Faz o L: vitória de Lula inspira movimentos internacionais de resistência à extrema direita
247 – A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após uma virada histórica no segundo turno das eleições brasileiras, transformou o Brasil em referência internacional para movimentos políticos que buscam enfrentar a extrema direita. Segundo reportagem publicada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), a mobilização popular, as estratégias digitais e o símbolo do “L” passaram a inspirar lideranças e militantes em países como Espanha, França, Argentina, México e Estados Unidos.
A vitória de Lula, que conquistou seu quarto mandato após reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, ganhou repercussão internacional pela capacidade de mobilização nas ruas e nas redes sociais. Entre as duas etapas da eleição, o presidente ampliou sua votação em aproximadamente 10 milhões de votos, ultrapassando a marca de 64 milhões no segundo turno.
O gesto do “L”, criado pelo publicitário Mário Milani na campanha presidencial de 1989, tornou-se um dos símbolos dessa mobilização. Segundo seu criador, a letra representa não apenas Lula, mas também “luta” e, sobretudo, “liberdade”.
Nas redes sociais, a sigla L.U.L.A. passou a receber novos significados em diferentes idiomas, incluindo a expressão “Liga Universal da Luta Antifascista”, em uma demonstração da repercussão internacional da campanha brasileira.
Espanha vê na vitória brasileira um exemplo de mobilização
Na Espanha, a vitória de Lula foi celebrada por lideranças progressistas que enfrentam uma disputa política com os partidos conservadores.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou o resultado como uma “virada do progressismo global” e afirmou: “Se o Brasil conseguiu, a Espanha também consegue”.
A declaração ocorreu em meio à preparação para as eleições espanholas previstas para 29 de novembro, em um cenário de avanço do Partido Popular nas pesquisas.
A ex-prefeita de Barcelona Ada Colau, candidata pela Frente Ampla, também incorporou o gesto do “L” às suas manifestações políticas. Antes mesmo do resultado brasileiro, ela havia convocado apoiadores a reproduzir o símbolo “pela esperança, pela Palestina livre, por Lula no Brasil e pela Frente Ampla”.
Após a reeleição, ilustrações de Sánchez fazendo o gesto passaram a circular nas redes sociais, acompanhadas de adaptações de símbolos e materiais de campanha.
A estratégia digital brasileira também despertou interesse do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que convidou o deputado federal André Janones (Rede-MG) para colaborar com suas ações de mobilização nas plataformas digitais.
França reproduz o gesto de Lula e busca inspiração na virada brasileira
Na França, onde a extrema direita liderada por Marine Le Pen aparece com força nas pesquisas para a eleição presidencial de 2027, a vitória brasileira também provocou manifestações de entusiasmo entre lideranças da esquerda.
Apoiadores de Jean-Luc Mélenchon, principal liderança da França Insubmissa, passaram a reproduzir o gesto brasileiro com duas mãos formando a letra “L” e, em seguida, a letra “M”, em referência ao político francês.
Manuel Bompard, coordenador da França Insubmissa, destacou o papel da mobilização popular no resultado eleitoral brasileiro.
“Quero dizer ao povo francês que o que os brasileiros fizeram, nós também podemos fazer na França”, afirmou à emissora LCI.
A dirigente ecologista Marine Tondelier avaliou que a virada de Lula demonstra que o avanço da extrema direita pode ser revertido pela participação democrática.
O socialista Raphaël Glucksmann também destacou que “na política, não existe fatalidade” quando há mobilização popular e cidadã.
Já o comunista Fabien Roussel classificou a reeleição de Lula como uma “extraordinária mensagem de esperança”, afirmando que o resultado demonstra que “a extrema direita não é uma fatalidade”.
A repercussão chegou também às redes sociais francesas, onde militantes passaram a estudar as estratégias brasileiras de organização digital.
Cientista política coloca Brasil na vanguarda da resistência internacional
Para a cientista política Carolina Botelho, associada ao Laboratório de Estudos Eleitorais, de Comunicação Política e Opinião Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o resultado brasileiro representa um acontecimento de grande relevância para a política internacional.
Segundo ela, o Brasil se destacou por conseguir derrotar eleitoralmente a extrema direita em dois ciclos consecutivos, contrariando tendências observadas em outras democracias.
“A gente precisa entender isso como um novo capítulo mesmo para a política internacional, a ser observado, estudado e entendido pelas nações que estão atravessando essa ofensiva reacionária e neofascista”, afirmou.
A pesquisadora destacou que a vitória ocorreu apesar da atuação de forças políticas e econômicas contrárias ao presidente, incluindo, em sua avaliação, grandes corporações, setores do mercado financeiro, plataformas digitais e segmentos da imprensa.
“Além de resistir ao fascismo e à extrema direita nacional, a gente conseguiu de alguma forma frear uma ofensiva internacional, incluindo as big techs e poderes de muita grandeza. É como se a gente tivesse conseguido o impossível”, declarou.
Botelho atribuiu papel decisivo à mobilização da sociedade civil, que ampliou a participação política e contribuiu para a recuperação eleitoral de Lula entre os dois turnos.
“O presidente Lula, mais uma vez, alçou o Brasil a um patamar de país a ser copiado em muitas questões”, afirmou.
Exército do Lula vira referência de mobilização digital
Um dos elementos que mais chamaram a atenção de movimentos políticos internacionais foi a estratégia digital coordenada pelo deputado André Janones.
O canal de WhatsApp “Exército do Lula” passou de aproximadamente 50 mil inscritos no primeiro turno para 10,5 milhões no segundo, em apenas três semanas, segundo os números divulgados na reportagem do PT.
A iniciativa combinou transmissões ao vivo, mobilização de influenciadores, participação de artistas, intelectuais e lideranças políticas, além da divulgação de conteúdos nas redes sociais.
O crescimento do canal levou campanhas estrangeiras a buscar informações sobre o modelo brasileiro.
Além do convite recebido do PSOE espanhol, Janones foi convidado pela presidente mexicana Claudia Sheinbaum para uma visita de trabalho. Sheinbaum também reproduziu o gesto do “L” ao celebrar a vitória de Lula.
Na França, apoiadores de Mélenchon criaram o canal “Les Soldats Insoumis”, inspirado na experiência brasileira. O grupo ultrapassou 15 mil participantes até 27 de outubro e estimulou a criação de uma estrutura oficial de mobilização digital ligada ao político.
“Nós vimos bem o que aconteceu no Brasil e não se preocupem, vamos aplicar um método que funcione”, afirmou o deputado francês Antoine Laument, um dos organizadores da iniciativa.
Na Argentina, surgiram grupos e perfis identificados como “Ejército del Peronismo”, enquanto militantes espanhóis passaram a compartilhar cartilhas com as chamadas “regras de Janones”, reunindo orientações sobre engajamento, organização e circulação de conteúdos políticos.
A experiência também despertou interesse nos Estados Unidos. A influenciadora Jess Craven, ligada ao campo democrata, publicou um vídeo com o título “O que podemos aprender com o Brasil?”, discutindo aspectos da mobilização brasileira.
Brasil ganha projeção no debate democrático internacional
A repercussão da reeleição de Lula ultrapassou o resultado eleitoral e passou a alimentar debates sobre organização política, participação popular e enfrentamento da extrema direita em diferentes países.
O uso de símbolos facilmente reconhecíveis, a mobilização de milhões de apoiadores e a combinação entre campanhas presenciais e digitais são alguns dos elementos observados por lideranças estrangeiras.
Para Carolina Botelho, a experiência brasileira poderá ser estudada por movimentos e instituições de países que enfrentam disputas políticas semelhantes.
A circulação internacional do gesto do “L” e a adaptação de estratégias de mobilização indicam que a campanha brasileira já exerce influência sobre iniciativas políticas fora do país.
A vitória de Lula, nesse contexto, tornou-se uma referência para setores progressistas que buscam compreender como a participação popular e a organização eleitoral podem alterar disputas políticas marcadas pelo crescimento da extrema direita.



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