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Irã negocia com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão para evitar nova guerra

26.10.2026 6 min read

247 – O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, recebeu nesta segunda-feira (26), em Teerã, representantes de alto escalão da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão para discutir medidas destinadas a impedir uma nova escalada militar no Oriente Médio. Os quatro países concordaram em manter as negociações e aprofundar a cooperação em segurança regional, em meio a informações de que Estados Unidos e Israel estariam preparando uma nova ofensiva contra a República Islâmica.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, com base em reportagens do New York Times e da agência AFP, a reunião foi apresentada pela televisão estatal iraniana como o primeiro encontro desse formato entre os países. A iniciativa ocorre em um momento de intensa articulação diplomática para evitar a retomada dos confrontos envolvendo Washington, Tel Aviv e Teerã.

As negociações reuniram o ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid bin Salman Al-Saud, o comandante do Exército paquistanês, marechal de campo Asim Munir, e o chefe da inteligência turca, Ibrahim Kalin. Pelo lado iraniano, participaram Pezeshkian, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Mohsen Rezaei.

A aproximação ganha importância diante de relatos de autoridades estadunidenses e de pessoas familiarizadas com as discussões sobre possíveis operações militares contra o Irã. De acordo com o New York Times, Washington e Israel estariam considerando novos ataques após as eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, previstas para a próxima semana.

Países buscam impedir nova ofensiva militar

Ali Bagheri Kani, vice-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, afirmou, segundo a emissora estatal Press TV, que o objetivo central das reuniões é fortalecer a segurança regional.

O encontro representa mais uma etapa dos esforços de países do Oriente Médio para evitar que as tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã provoquem um conflito de maiores proporções.

A participação saudita é especialmente significativa. O reino enfrenta uma intensificação dos confrontos com os houthis, movimento iemenita apoiado por Teerã, que nas últimas semanas realizou ataques contra aeroportos e instalações petrolíferas sauditas. As hostilidades também provocaram vítimas e aumentaram os riscos para a infraestrutura energética regional.

O envio do príncipe Khalid bin Salman, irmão do príncipe herdeiro saudita e integrante de seu círculo de confiança, demonstra a importância atribuída por Riad às negociações. Uma nova guerra envolvendo o Irã poderia expor a Arábia Saudita a ataques adicionais, simultaneamente aos confrontos com os houthis.

Catar tenta construir acordo entre Irã e Estados Unidos

A reunião desta segunda-feira ocorre paralelamente a uma iniciativa diplomática liderada pelo Catar para estabelecer um entendimento entre Washington e Teerã.

No domingo (25), representantes catarianos estiveram na capital iraniana para discutir alternativas capazes de evitar uma nova guerra, segundo Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

O Paquistão também participa diretamente das articulações. Na semana passada, o marechal de campo Asim Munir visitou Teerã para contribuir com os esforços de mediação.

Um funcionário de um país do Golfo, ouvido sob anonimato pelo New York Times, afirmou que as negociações envolvendo Arábia Saudita, Turquia e Paquistão reforçam o trabalho dos mediadores catarianos e paquistaneses.

Entre os objetivos das conversas está estimular o governo iraniano a demonstrar flexibilidade suficiente para viabilizar um entendimento diplomático com os Estados Unidos.

A principal dificuldade, entretanto, permanece relacionada às condições exigidas por Washington e Teerã para suspender medidas de pressão econômica e militar.

Reabertura do Estreito de Ormuz está no centro das negociações

Uma das propostas discutidas pelos mediadores prevê concessões recíprocas dos Estados Unidos e do Irã ao longo de cinco dias.

Segundo dois diplomatas informados sobre as conversas, o entendimento incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz à navegação comercial, medida que permitiria restabelecer o tráfego de embarcações por uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás do planeta.

Em contrapartida, Washington suspenderia o bloqueio naval imposto aos portos iranianos, responsável por agravar as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país.

O impasse está concentrado na sequência das medidas. Os negociadores ainda não conseguiram estabelecer em que momento cada governo deverá cumprir seus compromissos.

Além das questões comerciais e marítimas, os mediadores pressionam Teerã a apresentar uma concessão inicial relacionada ao seu programa nuclear.

As autoridades iranianas, porém, rejeitam a possibilidade de transferir para o exterior parte de suas reservas de urânio enriquecido.

Na semana passada, Mohsen Rezaei reafirmou essa posição ao declarar que “nem uma única partícula de material nuclear enriquecido” deixaria o território iraniano.

A resistência de Teerã evidencia a dificuldade de construir um acordo que contemple simultaneamente as exigências estadunidenses e as condições consideradas indispensáveis pelo governo iraniano.

Irã adverte sobre ampliação de alvos em caso de novos ataques

O risco de uma nova ofensiva militar também levou autoridades iranianas a advertirem sobre possíveis mudanças na resposta do país.

Na semana passada, representantes de Teerã demonstraram pessimismo em relação à possibilidade de um entendimento diplomático e afirmaram que novos ataques contra o território iraniano poderiam provocar uma ampliação dos alvos de suas forças militares.

Entre as instalações mencionadas estão centros de processamento de dados e cabos submarinos de internet localizados na região.

A advertência indica que uma eventual retomada dos confrontos poderia atingir não apenas instalações militares e energéticas, mas também estruturas fundamentais para as comunicações internacionais.

O cenário preocupa especialmente os países do Golfo, que já enfrentaram ataques de mísseis e drones iranianos após o início das operações militares dos Estados Unidos e de Israel, em 28 de fevereiro.

Uma nova escalada poderia comprometer o transporte marítimo, a produção energética e a infraestrutura estratégica de diferentes países do Oriente Médio.

Pacto de Meca reforça aproximação regional

A articulação diplomática também ocorre após a assinatura do chamado Pacto de Meca, acordo de defesa coletiva firmado em agosto pela Arábia Saudita, Turquia e Paquistão.

O entendimento foi estabelecido em um contexto de questionamentos sobre a capacidade dos Estados Unidos de garantir a segurança de seus parceiros regionais.

A reunião em Teerã representa, portanto, uma aproximação entre o Irã e três países que já estabeleceram mecanismos próprios de cooperação em defesa.

Para o governo iraniano, a iniciativa também oferece uma oportunidade de fortalecer estruturas regionais de segurança que não dependam diretamente da participação estadunidense.

Durante entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, manifestou apoio à construção desses mecanismos.

“Do nosso ponto de vista, o simples fato de os países da região estarem buscando estabelecer, ou pelo menos considerando, mecanismos regionais de segurança baseados em seus próprios interesses e considerações é um acontecimento bem-vindo”, afirmou.

A declaração evidencia o interesse de Teerã em ampliar o diálogo com governos vizinhos e incentivar iniciativas diplomáticas conduzidas pelos próprios países da região.

Apesar da aproximação, permanecem indefinidas as perspectivas de um acordo entre Irã e Estados Unidos. A continuidade das negociações dependerá principalmente da capacidade dos mediadores de superar as divergências sobre o programa nuclear iraniano, o bloqueio naval e a circulação comercial pelo Estreito de Ormuz.

O encontro desta segunda-feira, contudo, demonstra que Arábia Saudita, Turquia e Paquistão procuram assumir um papel mais ativo na tentativa de impedir uma nova guerra regional.

Tags: Irã, Arábia Saudita, Turquia, Paquistão, Estados Unidos, Israel, Oriente Médio, Masoud Pezeshkian, Estreito de Ormuz, Catar, diplomacia, guerra, Pacto de Meca

Legenda: O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, recebe representantes da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão em Teerã, durante negociações para evitar uma nova escalada militar no Oriente Médio (Foto: Presidência iraniana/AFP)

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