O imperialismo estadunidense financia o golpismo e subverte a soberania nacional
Por José Reinaldo Carvalho – A revelação de que o governo dos Estados Unidos direcionou verbas do carimbado Human Rights and Democracy Fund para financiar uma verdadeira cruzada contra o Poder Judiciário brasileiro não surpreende os verdadeiros democratas e patriotas deste país.
A escandalosa ação exige denúncia veemente.
Sob o comando da Casa Branca e do Departamento de Estado, hoje sob a batuta do reacionarismo de Donald Trump e Marco Rubio, a máquina imperialista canaliza cerca de US$ 1 milhão para abastecer as fileiras da extrema-direita em solo nacional, sob o pretexto cínico de “combater o lawfare e a censura”. Trata-se do padrão histórico de ingerência de Washington na América Latina: a conversão de fundos pretensamente voltados à “democracia e aos direitos humanos” em recursos de desestabilização política e subjugação dos povos.
A interferência do imperialismo estadunidense nos assuntos internos do Brasil não é fato novo, contudo ganha contornos abertamente agressivos na atual conjuntura. Ao tentar manietar o Supremo Tribunal Federal (STF) através de sanções unilaterais, retaliações financeiras e do patrocínio direto a entidades locais encarregadas de desgastar a autoridade das instituições nacionais, o imperialismo norte-americano viola frontalmente a soberania do Brasil. O objetivo não é defender garantias constitucionais, mas assegurar que a maior nação da América do Sul permaneça submissa aos ditames geopolíticos de Washington, desprovida de autodeterminação para punir os formuladores, os generais e os soldados de investidas golpistas.
Para instrumentalizar a extrema-direita brasileira, em especial a encastelada no entorno do bolsonarismo, o imperialismo utiliza como biombo a bandeira da “luta contra a censura” e contra o “ativismo judicial”. Essa retórica, desenhada pelos laboratórios ideológicos de Washington, serve para transformar golpistas, propagadores de discurso de ódio e agentes do fascismo em supostos “mártires da liberdade de expressão”. A narrativa da “censura” nada mais é do que o disfarce sofisticado para proteger a rede de desinformação e subversão que busca desestabilizar o país de tempos em tempos.
A digital dos Estados Unidos na campanha contra o Judiciário brasileiro revela o motor do golpismo antidemocrático na América Latina. Ao golpear a jurisdição do STF e financiar entidades de fachada sob a alegação de combater as injustiças do STF, o Departamento de Estado busca desarmar o Estado nacional dos seus mecanismos de defesa contra correntes neofascistas. Fortalecer os ataques ao Judiciário é, em essência, abrir as portas para nova escalada autoritária que atenda aos interesses de pilhagem econômica e alinhamento automático do Brasil aos centros do capital financeiro internacional.
O pano de fundo de toda essa ofensiva repousa sobre a natureza visceralmente anticomunista e anti-esquerda do imperialismo estadunidense. Não por acaso, a engrenagem orçamentária mobilizada pelo governo Trump contempla aportes massivos de até US$ 40 milhões para entidades reacionárias globais, a exemplo do consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation. A sanha com que a Casa Branca persegue as instituições democráticas se insere na estratégia contínua de sufocar qualquer força progressista, nacionalista ou de esquerda que oponha resistência à hegemonia militar e financeira dos EUA no Hemisfério Sul.
Nesse esquema de dominação externa, a existência de uma quinta-coluna encarregada de operacionalizar as ordens de Washington em solo pátrio é determinante. Partidos da direita tradicional e neofascista, lideranças sociais vendidas ao capital estrangeiro, certas ONGs financiadas em dólares e jornalistas de fancaria a serviço dos patrões dos grupos monopolistas da mídia atuam abertamente como linhas auxiliares e testas de ferro do imperialismo. Disfarçados de “defensores da liberdade”, esses agrupamentos reproduzem acriticamente o roteiro traçado no Departamento de Estado, sacrificando a independência do Brasil em troca do beneplácito da potência hegemônica.
Diante das ameaças abertas da administração estadunidense, não há espaço para a conciliação ou para o silêncio. A soberania do Brasil, erguida pela luta histórica de seu povo, não pode ser leiloada por verbas de gabinetes estrangeiros nem chantageada por sanções do Tesouro norte-americano. Exigir o fim imediato da ingerência dos EUA, desmantelar as redes locais alimentadas pelo capital imperialista e defender a autodeterminação do povo brasileiro contra as garras de Washington são tarefas inadiáveis para todos os setores genuinamente empenhados na libertação nacional.
Outra coisa é o debate nacional legítimo sobre a natureza e a organização do sistema político brasileiro, a natureza, o papel e o lugar dos Poderes constitucionais. Vivemos um momento de esgotamento desse sistema político. Cabe às forças políticas progressistas, tal como tentaram durante a Constituinte de 1987-1988, transformá-lo em profundidade. Não serão os imperialistas e seus agentes internos que nos darão lições ou nos imporão receitas, mediante o pagamento de propinas.


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