Lula defende soberania, denuncia tutela dos EUA na América Latina e avisa: “O que está em jogo é democracia contra barbárie”
247 – Pouco antes da Assembleia Geral da ONU e na reta decisiva da disputa presidencial no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma das mais enfáticas entrevistas de seu mandato à correspondente internacional da CNN, Christiane Amanpour. Em quase meia hora de conversa franca, Lula reafirmou a intransigente defesa da soberania nacional, alertou para o perigo da “lei do mais forte” imposta pelo unilateralismo de Donald Trump e desmontou o cerco econômico e geopolítico que setores do extremismo internacional tentam erguer contra o Brasil e a América Latina.
Abaixo, os eixos centrais das declarações do presidente:
1. “Não aceitamos imperadores”: soberania, multilateralismo e reciprocidade comercial
Questionado por Amanpour sobre a postura autoritária de Donald Trump no comércio internacional, Lula foi direto: “Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo: ‘eu sou mais forte, mais rico, posso tudo e o resto obedece’. Não aceitamos isso. O comércio é uma via de mão dupla”.
Ao tratar do protecionismo tarifário imposto por Washington, Lula revelou a resposta pragmática da diplomacia e do comércio exterior brasileiro: em vez de ceder à chantagem, o país abriu e expandiu novos mercados estratégicos, sobretudo com o Sul Global e a Eurásia.
“Após as tarifas, nossas exportações para os EUA caíram 9% e as importações 8,5%. Mas nós não ficamos chorando sobre o leite derramado. Fomos atrás de alternativas: crescemos 20% com a China, 23% com a União Europeia, 18% com o Japão, 16% com a Alemanha e expandimos com Indonésia e Vietnã. Ao todo, registramos alta de 10,5% com 57 nações.”
Apesar de manter diálogo e apostar na negociação diplomática para normalizar as relações com a Casa Branca, Lula mandou um aviso claro: se não houver acordo justo e de respeito mútuo, o Brasil acionará a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, taxando produtos americanos vitais.
2. Denúncia contra traidores da pátria e blindagem do pleito nacional
Com a aproximação das eleições no Brasil, Amanpour indagou o mandatário sobre as investidas do bolsonarismo nos bastidores de Washington para incentivar sanções econômicas contra o próprio país e criar instabilidade política. Lula não poupou críticas:
3. “Democracia ou barbárie”: a decisão popular em 17 dias
Diante das análises que apontam um pleito acirrado contra as forças do bolsonarismo, Lula definiu o momento histórico vivido pela nação não como um mero embate entre candidatos ou siglas, mas como uma encruzilhada de civilização:
“O que está em jogo hoje no Brasil não é apenas uma escolha entre nomes ou partidos. É uma escolha de princípios fundamentais: ou a democracia ou a barbárie; ou a preservação ambiental ou a destruição florestal; ou as políticas de inclusão social e renda ou o abandono da população pobre; ou o resgate da cultura ou o seu aniquilamento.”
Lula expressou tranquilidade inabalável em relação às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral brasileiro, que descreveu como modelo de agilidade, integridade e transparência para o resto do planeta.
4. Tutela sobre a Venezuela e a falência da governança da ONU
Ao avaliar o cenário latino-americano, o presidente classificou como profundamente perigosa e ilegítima a intervenção direta e o controle exercido pelos EUA sobre as riquezas e os rumos políticos da Venezuela:
Ao final, Lula sintetizou o princípio orientador de sua atuação política: governar com coragem e altivez soberana não é confrontar por vaidade, mas exercer o cuidado e proteger o futuro do povo sem se curvar a nenhuma potência.



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