Putin defende garantias para Rússia, Ucrânia e Europa em negociação sobre fim da guerra
247 – O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (22) que as negociações para encerrar a guerra na Ucrânia devem estabelecer garantias de segurança para os dois países e contemplar uma estrutura mais ampla de segurança europeia.
Segundo a Reuters, o líder russo confirmou que Moscou está pronta para retomar em novembro as conversas com Kiev, sob mediação dos Estados Unidos.
Em entrevista à televisão russa, concedida um dia após seu encontro com o enviado presidencial americano Steve Witkoff, Putin defendeu que o processo diplomático tenha como objetivo um acordo de paz definitivo. Ele afirmou que a Rússia busca uma solução duradoura para o conflito, em vez de uma interrupção temporária dos combates.
“O objetivo dessas conversas será garantir a segurança da Ucrânia e da Rússia após a assinatura de acordos de paz definitivos, e não como resultado de um cessar-fogo temporário por um curto período. Estamos prontos para retomar esses contatos para atingir esse objetivo”, disse Putin.
O presidente russo relatou que Witkoff também defendeu a inclusão de um debate sobre a segurança do continente europeu nas negociações. Ao comentar a posição do representante americano, Putin manifestou concordância com essa abordagem.
Segundo ele, as discussões precisam abranger “a arquitetura da segurança europeia como um todo. E eu concordo com isso também. Bem, vamos ver como as coisas se desenvolvem nos próximos dias.”
A entrevista foi concedida ao correspondente da televisão estatal Pavel Zarubin após um evento no Teatro Bolshoi, em Moscou, em comemoração aos 150 anos do Sindicato dos Trabalhadores Teatrais da Rússia.
Ucrânia também sinaliza disposição para negociar
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também afirmou que seu país está preparado para participar de negociações, previstas, segundo ele, para o início de novembro. O líder ucraniano se reuniu com Witkoff na Noruega na terça-feira (20).
Ao apresentar a posição de Kiev, Zelensky declarou apoio a “quaisquer propostas de cessar-fogo, fim da guerra, cessar-fogo energético, bem como iniciativas humanitárias”.
As declarações dos dois presidentes indicam disposição para restabelecer o diálogo, mas apresentam prioridades diferentes. Enquanto Putin enfatiza acordos definitivos e garantias de segurança, Zelensky também admite iniciativas para interromper os ataques e atender a questões humanitárias.
De acordo com a Reuters, os esforços de negociação conduzidos pelos Estados Unidos estavam paralisados desde fevereiro, quando começou o conflito dos EUA e de Israel com o Irã.
Disputa territorial permanece como obstáculo
O controle de territórios no leste ucraniano continua entre os principais impasses para um entendimento. A Rússia exige que a Ucrânia ceda toda a região do Donbass, enquanto Kiev rejeita entregar áreas que permanecem sob seu controle.
Na entrevista, Putin sustentou que qualquer negociação territorial deve considerar a posição de Moscou de que essas áreas são historicamente russas.
“Em primeiro lugar, minha posição sobre essa questão é que esse não é o território deles. É o território da Rússia histórica”, afirmou.
O presidente russo também invocou as votações organizadas nas regiões disputadas sete meses depois do início da invasão russa. Segundo sua argumentação, os moradores teriam escolhido integrar a Rússia nesses referendos.
Putin voltou ainda a apresentar a opinião de que Moscou não desejava iniciar uma guerra e enfrentou reações hostis da Ucrânia em assuntos considerados essenciais pelos russos. Kiev mantém sua oposição à exigência de abrir mão dos territórios que controla, deixando a questão territorial como um dos pontos centrais da eventual retomada das negociações.



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