Pedro Sánchez denuncia ataque ao multilateralismo na ONU e propõe fim do veto
247 – O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, denunciou na Assembleia Geral da ONU uma ofensiva de governos contra o multilateralismo e pediu a reforma do Conselho de Segurança, com representação mais equilibrada entre as regiões e o fim do poder de veto dos membros permanentes. Ele também defendeu que uma mulher latino-americana seja a próxima secretária-geral da organização, informa a Telesur.
Na quarta-feira (23), em Nova York, Sánchez acusou governos presentes na assembleia de desprezar os princípios que orientaram a criação das Nações Unidas. Segundo ele, essas forças questionam regras internacionais, descumprem acordos, reduzem contribuições a organismos multilaterais e depois apontam a perda de capacidade dessas instituições como justificativa para enfraquecê-las ainda mais. Ele classificou a estratégia como uma “tentativa de demolição planejada e coordenada”.
“Subo a esta tribuna com um único objetivo: defender aquilo que muitos estão tentando destruir”, afirmou. Sem citar Donald Trump pelo nome, o premiê fez críticas a políticas que, segundo a cobertura da teleSUR, atingem a ordem multilateral e são adotadas pelo governo dos Estados Unidos e por aliados.
Sánchez atribuiu a ofensiva a três ideias que rejeita: a visão de que os ganhos de um país dependem das perdas de outro; o desprezo pela ciência e pela interdependência entre as nações; e a indiferença diante da fome e da destruição causada pelas guerras. Para ele, parte das críticas à ONU busca provocar o fracasso da instituição. “O multilateralismo é o melhor instrumento que a humanidade tem para administrar sua diversidade e sua interdependência”, declarou.
A resposta, sustentou, exige mudanças no funcionamento das instituições. Além de pedir o fim do veto no Conselho de Segurança, Sánchez propôs mais recursos e capacidade de ação para órgãos, agências e programas da ONU. Também defendeu o fortalecimento do Tribunal Penal Internacional para investigar e punir violações das normas internacionais. “A humanidade levou séculos para substituir o direito do mais forte pela força do direito, e nós não podemos ser a geração que percorra esse caminho no sentido contrário”, disse.
O premiê incluiu entre as prioridades a reconstrução dos mecanismos de não proliferação e desarmamento nuclear. Na área digital, pediu regras rigorosas para o funcionamento das redes sociais e para o desenvolvimento da inteligência artificial, afirmando que os interesses das novas gerações devem prevalecer sobre os interesses econômicos dos grandes grupos de tecnologia.
Ao tratar da sucessão no comando da ONU, Sánchez lembrou que todos os nove secretários-gerais da história da organização foram homens. “Como é possível que uma organização que pretende falar em nome de toda a humanidade nunca tenha tido uma mulher à frente?”, questionou. Para ele, chegou o momento de escolher uma mulher da América Latina.
Sánchez também apresentou a política externa espanhola como exemplo da posição que defende. Disse que seu governo se opôs a guerras de agressão na Ucrânia, no Líbano e no Irã, recusou elevar os gastos militares a 5% e impôs um embargo de armas a Israel. No discurso, voltou a condenar as ações do governo de Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza como genocídio.
Segundo o premiê, a Espanha dobrou seus investimentos em cooperação internacional e ampliou em 60% sua contribuição ao sistema multilateral, em um período de redução da ajuda ao desenvolvimento em escala mundial. Ao abordar a crise migratória em Ceuta, afirmou que a resposta espanhola deve preservar a legalidade e os direitos humanos, sem transformar migrantes em inimigos.
“Não vamos nos calar”, declarou Sánchez ao encerrar a defesa de sua posição. Ele afirmou que a Espanha continuará apoiando a cooperação internacional e as reformas que considera necessárias para que a ONU enfrente os conflitos e as crises atuais.



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