Alcolumbre aposta em acordo com Arthur Lira para garantir reeleição no Senado
247 – A tentativa de Davi Alcolumbre (União-AP) de permanecer na Presidência do Senado em 2027 passa por uma negociação política com Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara dos Deputados e senador eleito por Alagoas. A articulação prevê que Lira ajude a conquistar votos de parlamentares do centro e da direita em troca de apoio a uma eventual candidatura sua ao comando da Casa em 2029.
Segundo informações da CNN Brasil, Alcolumbre considera Lira um aliado estratégico para superar resistências dentro do PP e entre senadores ligados ao bolsonarismo. A possibilidade de um acordo sucessório permitiria ao atual presidente ampliar sua base de sustentação e, simultaneamente, abrir caminho para que o ex-presidente da Câmara dispute o cargo posteriormente.
As negociações ganharam impulso na terça-feira (27), quando a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou apoio à recondução de Alcolumbre. A manifestação representa um avanço para o senador amapaense, mas não elimina as divergências entre integrantes da direita sobre a continuidade de sua gestão.
O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), por exemplo, declarou que não pretende votar em Alcolumbre e defendeu a construção de uma candidatura única da oposição. Entre os nomes mencionados por Derrite estão Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).
Diante desse cenário, a participação de Lira é vista como uma oportunidade de aproximar o atual presidente do Senado de setores que ainda resistem à sua candidatura. O ex-presidente da Câmara mantém influência sobre parlamentares de diferentes partidos e possui experiência na construção de acordos envolvendo governo e oposição.
Apoio de Lula fortalece articulação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também apoia a permanência de Alcolumbre no comando do Senado. Esse posicionamento é considerado importante para a formação de uma maioria capaz de garantir a reeleição do parlamentar em fevereiro de 2027.
Apesar de Lira ter declarado apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, sua participação nas negociações não é descartada por integrantes do governo. A avaliação entre aliados de Alcolumbre é de que o peso político do senador eleito e sua capacidade de interlocução podem contribuir para a construção de um entendimento mais amplo.
Lira mantém relações políticas com nomes importantes do PT, incluindo o presidente nacional do partido, Edinho Silva, o líder do governo na Câmara, José Guimarães, e a ministra Gleisi Hoffmann. Esses contatos são considerados relevantes para aproximar diferentes grupos em torno de um acordo sobre a futura composição da Mesa Diretora.
A estratégia de Alcolumbre busca reunir votos de governistas, integrantes do centro e parte da oposição. Entretanto, permanecem divergências sobre sua atuação à frente do Senado, especialmente em relação à possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A resistência de setores oposicionistas demonstra que o apoio formal da Federação União Progressista não garante, por si só, os votos de todos os parlamentares vinculados às legendas. Por isso, a negociação individual com senadores e lideranças partidárias deverá continuar até a eleição.
Lira mira Presidência do Senado em 2029
A perspectiva de assumir o comando do Senado em 2029 é um dos principais interesses políticos de Arthur Lira nas negociações. De acordo com a CNN Brasil, o senador eleito não pretende disputar a Presidência da Casa em fevereiro de 2027, mas deseja participar diretamente da definição da próxima Mesa Diretora.
A eventual candidatura em 2029 permitiria ao ex-presidente da Câmara organizar sua base política ao longo dos dois primeiros anos da legislatura, com o objetivo de disputar a sucessão de Alcolumbre em condições mais favoráveis.
Além da Presidência, Lira demonstra interesse em comandar a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), um dos colegiados mais influentes do Senado. A comissão examina a constitucionalidade de propostas legislativas e participa da análise de indicações para cargos relevantes, incluindo ministros de tribunais superiores.
O comando da CCJ poderia ampliar a influência institucional de Lira e fortalecer sua posição nas negociações com as bancadas partidárias. A eventual distribuição de espaços na estrutura do Senado, portanto, também integra o cenário das articulações para a próxima legislatura.
A influência do ex-presidente da Câmara vai além de seu futuro mandato como senador. Durante a gestão de Hugo Motta (Republicanos-PB), Lira participou de negociações para solucionar impasses internos, incluindo a crise provocada pela ocupação do plenário por deputados que chegaram a se sentar na cadeira da Presidência da Casa.
O episódio reforçou sua capacidade de atuar como interlocutor em momentos de conflito entre diferentes grupos políticos, característica considerada importante pelos aliados de Alcolumbre na tentativa de construir uma maioria no Senado.
Articulações em Alagoas ampliaram força política de Lira
O desempenho de Arthur Lira nas eleições de 2026 também foi influenciado por rearranjos políticos em Alagoas. A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL) para integrar a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro como candidato a vice-presidente modificou a configuração das disputas estaduais e favoreceu a candidatura de Lira ao Senado.
A vitória de João Henrique Caldas, conhecido como JHC (PSDB), na disputa pelo governo de Alagoas também esteve relacionada, segundo aliados, à atuação de Lira na formação de alianças e à sua influência política em municípios do interior do estado.
Esses movimentos consolidaram a posição do ex-presidente da Câmara como uma liderança com capacidade de negociação tanto em seu estado quanto no Congresso Nacional.
A eleição para a Presidência do Senado ocorrerá em fevereiro de 2027, no início da próxima legislatura. Para conquistar o cargo, um candidato precisa obter pelo menos 41 votos entre os 81 senadores.


O bolsonarismo está na UTI
Operação Alba: Marco Rubio batizou e Milei apoiou ‘resgate’ de Flávio Bolsonaro para os EUA
Lula vitorioso promete participação popular e crescimento voltado ao futuro
A fuga das galinhas