Denúncia: Globo, Folha e CNN apagaram matérias citadas em decisão do ministro Dino sobre ataques à imagem de Nossa Senhora
O ministro Flávio Dino derrubou neste domingo, 27 de setembro, a censura do colega André Mendonça à publicação do ator e escritor Antonio Tabet – “família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.
Na decisão, Dino citou cinco matérias publicadas pelo G1 [em out/2024 e mar/2026], O Globo [abr/2026], Folha [jun/2026] e CNN [jan/2026] reportando atos vilipendiosos praticados por fanáticos políticos e intolerantes religiosos à imagem da Padroeira oficial do Brasil.
Nas notas de rodapé da decisão com o link das reportagens, Dino mencionou a data de acesso às matérias: “Acesso em: 27 set 2026”, ou seja, neste mesmo dia da decisão judicial:
A decisão do ministro Dino foi publicizada por volta das 13 horas deste domingo. Pouco tempo depois, porém, às 15:20 horas, quando acessados os links do G1, de O Globo e da Folha para conhecimento dos conteúdos, as matérias já não estavam mais disponíveis nos portais dos veículos, porque tinham sido removidas e/ou apagadas [figura com prints].
Pelo menos até às 15:24 horas deste domingo a matéria da CNN [Mulher é detida após quebrar imagem de Nossa Senhora em igreja de PE] ainda continuava disponível no site do veículo.
No entanto, às 16 horas, quando realizado novo acesso para confirmar o conteúdo, o Grupo CNN também já havia retirado e/ou apagado a matéria do seu site [figura com print].
É evidente que não se trata de problema técnico dos sites dos veículos, mas tudo indica ter havido uma operação coordenada e articulada entre os grupos de mídia para esconder conteúdo potencialmente desfavorável à campanha de Flávio Bolsonaro.
Essa realidade pode caracterizar conluio de grupos de comunicação para ocultar do escrutínio público fatos de interesse no debate político e eleitoral, fraudando o processo de escolha consciente das pessoas.
No livro “Sobre a Democracia”, Robert Dahl questiona: “Como os cidadãos podem adquirir a informação de que precisam para entender as questões […] se apenas um grupo goza do monopólio de fornecer a informação?” [pág. 111].
Dahl entende que “os cidadãos devem ter acesso a fontes de informação que não estejam sob o controle do governo ou que sejam dominadas por qualquer grupo ou ponto de vista”.
“Como poderiam os cidadãos participar realmente da vida política se toda a informação que pudessem adquirir fosse proporcionada por uma única fonte –o governo, digamos– ou, por exemplo, um único partido, uma só facção ou um único interesse?”, questiona o autor.
Para um jurista com atuação nos tribunais superiores consultado a respeito do apagamento das reportagens, “a retirada do ar dos links correspondentes às matérias citadas na decisão do Supremo Tribunal Federal, feita de forma uníssona pelo G1, CNN e Folha de São Paulo, demonstra a opção eleitoral dos veículos de comunicação, o que pode configurar crime eleitoral, desobediência e responsabilidade civil. Não é papel dos meios de comunicação aderirem a um projeto de poder específico em prejuízo da informação e da livre comunicação”.
Haveria, de fato, um conluio dos grupos de comunicação para esconder práticas de setores fundamentalistas e intolerantes identificados com o espectro da extrema-direita? Seria essa uma ação faccional de setores da imprensa para ajudar a campanha de Flávio Bolsonaro?
Se confirmada essa ação coordenada, se estaria diante de uma atitude criminosa e, além disso, extraordinariamente mais grave, estando o país a apenas sete dias do pleito presidencial.



Quem quer servir ao capital não deveria servir ao Estado. É incompatível!
Vorcaro ocupa os caminhos que antes levavam a Roma
Se meu pai acordasse hoje, vinte anos depois