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Espanha: Sánchez e oposição de direita iniciam campanha para eleições legislativas

10.10.2026 4 min read

247 – O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e o líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, deram início neste sábado (10) à campanha para as eleições legislativas de 29 de novembro. Enquanto o dirigente socialista colocou a crise habitacional no centro de seu discurso, o principal representante da direita priorizou temas como segurança e imigração.

Segundo a RFI, a disputa ocorre após a convocação antecipada das eleições por Sánchez, que enfrenta dificuldades para aprovar medidas sobre moradia no Parlamento, onde não dispõe de maioria. As pesquisas citadas pela emissora indicam que o PP está à frente dos socialistas, mas sem maioria absoluta, o que pode dar ao partido de extrema direita Vox um papel decisivo na composição do Legislativo.

Sánchez coloca crise habitacional no centro da campanha

Em seu primeiro comício, realizado em Dos Hermanas, na região metropolitana de Sevilha, Sánchez prometeu ampliar a proteção a proprietários de pequenos imóveis e inquilinos diante da especulação imobiliária.

“O próximo Parlamento, com uma ampla maioria progressista (…), reforçará e manterá esses decretos-lei sobre habitação, que protegem pequenos proprietários e inquilinos diante da especulação imobiliária”, declarou o primeiro-ministro na Andaluzia.

O discurso ocorreu três dias após a morte de Maricarmen Abascal, aposentada de 87 anos cujo despejo de um imóvel em Madri provocou indignação e manifestações em diferentes partes do país. A morte da idosa, ocorrida na quarta-feira (7), em um hospital, ampliou a repercussão da crise habitacional espanhola.

Ao mencionar o caso, Sánchez afirmou: “Maricarmen e todos aqueles que se mobilizam com ela, assim como todos os que lutam pela causa justa da habitação, abriram o caminho”. O primeiro-ministro também expressou “todo (o seu) carinho” pela aposentada.

Na semana anterior, o Parlamento rejeitou dois projetos apresentados pelo governo para enfrentar os problemas relacionados à moradia. A derrota levou Sánchez a convocar eleições antecipadas. Mesmo com a dissolução da Câmara dos Deputados, o chefe de governo espera viabilizar a aprovação das medidas por meio de um procedimento especial, com possíveis alterações.

A crise segue mobilizando manifestantes em cidades espanholas. Em Madri, especialmente na região central, grupos mantêm acampamentos e reivindicam maior proteção aos inquilinos.

Apoio a Sánchez convive com críticas à gestão

Sánchez escolheu Dos Hermanas para iniciar a campanha, repetindo o local em que lançou sua candidatura nas eleições de 2023. Naquele pleito, uma reviravolta permitiu que permanecesse no poder, contrariando previsões desfavoráveis.

Cerca de 5 mil pessoas compareceram ao comício, mas as avaliações sobre a gestão socialista se mostraram divididas. Entre os motivos de insatisfação estão a alta do custo de vida e os escândalos judiciais envolvendo pessoas próximas ao primeiro-ministro, entre elas sua esposa, Begoña Gómez, além de integrantes do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Feijóo promete mudança e endurece discurso sobre imigração

Em Madri, Alberto Núñez Feijóo reuniu cerca de 2 mil pessoas no lançamento de sua campanha. O líder do PP prometeu “ordem, segurança e prosperidade” como parte de um projeto de “reconstrução nacional”.

“A Espanha precisa de um futuro, e ele [Sánchez] deve ficar no passado”, declarou o dirigente conservador, que também prometeu promover uma “mudança total” caso chegue ao governo.

Ao lado dos ex-primeiros-ministros do PP Mariano Rajoy e José María Aznar, Feijóo afirmou que pretende “defender a Espanha”. A declaração foi associada à crise migratória que atingiu o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, cuja responsabilidade o líder conservador atribui à política migratória de Sánchez, que considera leniente.

Nos dias 30 e 31 de julho, mais de 70 mil migrantes entraram em território espanhol no norte da África. A maioria retornou ao Marrocos, mas o episódio provocou tensões entre o governo socialista e a oposição de direita.

Sindicatos convocam greve geral para novembro

Em meio à disputa política, as principais centrais sindicais espanholas, CCOO e UGT, convocaram uma greve geral para 11 de novembro. Será a primeira mobilização nacional desse tipo desde 2012.

Cerca de 39 milhões de espanhóis estão aptos a votar nas eleições legislativas de 29 de novembro. Segundo as pesquisas mencionadas pela RFI, o Partido Popular aparece à frente do PSOE, mas sem alcançar maioria absoluta. Nesse cenário, o Vox, partido de extrema direita, poderá ter influência decisiva nas negociações para definir a composição do Parlamento.

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