Em carta, Wagner Moura e votantes brasileiros do Oscar alertam para eleições no Brasil
247 – O ator Wagner Moura e outros 57 integrantes brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela premiação do Oscar, divulgaram neste sábado (10) uma carta em que manifestam preocupação com os rumos do segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. O documento foi publicado pela revista Variety e pede atenção internacional ao processo eleitoral brasileiro.
Entre os 58 signatários estão os cineastas Kleber Mendonça Filho e Fernando Meirelles, o produtor Rodrigo Teixeira e as atrizes Alice Braga e Sônia Braga. O grupo menciona propostas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e alerta para os riscos de retrocessos na política cultural brasileira.
A carta também relembra os efeitos das políticas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, período marcado pelo fechamento do Ministério da Cultura, pela suspensão do Fundo Setorial do Audiovisual e pelo enfraquecimento de instituições culturais.
“Sob a administração anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo do Setor Audiovisual, o enfraquecimento das instituições culturais e as acusações de censura. Tememos um retorno a esse cenário”, diz o texto.
Carta cita criptomoeda ligada à campanha eleitoral
Os signatários também mencionam o caso da criptomoeda B22. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a iniciativa oferecia tokens a pessoas que divulgassem conteúdos favoráveis ao voto em Flávio Bolsonaro e afirmava destinar parte dos recursos a crianças de Uganda.
O documento aborda ainda os planos do governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, de enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi noticiada pelo jornal britânico The Guardian, que relatou a intenção de apoiar grupos sob o argumento de que a corte brasileira extrapola suas atribuições judiciais e impõe censura no país.
Artistas pedem atenção internacional às eleições
A carta relaciona a situação brasileira a preocupações mais amplas sobre possíveis interferências eleitorais na América Latina. Os signatários defendem que a proteção da democracia não dependa exclusivamente da participação dos eleitores brasileiros, mas também do acompanhamento internacional.
“Consideramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. A defesa da democracia brasileira deve, portanto, depender não apenas do povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também da vigilância e do engajamento da comunidade internacional”, destaca o documento.
Além de Wagner Moura, Kleber Mendonça Filho, Fernando Meirelles, Alice Braga e Sônia Braga, assinam o documento profissionais como Anna Muylaert, Daniel Filho, Lais Bodanzky, Lucy Barreto, Petra Costa e Karim Ainouz.



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