Emir do Catar denuncia genocídio em Gaza e cobra ação internacional
247 – O emir do Catar, Tamim bin Hamad, afirmou na Assembleia Geral da ONU que a devastação na Faixa de Gaza constitui um genocídio e criticou a resposta internacional à crise. Segundo a agência Prensa Latina, ele também cobrou de Israel o fim definitivo das operações militares, a retirada de suas forças do território, o levantamento do bloqueio e a entrada de ajuda humanitária sem condições.
Em discurso na terça-feira (22), na abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral, em Nova York, o emir relacionou a situação dos palestinos à credibilidade da ordem internacional. “É impossível falar de uma ordem internacional justa enquanto a Palestina permanecer um ponto cego dentro dela; o que aconteceu em Gaza é um genocídio em larga escala e uma mancha na consciência de toda a humanidade”, declarou, de acordo com a Prensa Latina.
Tamim bin Hamad afirmou que a dimensão da crise contrasta com as medidas tomadas para interrompê-la. “As gerações futuras ficarão espantadas com a enorme discrepância entre a catástrofe e o nível da resposta internacional para contê-la. E a catástrofe continua”, disse.
O emir acusou dirigentes israelenses de apresentar o deslocamento da população de Gaza como solução para a guerra, sob o nome de “migração”. Também questionou o uso de acusações de antissemitismo e de teorias da conspiração como resposta às críticas internacionais às ações de Israel. Segundo ele, há registros audiovisuais de soldados israelenses se vangloriando de seus atos, enquanto imagens dos crimes cometidos em Gaza circulam pelo mundo.
Ao tratar das negociações, Tamim bin Hamad destacou a atuação do Catar como mediador para reduzir o sofrimento dos civis, viabilizar a libertação de prisioneiros e detidos e alcançar um cessar-fogo duradouro. Defendeu que Israel cumpra suas obrigações “integralmente e sem reservas” e pediu à comunidade internacional que não deixe a execução dos acordos “à mercê dos cálculos de uma parte habituada a quebrar as suas promessas sempre que tem carta branca no cenário político”.
O discurso também abordou a Cisjordânia ocupada. O emir classificou como “uma ferida aberta” a perseguição aos palestinos, a violência dos colonos e as violações de locais sagrados islâmicos e cristãos, entre eles a Mesquita de Al-Aqsa. Ele reiterou o apoio do Catar à criação de um Estado palestino independente, com Jerusalém Oriental como capital, e pediu que a comunidade internacional assuma suas responsabilidades em relação aos territórios ocupados.


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