Assessor de Trump confirma que providenciou jato usado por Flávio Bolsonaro para fugir do Brasil
247 – O assessor de comunicação da Casa Branca Jason Miller confirmou que foi responsável por providenciar o jato particular utilizado na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, após sua derrota na eleição presidencial brasileira. A confirmação reforça as revelações sobre o envolvimento de integrantes do governo de Donald Trump na operação que permitiu ao parlamentar deixar o Brasil, apesar das restrições impostas pelas autoridades brasileiras.
A informação foi confirmada por Miller ao Metrópoles, nesta quinta-feira (29), depois que o jornal estadunidense The New York Times revelou a participação de funcionários da administração Trump nos preparativos da viagem. O governo Trump também autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro e seus familiares no país e pretende facilitar a obtenção de residência permanente para o senador.
A confirmação representa um novo desdobramento das informações divulgadas pelo jornal estadunidense. Procurado inicialmente pelo New York Times, Miller havia se recusado a comentar sua participação na operação. Agora, ao reconhecer que providenciou a aeronave, o assessor confirma diretamente um dos principais elementos da logística utilizada para transportar Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
Miller é considerado um aliado da família Bolsonaro e mantém relações com o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio. Segundo o New York Times, Eduardo esteve em contato com o assessor durante os preparativos da viagem. O envolvimento de Miller também havia sido mencionado pelo Wall Street Journal.
Trump autorizou entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos
A atuação do assessor ocorreu em uma operação que contou com outras medidas adotadas pelo governo estadunidense. Segundo o New York Times, Donald Trump determinou que Flávio Bolsonaro, sua mulher e suas duas filhas recebessem uma autorização migratória temporária, conhecida como parole, que permite a entrada e a permanência provisória de estrangeiros nos Estados Unidos.
O governo Trump também considera acelerar um eventual pedido de residência permanente apresentado pelo senador, em procedimento semelhante ao adotado para Eduardo Bolsonaro, que recebeu autorização para residir permanentemente no país em julho.
Na quarta-feira (28), Trump reconheceu publicamente que havia autorizado a entrada do parlamentar brasileiro, embora tenha procurado se distanciar de um envolvimento direto no caso.
“Nós lhe demos um passe para entrar no país, então vamos ver. Mas não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, declarou o presidente dos EUA.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, por sua vez, informou que o senador e seus familiares passaram pelos procedimentos de inspeção migratória e foram liberados após a análise das autoridades.
Viagem ocorreu após cancelamento de passaportes
A fuga foi organizada depois que Flávio Bolsonaro recebeu, na segunda-feira (26), uma determinação para entregar seus passaportes às autoridades brasileiras no prazo de 24 horas. Diante do descumprimento da ordem, os documentos foram cancelados na terça-feira (27), quando também foi emitido um alerta aos órgãos de imigração para impedir sua saída do país.
Apesar das restrições, Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina na noite de terça-feira, acompanhado da mulher e das duas filhas. Segundo informações da Direção Nacional de Migrações argentina, a família passou pela Ponte da Fraternidade, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50, utilizando uma van.
Cerca de 40 minutos depois, o grupo embarcou em uma aeronave da empresa Baires Fly. O avião fez uma escala para reabastecimento em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para a região de Miami, onde chegou na quarta-feira.
A Polícia Federal brasileira informou não possuir registro oficial da saída do senador do território nacional e passou a investigar as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais. A instituição ressaltou, entretanto, que as restrições impostas não significavam automaticamente que Flávio Bolsonaro fosse considerado foragido ou que houvesse ordem de prisão contra ele.
Investigações e derrota eleitoral antecederam saída do país
A viagem ocorreu em meio a investigações criminais envolvendo o senador. Uma delas apura suas relações com um advogado acusado de participar de um esquema de lavagem de dinheiro superior a US$ 1 bilhão relacionado a apostas pela internet.
Outra investigação envolve recursos milionários destinados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo as informações divulgadas pelo New York Times, parte dos valores teria origem no ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Flávio ainda não havia sido formalmente denunciado criminalmente nesses procedimentos.
O senador deixou o Brasil dois dias depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25).
Já nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma manifestação em que alegou ser vítima de perseguição política e questionou o resultado eleitoral, sem apresentar provas confiáveis de fraude. Inicialmente, apresentou-se como “presidente eleito legítimo” do Brasil, mas posteriormente apagou a publicação e substituiu a expressão por “líder”.



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