dos aspectos mais relevantes da obra: mesmo sem ter realizado uma revolução socialista, o Brasil contou com a participação decisiva de comunistas em algumas de suas principais transformações culturais, sociais e políticas.
Livro reúne 33 personalidades da história nacional
Em Os maiores comunistas da história do Brasil, José Reinaldo Carvalho apresenta um amplo painel de dirigentes políticos, militantes revolucionários, escritores, artistas e intelectuais que marcaram diferentes períodos da história do país.
Entre os personagens retratados estão Astrojildo Pereira, um dos fundadores do Partido Comunista no Brasil; Octávio Brandão; Luís Carlos Prestes; João Amazonas; Carlos Marighella; Maurício Grabois; Pedro Pomar; Diógenes Arruda; Renato Rabelo; Jacob Gorender; Gregório Bezerra; Apolônio de Carvalho; e Osvaldo Orlando da Costa, conhecido como Osvaldão, um dos principais integrantes da Guerrilha do Araguaia.
A obra também contempla intelectuais fundamentais para a interpretação da sociedade brasileira, como Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré, Florestan Fernandes e Clóvis Moura.
Na literatura e nas artes, aparecem Jorge Amado, Graciliano Ramos, Oscar Niemeyer, Candido Portinari, Patrícia Galvão, a Pagu, Solano Trindade, Edison Carneiro, Mário Schenberg e Nise da Silveira.
O livro ainda resgata as trajetórias de Ana Montenegro, João Saldanha, Nelson Pereira dos Santos, Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha, Dias Gomes, Gianfrancesco Guarnieri e Claudio Campos, entre outros nomes que ajudaram a transformar a vida cultural e política brasileira.
A narrativa procura superar os limites de uma simples compilação biográfica. Com linguagem acessível e contextualização histórica, José Reinaldo apresenta a dimensão humana de seus personagens, suas escolhas, contradições, realizações e contribuições para o país.
O resultado é uma obra que procura preservar a memória das lutas sociais brasileiras sem recorrer ao sectarismo ou ao dogmatismo, oferecendo ao leitor uma compreensão mais ampla da influência comunista na formação nacional.
Lançamento reuniu diferentes gerações da esquerda brasileira
A presença de José Genoino no lançamento também reforçou o caráter histórico do encontro. Ex-guerrilheiro do Araguaia, Genoino representa uma geração que enfrentou diretamente a repressão da ditadura militar e participou da reconstrução democrática do país.
A participação de Alysson Mascaro acrescentou ao evento uma reflexão sobre o papel do marxismo na formação intelectual brasileira. Autor do prefácio, o jurista destaca a profundidade da influência comunista em uma sociedade que, embora não tenha passado por uma revolução socialista, foi marcada por importantes contribuições de pensadores e militantes marxistas.
Leonardo Attuch, responsável pela apresentação da obra e criador da Editora Sul Global, também discursou no encontro, que marcou uma iniciativa editorial dedicada à recuperação da memória política e cultural brasileira.
Os pronunciamentos de representantes dos consulados da China e de Cuba evidenciaram os vínculos históricos entre os movimentos comunistas brasileiros e as experiências internacionais de construção do socialismo.
O lançamento ocorreu em um ambiente de celebração política, poucos dias após a vitória eleitoral de Lula sobre Flávio Bolsonaro. A reeleição presidencial foi comemorada pelos participantes como um marco da defesa da democracia e da continuidade de um projeto político comprometido com a soberania nacional e os direitos sociais.
Memória histórica e desafios do presente
Ao recuperar a trajetória de 33 personagens, José Reinaldo Carvalho procura demonstrar que a história do comunismo brasileiro também é parte indissociável da história do próprio país.
A contribuição desses militantes e intelectuais não se restringiu à organização partidária. Ela alcançou a luta contra o autoritarismo, a defesa dos trabalhadores, a produção científica, a valorização da cultura popular e a construção de uma identidade nacional comprometida com a superação das desigualdades.
Em um momento de intensos debates sobre democracia, soberania e desenvolvimento, a obra propõe que o conhecimento do passado contribua para a compreensão dos desafios contemporâneos.
Com prefácio de Alysson Leandro Mascaro e apresentação de Leonardo Attuch, Os maiores comunistas da história do Brasil inaugura uma contribuição da Editora Sul Global ao debate sobre a memória política e intelectual brasileira.
O lançamento na Casa de Portugal, diante de mais de 200 participantes, reuniu história, cultura e celebração democrática em torno de uma ideia central: compreender a contribuição dos comunistas é também compreender uma parte fundamental da construção do Brasil moderno.
Homenagem
Todos os artigos desta seção são dedicados a Nathalia Urban e Lejeune Mirhan, internacionalistas e pioneiros do Sul Global



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