Fã-clubes se mobilizam nas redes para ampliar votação de Lula no segundo turno
247 – Após o presidente Lula (PT) obter 45,16% dos votos válidos, ficando atrás do seu adversário Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, fã-clubes brasileiros começaram uma intensa mobilização nas redes sociais para tentar ampliar a votação do presidente no segundo turno, relata a Folha de São Paulo.
A aliança envolve mais de 100 fandoms integrados em favor da mobilização do candidato do PT. Sob o nome Fandoms com Lula, o agrupamento reúne fã-clubes de artistas nacionais como Anitta e Luísa Sonza, além de grupos sul-coreanos de grande projeção como BTS e BLACKPINK, ao lado de admiradores de personalidades de outras nacionalidades.
As estratégias formuladas variam desde a veiculação de fotografias de artistas junto ao presidente até a difusão de cartilhas formatadas como manuais de abordagem a eleitores. Os conteúdos estão hospedados e acessíveis na página eletrônica “Quem compara vota Lula”.
A coordenação da campanha do chefe do Executivo também estrutura uma força-tarefa no ambiente digital com o objetivo de otimizar a performance do presidente nas redes sociais. Na quarta-feira (7), Lula esteve reunido com parlamentares eleitas para a Câmara dos Deputados de expressiva projeção no ecossistema digital, a exemplo de Erika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Ana Elisa (PT-MG).
A coletividade dos fandoms declara-se autônoma e afirma não ter qualquer vínculo partidário formal. O grupo também promoveu diálogos virtuais e articulou atos públicos. A Folha de São Paulo procurou os gestores da iniciativa Fandoms com Lula, mas não obteve retorno.
Entre os manuais propagados pelos militantes digitais na rede X (antigo Twitter) consta o documento intitulado “Como vencer o 2º turno”. O texto se coloca como uma orientação prática para a eleição e prescreve métodos sobre quais segmentos do eleitorado abordar, quais argumentos utilizar e a melhor forma de interagir com potenciais eleitores do presidente.
Embora o arquivo não traga assinatura formal nem elementos visuais da campanha oficial de Lula, o documento hospedado no Google Drive vincula-se ao endereço eletrônico de Ergon Cugler, membro desde o ano passado do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), órgão de assessoria direta ao presidente da República formado por integrantes da sociedade civil. A Folha de São Paulo procurou Cugler para prestar esclarecimentos sobre a autoria e difusão do material, mas ele não respondeu até a publicação.
O manual sugere que os ativistas direcionem o foco das conversas para dois contingentes eleitorais específicos: cidadãos com 70 anos ou mais e beneficiários de programas de assistência social.
Os cidadãos da faixa etária a partir dos 70 anos possuem voto facultativo e somam mais de 10% do total de eleitores do país. A cartilha relaciona a quantidade de idosos que se abstiveram no pleito de 2022 com a margem de diferença da votação presidencial daquele ano, utilizando esse parâmetro para sustentar que um maior público dessa faixa nas urnas pode ser determinante para a vitória de Lula. A tática se conecta diretamente à preocupação dos articuladores da campanha quanto ao índice de abstenção no segundo turno, elemento que pode prejudicar o candidato do PT.
No contato com beneficiários de programas sociais, a orientação é estabelecer diálogo centrado nas realizações do governo, nos benefícios repassados e na postura apresentada pelos candidatos sobre a permanência de tais direitos.
Para embasar o material publicado, os integrantes usam reportagens jornalísticas, análises sobre os concorrentes e materiais gráficos criados para comparar a atual gestão com a administração de Jair Bolsonaro (PL).
A atuação coordenada no meio digital segue horários definidos para o disparo simultâneo de imagens, lemas e tags de mobilização. Em uma dessas ações, centenas de contas foram convocadas para veicular às 18h conteúdos estruturados com a marca do movimento.
A execução de publicações alinhadas por contas diversas não viola as normas eleitorais vigentes. As restrições estabelecidas na lei focam na contratação de impulsionamento de conteúdo, no envio massivo de mensagens por pessoas físicas e na concessão de compensação financeira para a difusão de material político.
A movimentação nas redes provocou reações na oposição, que passou a questionar a legalidade das imagens e a acionar detentores de direitos e agências de representação das celebridades utilizadas nos conteúdos.
O deputado federal eleito pelo PL de São Paulo, Lucas Pavanato, criticou a iniciativa nas redes sociais ao declarar que a mobilização representa um “gabinete do ódio”.
Contudo, a inclusão da imagem de uma personalidade em peças criadas por fã-clubes não traduz declaração formal de apoio do artista ao candidato.
Além das ações na internet, os administradores dos perfis passaram a mapear e divulgar atos de rua agendados em estados como Maranhão e São Paulo.
O coletivo também promoveu uma transmissão com a participação de Simone Nascimento, codeputada estadual reeleita em São Paulo pela Bancada Feminista do PSOL. No encontro virtual, Simone debateu métodos de engajamento, técnicas de comunicação em redes e caminhos para potencializar a circulação dos conteúdos digitais.



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