Impeachment de Moraes pelo bolsonarismo alimenta sua candidatura ao Planalto em 2030
A senadora eleita, Bia Kicis, do PL-DF, bolsonarista de carteirinha, que vai se somar a duas outras companheiras, do mesmo campo ideológico, Michele e Damares, na casa que representa os interesses dos estados federativos, já mostra sede de ódio e vingança fascista, antes de tomar posse.
A prioridade número um do novo Senado, dominado pelo bolsonarismo, diz ela, é aprovar o impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes; a ânsia de vingança da parlamentar brasiliense preanuncia o clima persecutório que está por chegar, no parlamento brasileiro.
Fundamentalmente, Bia Kicis, bolsonarista radical, volta sua arma para aquele que conduziu o processo jurídico que culminou com a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, depois da sua tentativa de golpe fracassado contra a democracia, em 8 de janeiro de 2023.
O mesmo propósito de Bia se estende ao candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, que, na euforia da vitória em primeiro turno, assume compromisso de subir a rampa do Planalto, acompanhado do seu pai, que está em prisão domiciliar.
Em seguida, no calor de uma semi vitória, que poderá ser revertida, no segundo turno, Flávio anuncia, também, que vai anistiar aquele que, na pandemia da COVID, em 2020, deixou morrer mais de 700 mil pessoas, negando-lhes vacina, e, ainda por cima, riu da sua desgraça.
Portanto, o que a nova senadora do DF antecipa é o clima político terrorista, ancorado em maioria parlamentar, visando vingar a prisão do ex-presidente golpista.
Embalado no mesmo clima de intolerância, o próprio candidato Flávio Rachadinha, igualmente, preanuncia reformas na Constituição, prerrogativa de uma Assembleia Nacional Constituinte e não de algum candidato eleito; afinal, trata-se de veredito que tem de ser dado pela sociedade em sua totalidade, e não por um candidato de viés arrivista que se arvora em usurpador, configurando-se candidato a ditador.
ENSAIO GERAL DE CANDIDATURA ANTECIPADA
Como a realidade é dual(positiva e negativa em processo dialético de interação e negação simultânea), em sua dinâmica objetiva, que implica que a cada ação ocorre uma reação correspondente em sentido contrário, o bolsonarismo já está criando sua negatividade, antes de chegar ao poder.
Diante dessa manifestação de Bia Kicis de ódio e vingança, que se antecede à prática parlamentar revanchista à vista, é de se perguntar: quais as consequências da perseguição ao judiciário e, especialmente, ao ministro Alexandre de Moraes, que poderão ser antevistas?
Certamente, Moraes, sob julgamento de impeachment, ganhará espaço político desproporcional em eventual vitória de Flávio Bolsonaro, a ser desfrutada pelo acréscimo político de maioria de ultradireita, no Senado, e expressiva bancada, na Câmara, suficientes para eleger futuros presidentes das duas Casas, alinhadas ao bolsonarismo, na próxima sessão legislativa.
Sob ataque do Senado, em favor do impeachment do ministro do Supremo, como prioridade de nova linha política parlamentar bolsonarista, como destaca a nova senadora eleita do DF, com sangue nos olhos, é de se prever que a ultra direita fascista cria o seu próprio antagonismo, expresso em Moraes.
CLIMA POLÍTICO CONTINUARÁ CONFLAGRADO
O ambiente político de radicalização antecipado por Kics joga água no moinho político de Moraes, ideologicamente, de centro-direita, que pode ser transformado em candidato à presidência nas próximas eleições, provavelmente, em 2030, se Flávio, caso eleito, reforme a Constituição.
Moraes, para deixar os bolsonaristas ainda mais revoltados e ouriçados, com ódio e sede de vingança, puniu o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, conhecido como Bananinha, atualmente exilado nos Estados Unidos, franco aliado do presidente Donald Trump.
O ministro caçou passaporte dele e consolidou sua expulsão do mundo político, algo que confronta, em termos radicais, com os Bolsonaro e seus aliados, visto que Flávio cogita de colocar o irmão como novo Chanceler, para comandar, no Itamarati, a nova política externa brasileira, caso alcance vitória.
Dessa forma, o que Bia Kicis antecipa, ao dizer que a prioridade número um do novo Senado é cortar a cabeça de Moraes, é o crescimento político do próprio Moraes, bombeando, desde logo, sua candidatura.
Por sua vez, a determinação do ministro de cutucar Eduardo Bananinha Bolsonaro, no calor da disputa eleitoral, em que Flávio venceu Lula, no primeiro turno, por margem estreita, alimenta suposições de que sua ação, como ministro do STF, ameaçado pelo bolsonarismo, está no seu cálculo político para o futuro.
O impeachment dele representará combustível de sua futura candidatura presidencial.



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