“A disputa é voto a voto, mas o lado certo, que é Lula, é claro”, diz Marcos Coimbra
247 – Às vésperas da definição eleitoral, o sociólogo, cientista político e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, participou do programa Forças do Brasil, transmitido pela TV 247 e conduzido pelo jornalista Mario Vitor Santos. Em uma conversa aprofundada, Coimbra analisou a dinâmica das pesquisas, desconstruiu teses sobre transferências automáticas de votos e fez um diagnóstico severo sobre os limites e responsabilidades das instituições e dos grandes conglomerados de comunicação no processo democrático brasileiro.
Um empate técnico real e a falácia da transferência automática
Logo na abertura do programa, Coimbra enfatizou que o quadro revelado pelas pesquisas converge para uma situação de disputa acirrada e polarizada:
“As sinalizações, seja de pesquisa, de análise política ou de monitoramento, convergem para uma situação de empate real. Estamos indo para uma decisão onde cada voto conta, e é compreensível a preocupação de quem defende a democracia.”
O sociólogo apontou que as expectativas criadas por setores do mercado financeiro e pela campanha adversária logo após o primeiro turno não se sustentaram. Projetava-se que haveria uma migração em bloco de votos dos demais candidatos para consolidar uma vantagem inicial contra a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Coimbra, o comportamento do eleitorado nas semanas de segundo turno frustrou essas projeções:
“Acreditava-se que o adversário herdaria automaticamente a totalidade dos votos dos outros concorrentes. Isso não aconteceu. A dinâmica de segundo turno é própria, e o que vimos ao longo de outubro foi a reaproximação e o equilíbrio das forças.”
Crítica contundente à grande mídia e à normalização do extremismo
Um dos pontos mais enfáticos levantados por Marcos Coimbra e Mario Vitor Santos foi a condescendência editorial de parte da imprensa hegemônica com práticas e figuras ligadas a setores retrógrados da política nacional. Para o sociólogo, houve uma tentativa reiterada de criar falsas equivalências entre os dois projetos em disputa:
“Trataram essa eleição como se fosse uma disputa comum entre iguais, ignorando a origem e as práticas do que há de mais atrasado e violento na nossa vida pública. Normalizaram figuras que em qualquer democracia consolidada estariam absolutamente banidas do jogo político.”
Coimbra criticou ainda o resgate de pautas e narrativas desgastadas no debate público, enquanto denúncias e movimentações atípicas do campo oposto eram tratadas com discrição ou desconsideradas na cobertura diária.
O papel da juventude e a força dos atos de rua
Em contraste com a pressão institucional e midiática, Coimbra destacou a vitalidade das manifestações populares que tomaram as capitais e cidades médias do país entre o primeiro e o segundo turno. O sociólogo chamou atenção para a mobilização espontânea liderada por jovens e movimentos sociais:
“A campanha de Lula ganhou uma nova dimensão nas ruas, impulsionada por uma extraordinária disposição da juventude brasileira. Enquanto a grande imprensa ignorava ou omitia o tamanho monumental dos atos na Avenida Paulista, em Copacabana e em diversas cidades, as pessoas estavam lá, transformando apreensão em luta e mobilização.”
Mario Vitor Santos pontuou que tais atos, documentados quase exclusivamente pela mídia independente e pelos próprios manifestantes, representam um fato político autônomo, cujo peso se projeta para além da própria apuração.
O fator decisivo: comparecimento e desigualdade
Ao discutir as variáveis determinantes para o desfecho da eleição, Marcos Coimbra abordou o peso do que se convencionou chamar de abstenção. Para ele, o termo mais preciso é “não comparecimento”, um fenômeno fortemente marcado pela desigualdade socioeconômica:
“Quem menos comparece às urnas não é porque rejeita o processo por capricho, mas sim quem enfrenta as maiores dificuldades materiais de transporte, custo e deslocamento para votar. Existe uma relação direta entre renda e taxa de presença. Qualquer esforço legítimo de transporte e apoio que facilite o acesso do cidadão às urnas corrige uma distorção histórica e beneficia a democracia.”
Ao concluir a conversa, Coimbra reforçou que a escolha posta diante do país ultrapassa o cálculo aritmético das pesquisas:
“Há momentos na história em que o lado certo e o lado errado estão nitidamente demarcados. Qualquer observador atento no mundo enxerga isso no Brasil de hoje. A decisão de amanhã dirá muito sobre como a sociedade encara seu próprio futuro.”
A análise completa de Marcos Coimbra com os detalhes sobre a reta final da disputa eleitoral pode ser conferida na íntegra no programa Forças do Brasil – As chances de Lula, com Marcos Coimbra.
Esse vídeo traz a íntegra da entrevista de Marcos Coimbra ao jornalista Mario Vitor Santos na TV 247, onde são debatidos os números das pesquisas, o papel da imprensa e as variáveis decisivas para as eleições.


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