Mercado Livre amplia receita em 45% no 3º trimestre, mas margem operacional encolhe a 6,3%
247 – O Mercado Livre registrou crescimento de 45% em sua receita líquida e financeira no terceiro trimestre de 2026, alcançando US$ 10,75 bilhões, enquanto o lucro líquido avançou 6%, para US$ 448 milhões. O balanço divulgado pela companhia nesta quarta-feira (4) mostra que a expansão dos negócios foi acompanhada de uma redução da margem operacional, que passou de 9,8% para 6,3% em um ano.
O Brasil foi o principal motor do crescimento da empresa, respondendo por US$ 6 bilhões da receita consolidada, um aumento de 49,7% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado pelas operações de comércio eletrônico e serviços financeiros, incluindo o Mercado Pago, que ampliou sua base de usuários e sua carteira de crédito.
O lucro operacional do grupo somou US$ 676 milhões, abaixo dos US$ 724 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025, uma retração de aproximadamente 6,6%. A margem operacional caiu 3,5 pontos percentuais no período, refletindo principalmente o aumento dos custos de entrega, a expansão da infraestrutura logística e maiores despesas comerciais.
A companhia informou que o crescimento das receitas, combinado com menores despesas tributárias e perdas cambiais mais reduzidas, permitiu ampliar o lucro líquido apesar da queda do resultado operacional. A margem líquida ficou em 4,2%, ante 5,7% um ano antes.
Brasil lidera crescimento da receita
A operação brasileira respondeu por aproximadamente 56% das receitas consolidadas do Mercado Livre no terceiro trimestre. Dos US$ 6 bilhões gerados no país, US$ 3,66 bilhões vieram das atividades de comércio eletrônico e US$ 2,34 bilhões dos serviços financeiros.
O volume bruto de mercadorias comercializadas pela plataforma no Brasil aumentou 36% em moeda constante, enquanto a quantidade de produtos vendidos cresceu 45%. Segundo a companhia, a ampliação dos benefícios de frete grátis contribuiu para elevar a frequência de compras e atrair consumidores para categorias de menor valor.
O crescimento também ocorreu nos demais principais mercados latino-americanos. No México, as receitas chegaram a US$ 2,43 bilhões, avanço de 47,1% em dólares. Na Argentina, totalizaram US$ 1,82 bilhão, aumento de 26,1%.
A empresa destacou que continuou aumentando sua participação de mercado nos três países, embora tenha enfrentado condições econômicas distintas. No México, a reforma tributária e o enfraquecimento do consumo limitaram o ritmo de expansão das vendas, enquanto a Argentina apresentou crescimento mais acelerado do comércio eletrônico em regiões fora de Buenos Aires.
Comércio eletrônico amplia vendas e base de consumidores
O volume bruto de mercadorias comercializadas pelo Mercado Livre em toda a América Latina atingiu US$ 22,8 bilhões no trimestre, crescimento de 38% em dólares e de 33% quando desconsideradas as variações cambiais.
A plataforma comercializou 866,9 milhões de produtos, alta de 36,5% em relação ao mesmo período de 2025. O número de compradores únicos ativos chegou a 93,9 milhões, crescimento de 22,3%, equivalente à incorporação de mais de 17 milhões de consumidores em um ano.
A frequência de compras também aumentou. Cada comprador ativo adquiriu, em média, 9,2 itens durante o trimestre, resultado 12% superior ao registrado um ano antes.
A expansão da demanda elevou a movimentação logística. A companhia realizou 591 milhões de envios, dos quais 258 milhões foram entregues no mesmo dia ou no dia seguinte, crescimento de 49% nessa modalidade.
Mercado Pago amplia carteira de crédito em 62%
O Mercado Pago manteve sua trajetória de expansão e alcançou 92,9 milhões de usuários ativos mensais no terceiro trimestre, crescimento de 28,7% em relação ao ano anterior.
O volume total de pagamentos processados pela plataforma chegou a US$ 108,8 bilhões, avanço de 52,8% em dólares. Desse montante, US$ 68,3 bilhões corresponderam às operações de processamento de pagamentos, enquanto US$ 40,5 bilhões vieram das demais atividades financeiras.
A carteira de crédito atingiu US$ 17,88 bilhões, aumento de 62,3% na comparação anual. Os cartões de crédito representaram a maior parcela, com US$ 8,47 bilhões, seguidos pelos empréstimos pessoais, com US$ 6,06 bilhões, e pelo financiamento a comerciantes, com US$ 2,92 bilhões.
Os ativos sob gestão do Mercado Pago também cresceram, alcançando US$ 25,12 bilhões, expansão de 66,7% em um ano.
Apesar do aumento das operações de crédito, o indicador de inadimplência para atrasos entre 15 e 90 dias permaneceu em 7%, estável em relação ao trimestre anterior.
A margem financeira líquida após perdas com crédito ficou em 20,1%, abaixo dos 21% registrados no terceiro trimestre de 2025. A companhia atribuiu parte dessa redução à maior participação dos cartões de crédito na carteira, uma vez que as novas operações exigem provisões para perdas antes da consolidação das receitas financeiras.
Frete grátis e investimentos pressionam margens
O Mercado Livre atribuiu a queda da rentabilidade operacional à estratégia de ampliar o acesso ao comércio eletrônico e fortalecer sua estrutura de distribuição.
A expansão do frete grátis e os descontos em tarifas cobradas de vendedores e em operações com Pix no Brasil contribuíram para reduzir a margem bruta. Os custos relacionados à expansão da carteira de crédito também aumentaram.
A margem bruta consolidada ficou em 40,8%, queda de 2,5 pontos percentuais em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Na comparação com o segundo trimestre de 2026, a margem operacional recuou de 6,7% para 6,3%. O resultado refletiu, entre outros fatores, maiores despesas logísticas e um aumento dos investimentos em marketing, especialmente no programa de afiliados brasileiro.
A companhia expandiu em quase 20% a área de seus centros de distribuição entre julho e setembro, preparando a operação para períodos de maior demanda.
Apesar desses gastos, o custo médio por envio no Brasil diminuiu 5% em moeda local em relação ao mesmo trimestre de 2025, segundo a empresa. O resultado está associado à expansão da escala operacional e aos investimentos em produtividade.
Nos últimos 12 meses, o grupo inaugurou 13 centros logísticos metropolitanos e mais do que dobrou a quantidade de equipamentos automatizados e robôs em sua rede de distribuição. A companhia informou que as operações com robótica apresentaram ganhos de produtividade de 70% em determinadas atividades de separação de produtos, na comparação com processos manuais.
Publicidade e inteligência artificial ganham espaço
As receitas publicitárias do Mercado Livre cresceram 51% em moeda constante na comparação anual, impulsionadas por melhorias nas ferramentas de anúncios e pela utilização de inteligência artificial.
A companhia informou que sua ferramenta de inteligência artificial para campanhas publicitárias passou a atender 56 mil vendedores, quase quatro vezes o número registrado três meses antes.
Os investimentos em inteligência artificial aumentaram aproximadamente US$ 30 milhões em relação ao trimestre anterior. A tecnologia também vem sendo utilizada para aprimorar mecanismos de busca, atendimento aos consumidores e serviços financeiros.
Segundo o balanço, o assistente virtual Mago, do Mercado Pago, realizou 19 milhões de conversas somente em setembro.
Fluxo de caixa e situação financeira
O fluxo de caixa livre ajustado do Mercado Livre alcançou US$ 285 milhões no terceiro trimestre, mesmo depois de investimentos de US$ 503 milhões em bens de capital e de aproximadamente US$ 2,1 bilhões na expansão da carteira de crédito.
A companhia encerrou setembro com US$ 8,13 bilhões em caixa e investimentos disponíveis, ante US$ 6,75 bilhões ao fim de junho.
A dívida líquida consolidada chegou a US$ 8,03 bilhões. Parte significativa das obrigações financeiras está relacionada às atividades de crédito do Mercado Pago, que possuem recebíveis correspondentes.
O grupo também concluiu em setembro sua segunda emissão de títulos de dívida com grau de investimento, captando US$ 1 bilhão para reforçar sua posição de liquidez.



EUA e Brasil: a força da onda democrática
O Desesperado e Imprevisível “Sr. Veto”
A reeleição de Lula, a esquerda emergente e a disputa geopolítica pela América Latina
O maior desafio de Lula é a economia e ele só tem a ganhar se decidir rapidamente ancorar as expectativas